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Investimentos

‘Foguete não tem ré’? O que explica o Ibovespa acima dos 177 mil pontos nesta semana, segundo analista da Empiricus

Para Matheus Spiess, analista de macroeconomia da Empiricus, dois motivos principais explicam o viés otimista na bolsa brasileira esta semana; confira

Por Anna Larissa Zeferino

23 jan 2026, 13:46

Atualizado em 23 jan 2026, 14:49

ibovespa ações brasil bolsa mercado

Imagem: iStock.com/mirsad sarajlic

Desde o pregão da última terça-feira (20), o índice Ibovespa engatou um pequeno “rali” do qual ainda não saiu. Renovando uma máxima histórica atrás da outra, o índice negociava acima dos 177 mil pontos até o fechamento desse texto, no início da tarde desta sexta-feira (23).

Até agora, essa é uma alta acumulada de quase 8% para o principal índice do mercado brasileiro somente nesta semana.

O momento positivo da Bolsa, em geral, pode não ser novidade, considerando que o Ibovespa veio de boa performance em 2025 – ano que encerrou com alta acumulada de 34%. Mas o movimento recente, e sua rapidez, pode ter surpreendido: o que gerou tanto otimismo em apenas três dias?

Matheus Spiess, analista de macroeconomia da Empiricus Research, comentou o assunto ao longo da semana em sua newsletter diária Mercado em 5 Minutos.

Capital estrangeiro e eleições 2026: Dois motivos por trás da alta do Ibovespa esta semana, segundo analista

Para Spiess, dois principais motivos explicam o movimento otimista no Ibovespa especificamente nesta semana.

Fluxo de capital estrangeiro

“Naturalmente, a bolsa brasileira se beneficiou tanto da diversificação internacional em curso quanto da distensão recente nas relações entre Estados Unidos e União Europeia”, afirma Spiess.

Em sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos nesta semana, Donald Trump recuou de suas ameaças de “tarifaço” à União Europeia em nome da tomada da Groenlândia, e indicou estar disposto a fechar um acordo com a OTAN pelo território, sem uso de força militar.

“A sinalização foi suficiente para aliviar, ao menos temporariamente, as tensões transatlânticas e impulsionar os mercados. Ainda assim, persiste a percepção de que o desgaste na relação de confiança entre os Estados Unidos e seus aliados europeus é mais profundo e duradouro, exigindo que investidores e lideranças se preparem para um cenário em que a previsibilidade das relações internacionais e as alianças tradicionais seguirão sendo colocadas à prova”, segundo o analista.

Spiess explica que ainda há um movimento de sell-off de ativos norte-americanos, no qual investidores retiram parte de seu portfólio dos EUA, “desgastados pela volatilidade política associada a Trump”, e seguem em direção aos mercados emergentes.

“Nesse cenário, o Brasil desponta como destino natural ao combinar juros elevados, uma bolsa líquida, ativos ainda negociados a múltiplos atrativos e a perspectiva de um possível rali adicional, seja pela expectativa de cortes de juros, seja pela antecipação do ciclo eleitoral”, conclui.

Os cortes na taxa básica de juros (Selic), amplamente esperados pelo mercado ao longo de 2026, devem se iniciar na reunião do Copom dos dias 17 e 18 de março, com uma redução inicial de 0,25 ponto percentual, segundo projeções da Empiricus.

E tratando-se de “antecipação de ciclo eleitoral”, este é o segundo principal motivo ao qual o analista atribui o rali desta semana.

Ciclo eleitoral brasileiro no radar

Na manhã da quarta-feira (21), a divulgação de uma pesquisa Atlas Intel mexeu com os ânimos do mercado por mostrar cenários de desempenho positivo para a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República.

“Embora ainda seja visto como menos competitivo em um eventual segundo turno, os números indicam um começo de campanha mais forte do que o esperado. Como consequência, não apenas as ações subiram, mas também houve queda relevante dos juros futuros, refletindo a expectativa, ainda incipiente, de uma alternativa minimamente mais reformista”, afirma o analista.

Para Spiess, “qualquer melhora na percepção sobre a viabilidade de uma candidatura com viés mais reformista tende, em tese, a ser bem recebida pelos mercados.”

Analista não descarta eventual correção no Ibovespa – mas cenário segue promissor

Mas afinal, o Ibovespa deve sustentar o viés de alta?

Cabe aos investidores acompanhar os desdobramentos dos próximos dias, mas Spiess alerta que uma correção não é descartada: “Depois de movimentos tão intensos, correções pontuais fazem parte do processo natural de ajuste”, afirma o analista.

Porém, segundo ele, o cenário segue construtivo para manutenção do viés otimista:

“O movimento pode continuar, sustentado por um ambiente externo que não impõe restrições relevantes, pela rotação global de recursos em direção a mercados ainda considerados baratos, pela queda dos juros internacionais, pelo dólar mais fraco no mundo e, no plano doméstico, pela perspectiva de cortes de juros e pela possibilidade de um rali eleitoral mais adiante”, conclui.

Jornalista no mercado financeiro desde 2022. Pós-graduanda em Economia, Investimentos e Banking pela Universidade de São Paulo (ESALQ-USP). Escreve para os portais Empiricus, Money Times e Seu Dinheiro, e já passou por casas como Itaú BBA e XP.