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Investimentos

MOSI3: vale a pena investir na Mosaico?

A holding já é expressiva no e-commerce e cresce por meio de um ciclo virtuoso

Por Matheus Egydio

29 mar 2021, 05:30

As ações da Mosaico (MOSI3) são indicadas nas séries Carteira Empiricus e Microcap Alert, lideradas por João Piccioni e Max Bohm, analistas da Empiricus.

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Antes mesmo das ações chegarem ao mercado através do IPO, em fevereiro de 2021, nossos analistas já sugeriam a reserva de MOSI3. Neste artigo, vamos explorar a empresa por trás do ativo e a tese de investimentos que justifica a sua entrada no seu portfólio.

Se quiser, você também pode dar uma olhada na análise do João neste vídeo:

Para facilitar, dividimos o conteúdo nos seguintes tópicos:

De quem posso ser sócio? Entendendo a Mosaico (MOSI3)!

Ao investir numa empresa, você não está apenas apostando, financeiramente, no crescimento dela; mais do que isso, você está se tornando sócio da companhia.

Por isso, prezando pela transparência radical, nós, da Empiricus, acreditamos que é importante endereçar duas questões fundamentais: de onde vem e o que faz.

Depois disso, partiremos para a tese de investimento propriamente dita.

A trajetória da Mosaico

Tudo começou em 1999, quando Guilherme, José e Roberto se juntaram a Gustavo e Rodrigo para criar o site Bondfaro. A ideia era desenvolver uma ferramenta de busca de produtos que permitisse, aos consumidores, comparar os preços e as características dos itens pesquisados rapidamente.

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Com todas as opções na mesa para o cliente final, foi basicamente um empurrãozinho no comércio eletrônico em direção ao ideal de livre mercado: os concorrentes precisavam ajustar seus preços para conquistar a venda.

Em 2005, o seu principal concorrente, o Buscapé, recebeu um aporte financeiro vultoso do fundo de private equity Great Hill Partners e partiu para o crescimento inorgânico: comprou as operações do Bondfaro em toda a América Latina, tornando-se o maior site de pesquisa de preços no mesmo território.

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Em 2009, foi a vez do Buscapé sentar do outro lado da mesa, sendo comprado pela Naspers por US$ 342 milhões. Enquanto isso, Guilherme, José e Roberto — que criaram o Bondfaro — fundaram o grupo Mosaico em 2010, com o propósito de gerar conteúdo para facilitar a tomada de decisão do consumidor.

Em 2011, o grupo criou o Zoom (não é a plataforma de videoconferência que tanto usamos na pandemia) para dar força à sua proposta.

Em 2019, no entanto, a Naspers reformulou sua estratégia ao concentrar seu portfólio em três frentes que não contemplavam o Buscapé/Bondfaro: classificados, delivery de comida e startups de tecnologia financeira.

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Estava na hora de vender a dupla de sites, que não se encaixavam mais na estrutura dela.

Então, o bom filho à casa torna: a Naspers vendeu a operação de pesquisas de preço para o grupo Mosaico, que, vale enfatizar, segue controlado pelos idealizadores iniciais da ferramenta. Hoje, o grupo se posiciona como a maior plataforma digital de conteúdos e originação de vendas.

Trata-se “não apenas de uma ferramenta de comparação de preços, mas também de um hub de informações relevantes a respeito de produtos”, aponta Piccioni.

Ainda em 2019, vemos mais uma grande mudança na estrutura societária do grupo Mosaico, quando o conselho de administração da empresa conferiu o direito a 5% do capital social ao BTG Pactual. Em janeiro de 2021, o banco exerceu o direito em sua integralidade, atualizando o organograma societário da Mosaico para a seguinte forma:

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E, como sabemos nesta altura do jogo, a Mosaico fez seu IPO em fevereiro de 2021. A oferta mudou o cenário acima, devido à nova emissão de ações e a venda de 46,7% das ações dos sócios — que, agora, possuem 35,9% do capital social da empresa.

O que a Mosaico faz?

Vamos ser justos ao admitir que já soltamos alguns spoilers sobre a atuação da Mosaico na seção anterior. Entretanto, é aqui que vamos nos aprofundar sobre as formas que a empresa ganha dinheiro.

Para começar, vamos fazer algumas classificações.

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Quando nos referimos à Mosaico, precisamos entender que ela é a holding das marcas Bondfaro, Buscapé e Zoom.

Dito isso, vamos destrinchar as propostas de valor das marcas.

As plataformas contemplam os produtos de diversos players do varejo, tanto pequenos quanto gigantes (Via Varejo, Magazine Luiza e Carrefour), disponibilizando informações sobre eles e comparando seus preços.

Além disso, elas contam com uma carta na manga que gera muito valor para os consumidores: o alarme de preços.

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Quando um potencial cliente está no início da sua jornada, ele acessa uma das marcas da Mosaico. Se ele não encontrar o que pensa ser a melhor proposta, ele pode configurar um preço abaixo dos atuais e, quando (e se) algum player diminuir seu preço, o consumidor é avisado por meio de uma notificação.

As pessoas, então, começam a usar as plataformas cada vez mais, aumentando o fluxo de usuários da Mosaico, o que a torna cada vez mais atrativa para os vendedores. Perceba, aqui, que a linha de raciocínio se assemelha à metáfora da bola de neve.

E esse fenômeno de crescimento gerando mais crescimento é chamado de efeito rede.

Para explicá-lo, vamos usar a lógica das redes sociais: quanto mais amigos utilizarem o Instagram ou o TikTok, mais tentador elas ficam e as chances de você ficar de fora são menores, certo?

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A Mosaico segue a mesma lógica, porque quanto maior o número de usuários, maior a exposição dos produtos dos varejistas; que por sua vez passam a achar “fundamental manter [a Mosaico] na sua estratégia”, explica Piccioni.

O efeito rede é um fator essencial do sucesso da Mosaico

Para facilitar a mensuração de tudo isso, vamos trazer alguns números sobre os nove primeiros meses de 2020 para a Mosaico: a empresa gerou 888 milhões de visitas, das quais 30 milhões se converteram em vendas.

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Ainda que a pandemia tenha um papel especial nesse resultado, estamos falando de uma presença muito relevante na internet, já que eles indicam a atuação da Mosaico “em quase 4% de todas as vendas do e-commerce brasileiro”, diz Piccioni.

Em termos de receita da companhia, o breakdown sintetiza a Mosaico em três frentes de atuação.

A primeira delas é a de receita por clique (ou product ads), que é a própria exibição de ofertas dos produtos de lojistas parceiros. Trata-se do core business da Mosaico, representando 95,5% da receita da empresa.

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As ofertas, quando clicadas, redirecionam o usuário para a plataforma do lojista parceiro, viabilizando a finalização da compra

Depois, temos a linha de intermediação, que consiste na possibilidade de pagar pela compra nas próprias plataformas da Mosaico. Esse modelo, mais utilizado por pequenos e médios lojistas, gera receita (cerca de 3,5%) por meio do comissionamento sobre o valor da compra.

Por fim, a linha de publicidade (ou advertising), embasada na exibição de anúncios através de banners e patrocínio de vitrines nos aplicativos e sites, representando cerca de 1% da receita.

O que esperar daqui em diante?

Fundamentada em tecnologia e fortemente atrelada ao varejo, o que a Mosaico vai fazer para continuar crescendo?

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Vamos trazer algumas respostas para essa questão.

Começando pelo IPO, os recursos levantados pela oferta primária foram divididos em duas partes: a quitação do empréstimo realizado pelo banco BTG Pactual (para a aquisição do Buscapé, em 2019) e a ampliação do market share de comércio eletrônico.

Para concretizar esse último ponto, a Mosaico já conta com iniciativas estratégicas que consistem na i) expansão vertical; ii) novos modelos de negócio; e iii) adição de tecnologias.

Assim, também há a possibilidade de crescimento inorgânico, ou seja, a aquisição de empresas para aumentar a sua base de clientes e soluções oferecidas.

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Max também destaca que a oferta primária da Mosaico a torna uma empresa com caixa líquido — tem mais dinheiro do que dívida —, o que, na visão dele, “sustenta o potencial de crescimento da companhia”.

Tudo isso coloca o valor justo de MOSI3 em outro patamar.

De acordo com os cálculos que o Max fez, há um potencial de valorização (ou upside) na casa dos 85% para os ativos da Mosaico, ou seja, comprar MOSI3 até R$ 70,00 é uma ótima escolha.

As fraquezas e os concorrentes da Mosaico

Analisando o portfólio de lojistas parceiros da Mosaico, enxergamos que poucos lojistas parceiros são responsáveis por grande parte do faturamento da empresa. Trata-se de um dos principais riscos para a tese de investimento sobre MOSI3, sendo um ponto a ser acompanhado de perto pelos investidores.

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Para colocarmos em números, a B2W (25,3%), Magazine Luiza (15,9%), Via Varejo (15,3%) e Amazon (11,3%), somadas, representam 67% do faturamento.

O contraponto é que a relação com esses gigantes do e-commerce brasileiro é de longa data: “B2W, Magazine Luiza e Via Varejo são parceiras há quase dez anos, enquanto a Amazon e o Carrefour são parceiros desde 2012 e 2016, respectivamente.

O crescimento acelerado também mostra sua outra face como um ponto de alerta, uma vez que não é nada simples manter o ritmo. E o insucesso nesse aspecto já tem ocorrido nos últimos anos…

É mais difícil mensurar a superação desse segundo obstáculo, sendo necessário a boa e velha dose de confiança na gestão da companhia.

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Ainda assim, “dado o bom histórico até aqui e a grande avenida de crescimento pela frente, entendemos que faz sentido depositar essa confiança no case”, explica Piccioni.

Partindo para a concorrência da Mosaico, nos deparamos com outra situação delicada.

Para Max, “a Mosaico é o Davi brigando com Golias”

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Os grandes competidores da companhia são o Google e o Facebook, mas, na posição de Davi, a Mosaico “se apresenta como uma ótima oportunidade para empresas que querem diversificar seus investimentos entre canais de comunicação”, aponta Max.

Veredito

Enquanto holding, a Mosaico oferece muito mais do que a comparação de preços no varejo. Para sermos justos, ela se configura como um verdadeiro “ecossistema voltado para o consumidor, que combina conteúdo e originação de vendas através do emprego de muita tecnologia”, afirma Piccioni.

E, como dito, essa tecnologia é uma via de mão dupla, utilizada pela gestão para criar o efeito rede em torno da Mosaico num ciclo muito virtuoso.

“De fato, o valuation [de R$ 2,5 bilhões] está longe de ser uma barganha, mas dada a qualidade da companhia e todas as opcionalidades de crescimento, acreditamos que vale a pena comprar Mosaico (MOSI3)”, conclui Piccioni.

Escreve para o site da Empiricus, MoneyTimes e Seu Dinheiro.