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Investimentos

O que esperar de Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve indicado por Donald Trump? Analista responde 

Anúncio de novo presidente do Banco Central dos EUA veio nesta sexta-feira (30) após meses de especulações; saiba o que isso significa para a maior economia do mundo

Por Anna Larissa Zeferino

30 jan 2026, 15:47

Atualizado em 30 jan 2026, 15:50

Kevin Warsh Donald Trump Fed Estados Unidos EUA

(Imagem: Getty Images)

Na manhã desta sexta-feira (30), Donald Trump anunciou oficialmente Kevin Warsh como o próximo presidente do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos.  

O anúncio vem após meses de especulação sobre quem seria o substituto do atual presidente, Jerome Powell – e qual postura esperar do novo indicado.  

Afinal de contas, nos últimos meses, Trump não poupou críticas públicas a Powell, especialmente demandando mais cortes de juros do que os contratados pelo inicialmente pelo Fomc (Comitê de Política Monetária do Fed). 

Com isso, o mercado especulava que o próximo indicado ao cargo pudesse ser um nome mais politizado e alinhado às ordens de Trump. 

Porém, na contramão dos receios, é possível que Kevin Warsh seja um nome positivo para o futuro do Fed. É o que explica Matheus Spiess, analista de macroeconomia da Empricus Research, em sua participação no Morning Call do BTG Pactual nesta sexta-feira (30). 

Porque Kevin Warsh pode ser uma boa notícia para o Fed e os EUA, segundo analista 

A primeira leitura, de certa forma, é de que isso resgata um véu de institucionalidade para o Federal Reserve. Isso é positivo”, afirma o analista.  

Para Spiess, a indicação de Warsh pode favorecer o “resgate da institucionalidade americana”, posta em dúvida por investidores e parceiros dos EUA nos últimos meses em meio aos ataques diretos de Trump ao Fed. 

Mas por que Warsh, em si, traz essa percepção? Há dois principais motivos para isso, segundo o analista: 

  1. Warsh é ex-governador do Fed: “É uma pessoa que sabe como a banda toca”, afirma; 
  2. Postura hawkish: Ao contrário da maioria dos demais postulantes ao cargo, Warsh é “historicamente associado a uma postura mais restritiva”, segundo Spiess.  

E “mesmo que venha a ser percebido como relativamente mais dovish em comparação à atual gestão de Jerome Powell, isso não seria um problema, desde que inserido no arcabouço técnico e institucional do banco central”, afirma.  

Tratando-se de preservação da independência do Fed, Spiess indica que “parte do mercado parece enxergar Warsh como uma possível figura de transição, capaz de reduzir ruídos políticos sem comprometer a credibilidade da instituição”.  

No que diz respeito aos investidores, esse cenário pode contribuir para o fortalecimento do dólar, que vem em processo de desvalorização perante as principais moedas do mundo. “Isso faz com que aquele trade de dólar mais fraco se inverta, pelo menos episodicamente.” 

Retorno da ‘institucionalidade’ do Fed pode diminuir ruídos na economia americana, segundo analista 

Com o possível retorno do “véu de institucionalidade” ao Fed e a eliminação dos rumores em torno do nome que o assumiria, dados econômicos voltam a ser prioridade nas pautas do mercado, segundo o analista. O que é de suma importância em um cenário em que, até então, conflitos geopolíticos roubavam a cena.  

“O calendário macro deveria voltar a ganhar um pouco mais de peso, limpando esses ruídos que temos visto acumular desde o começo do ano”, afirma. O que é bom especialmente agora, enquanto o Fed já mapeia os novos dados econômicos para definir seus próximos passos. 

“Com as tensões geopolíticas, toda semana temos alguma manchete na qual o mercado acaba se debruçando. Isso atrapalha bastante, faz com que nos distanciemos da realidade concreta: os fundamentos das empresas, resultados corporativos, dados macroeconômicos. Quando tiramos um pouco desse excesso de ruídos, podemos voltar a olhar os números de fato, que é o que importa no final do dia”, afirma. 

Segundo o analista, o consenso do mercado espera por mais “um ou dois” cortes na taxa básica de juros norte-americana em 2026, o que depende dos dados econômicos ao longo do ano.  

Apesar disso, reforça que qualquer mudança efetiva proposta por Warsh “dependerá da sua capacidade de construir consenso dentro do próprio comitê” e, principalmente, “convencer um mercado de títulos sensível a indícios de interferência política”. 

Mercado em 5 Minutos: Saiba onde investir após os acontecimentos desta semana, segundo Matheus Spiess 

Além de participar no Morning Call do BTG Pactual, Matheus Spiess também comentou o assunto no Mercado em 5 Minutos desta sexta-feira (30) — newsletter diária que traz sua análise dos principais assuntos que mexem com a economia global.  

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Jornalista no mercado financeiro desde 2022. Pós-graduanda em Economia, Investimentos e Banking pela Universidade de São Paulo (ESALQ-USP). Escreve para os portais Empiricus, Money Times e Seu Dinheiro, e já passou por casas como Itaú BBA e XP.