Imagem: iStock/ Dilok Klaisataporn
O desempenho das bolsas globais nas últimas semanas tem sido fortemente influenciado pelo conflito no Oriente Médio. A cada sinal de arrefecimento ou intensificação no combate, os mercados reagem quase que instantaneamente.
Em meio às idas e vindas de Donald Trump e retóricas agressivas de todos os países envolvidos, como posicionar a parcela internacional da carteira de investimentos? Para responder a essa pergunta, a Empiricus acaba de atualizar a carteira de BDRs para abril.
Disparada do petróleo favorece setor energético — mas não só ele
Um dos focos do mercado no Oriente Médio é o Estreito de Ormuz, local pelo qual transita cerca de 20% da produção global de hidrocarbonetos. Com o fechamento do estreito, o petróleo disparou e chegou a perto dos US$ 120 por barril no início do mês — quase o patamar atingido no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.
Os tipos WTI e Brent da commodity encerraram março na casa dos US$ 100, uma valorização de 65% em relação ao início de 2026.

Em um cenário como este, era natural esperar que o setor energético fosse o grande destaque do primeiro trimestre, afirma o analista Enzo Pacheco, da Empiricus.
Mas além desse, outros setores mais defensivos também se destacaram, como o de Utilities, Materiais Básicos e Bens de Consumo. Segundo Pacheco, isso é explicado pelas preocupações acerca do impacto no poder de compra ao redor do mundo.
Na ponta negativa, ficaram as teses ligadas a crescimento ou expectativa de corte de juros. “Setores como Consumo Discricionário, Tecnologia e Financeiro, vistos com bons olhos até pouco tempo, ficaram nas últimas posições no trimestre”, destaca o analista.
Isso porque a perspectiva para a política monetária nos EUA piorou com todos os eventos ocorridos em março.
“A decisão tomada pelo Federal Reserve de manter a taxa de juros inalterada no intervalo entre 3,5% e 3,75% era amplamente esperada, mas a dissidência de apenas um membro do FOMC sinalizou uma menor disposição do BC americano em retomar os cortes no futuro próximo”, afirma Pacheco.
A percepção foi confirmada, ainda, pela falta de definição sobre o conflito no Oriente Médio e o impacto nos preços das commodities. “A curva de juros americana, que antes precificava de dois a três cortes até o fim do ano, passou a manter a taxa de juros nos níveis atuais pelo menos até meados de 2027”, completa o analista.
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Nesse cenário, como montar a carteira internacional?
Em meio ao cenário turbulento, o analista atualizou a carteira internacional da Empiricus Research para abril.
Deixaram o portfólio os papéis da Amazon (B3: AMZO34 | NYSE: AMZN), Alibaba (B3: BABA34 | NYSE: BABA) e Novo Nordisk (B3: N1VO34 | NYSE: NVO).
A saída da Alibaba se deu pela falta de gatilhos neste mês. “Mesmo os bons números do primeiro trimestre, no qual a companhia reportou crescimento de três dígitos no segmento de computação em nuvem, foram insuficientes para dar ânimo nos investidores”, explica.
Já no caso da Amazon, o analista entende que outras teses entre as big techs “estejam mais bem vistas pelos investidores, principalmente pela posição da companhia de comprometer seus fluxos de caixa no curto prazo com o objetivo de aumentá-los no futuro”, disse.
Por fim, a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, “continua sofrendo desde o início de 2026 com o aumento da concorrência e eficácia menor do que a esperada de medicamentos em fase de tese”, justifica Pacheco.
Para o analista, as saídas abriram espaço para “teses de melhor relação risco-retorno”.
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Bem-vindas, Netflix, Nvidia e SLB
Nesse sentido, entraram na carteira as ações da Netflix (B3: NFLX34 | Nasdaq: NFLX), Nvidia (B3: NVDC34 | Nasdaq: NVDA) e SLB (B3: S1LB34 | NYSE: SLB).
“As novas adições buscam aproveitar níveis de preços importantes em algumas das principais empresas de tecnologia do mundo, assim como expor a carteira ao setor de Energia”, disse o analista.
Sobre a Netflix, o analista destaca a forte queda de mais de 30% que a ação sofreu desde o final de 2025, quando anunciou a aquisição da WarnerBros Discovery — no fim, no negócio não se concretizou.
“A decisão de sair do negócio, ao final de fevereiro, fez com que a ação recuperasse parte do valor. Entretanto, segue longe de suas máximas, e entendo que a divulgação de resultados possa servir de gatilho para apresentar novos ganhos”, afirmou.
No caso da Nvidia, a entrada na carteira se deve ao anúncio da empresa de que espera reportar receitas de mais de US$ 1 trilhão entre 2025 e 2027. Segundo o analista, isso significaria algo como US$ 500 bilhões de vendas somente no próximo ano — um crescimento de 60% em relação ao esperado para 2026.
“Passando a não apenas vender chips isolados, mas uma infraestrutura completa de IA, a empresa se posiciona no centro dessa nova onda tecnológica, capturando a crescente demanda por computação. Dessa forma, junto a um bom momento técnico, a companhia passa a integrar a carteira”, afirmou.
Por último, mas não menos importante, a alocação em SLB é fundamentada na “manutenção do preço do petróleo em níveis superiores ao observado no começo do ano, aliado a uma possível resolução dos conflitos no Oriente Médio que pode impulsionar a demanda por serviços de manutenção e expansão das atividades de upstream”, começa Pacheco.
“Neste contexto, a maior fornecedora global desse tipo de serviço tende a ser a principal beneficiada, dado seu histórico consolidado, expertise técnica e ampla gama de soluções”, conclui.
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