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Investimentos

Onde investir depois das definições da Super Quarta?

Na última quarta-feira (16), ocorreu a divulgação da taxa de juros (Selic) do Brasil e dos Estados Unidos. Matheus Spiess, analista financeiro da Empiricus, explica os desdobramentos e as oportunidades que se pode extrair em meio a esse cenário

Por Melissa Bumaschny Charchat

21 mar 2022, 12:27

Atualizado em 19 fev 2024, 18:26

Na última “Super Quarta” (16/03), o Banco Central (BC) e o Federal Reserve (FED) anunciaram aumentos das taxas de juros nas economias. Diante disso, o analista financeiro da Empiricus Matheus Spiess comenta os desdobramentos das decisões das autoridades monetárias do Brasil e dos Estados Unidos e as oportunidades do momento no mundo dos investimentos.

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O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) anunciou uma alta de 1 ponto percentual na taxa, que passou de 10,75% para 11,75%. Já o Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve dos Estados Unidos (FONC) aumentou a taxa em 0,25 pontos percentuais, algo que não acontecia desde 2018, para a faixa entre 0,25% e 0,50% ao ano.

Aumento na taxa de juros: entenda o que está por trás

Visando contextualizar o motivo pelo qual esse dia era tão aguardado, Matheus Spiess explica que os bancos centrais foram desenvolvidos com o objetivo de endereçar eventuais instabilidades nos preços. “A ideia central é a de preservação do poder de compra”, enfatiza.

Para equilibrar a economia, o banco central dispõe de algumas ferramentas, sendo a principal delas a taxa de juros. “Estamos vindo de um patamar de inflação muito alto”, explica Spiess, detalhando que o Brasil atingiu dois dígitos de inflação em 2021, chegando à marca de 10%: “Entramos esse ano com dois dígitos ainda e acelerando, o que é problemático”.

Esse fenômeno, contudo, não é exclusividade do Brasil, sendo também observado nos Estados Unidos, onde o índice é o mais alto em 40 anos, e na Europa, por exemplo. Spiess explica que isso pode ser associado a alguns fatores. 

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Entre eles, a quebra das cadeias de suprimentos durante a pandemia, com choques de oferta e demanda em vários segmentos que ocasionaram variação de preços; bem como os estímulos monetários e fiscais, com injeção de dinheiro na economia por parte do governo e do Banco Central na economia e a distribuição do auxílio emergencial.

Outra causa a ser citada é a guerra na Ucrânia, visto que esta afeta diretamente commodities energéticas e agrícolas. “As sanções sobre o país [Rússia] fizeram com que essa economia se desligasse do mundo globalizado e portanto houvesse uma falta daquilo que eles anteriormente ofertavam”, explica Spiess. 

Sinalizações de novas altas

Dando continuidade a um ciclo de aperto monetário que já dura meses, o Brasil aumentou mais uma vez a taxa de juros em 100 pontos bases (bps), ou um ponto percentual, para 11.75%, a taxa mais elevada desde 2017. 

Além disso, o país contratou mais 100 pontos básicos para maio, mesmo diante de incertezas.

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Spiess explica que, com essa marca, o Brasil é capaz de conter a inflação e a elevação dos preços, já que está acima do juro neutro.

Já nos Estados Unidos, esse processo de aperto está tendo início agora, sendo esta a primeira alta de juros desde 2018. Com um aumento de 25 bps, ou 0.25%, a taxa encontra-se em 0,5%. 

“Foi um ajuste mais comedido”, explica Spiess.

Assim como o banco brasileiro, o americano também contratou aumentos futuros, no caso, seis altas para 2022 – de modo que a projeção para o final do ano é entre 1.75 e 2.0% – e mais três altas em 2023.

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O país norte-americano indicou, também, o início da redução do balanço do Banco Central em maio, que vem sendo inchado desde a crise de 2008 e hoje já conta com quase 9 trilhões de dólares em ativos adquiridos ao longo desses anos. 

Risco de estagflação?

Em relação às expectativas futuras para o Brasil, Spiess afirma que a Selic deve encerrar o fim de ciclo de aperto monetário entre 13% e 13225%, conforme o que pode ser precificado no momento. 

O analista destaca, ainda, que considerando a crise de 2020 e a subsequente recuperação econômica no ano seguinte, a projeção para esse ano era de volta à normalidade. No entanto, ele atenta para um risco: “Estávamos tentando voltar para um crescimento mais saudável com patamares de inflação muito elevados, o que fazia com que os investidores temessem um cenário muito maligno chamado estagflação”.

A estagflação consiste na estagnação do crescimento somada à inflação dos preços, corroendo a renda e causando uma série de problemas na qualidade de vida da população de maneira geral. 

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“Temos taxas de juros elevadas, pouco crescimento esperado para esse ano, e a inflação não arrefece. Pelo contrário, ela continua acelerando”, aponta Spiess, enfatizando por que o Brasil se torna um palco propício para esse fenômeno.  

Quanto aos Estados Unidos, Spiess salienta que os investidores estão preferindo receber menos no futuro e mais no presente. “Por conta do risco de inflação, as pessoas estão fugindo de ativos mais arriscados e indo para ativos mais seguros, como títulos do tesouro americano”, conta.

Encontrando oportunidades: onde investir nesse momento?

A primeira oportunidade indicada por Spiess é o Tesouro Selic. Ele explica que se trata de ativo de risco zero ligado ao governo e, no momento, garante 11,75% ao ano, com perspectivas de crescimento para em torno de 13% ao ano. Ele destaca também que os títulos privados  pós-fixados em CDI e Selic são muito atrativos nesse momento. Ademais, títulos públicos e privados indexados à inflação, os IPCA+, também são interessantes considerando a alta nesse índice que, por sua vez, não deve desacelerar em um primeiro momento.

No longo prazo, o juro real brasileiro, como os títulos de IPCA indexados, costuma ser a melhor opção. “Ele é mais estressado nesses momentos como esse que nós vivemos nos últimos dois anos, mas ainda assim é um campeão nacional”, afirma Spiess.

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Spiess destaca que está ocorrendo uma fuga dos investidores para ativos reais e seguros, seguindo a chamada rotação setorial, isto é, recursos que estavam investidos em ativos com múltiplo alto, preços mais elevados e fluxo de caixa distante migram para investimentos com fluxo de caixa no presente, como teses de valor, teses descontadas, entre outros: “A economia tradicional em detrimento da nova economia”, comenta. 

Nesse contexto, teses de commodities e cases de cíclicos super descontados são muito atraentes. “A bolsa brasileira está muito descontada de maneira geral, o que atrai fluxo estrangeiro, tanto que houve um grande fluxo estrangeiro entrando no Brasil este ano”, aponta Spiess. 

Os imóveis também voltam a ser um investimento positivo. “Até mesmo fundos imobiliários, já que têm os ajustes inflacionários”. Ele cita como exemplo o CRI indexado à inflação ou o CDI indexado à Selic.

Por fim, os metais preciosos. “Em um contexto de inflação em que o mercado americano é mais comedido, há uma queda ou estabilização dos juros reais, o que favorece os metais preciosos”, afirma Spiess, destacando que ouro e prata são os campeões nesse segmento.

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Assista aqui ao vídeo completo com a análise de Matheus Spiess:

Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero, é integrante da equipe de conteúdo da Empiricus e já atuou em social media e redação.