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Investimentos

Raízen (RAIZ4): o que muda após a certificação internacional para a produção de SAF? Veja a recomendação da Empiricus Research

Raízen recebe certificação que valida internacionalmente sua produção de SAF, uma das principais apostas da companhia para o futuro; saiba mais

Por Juan Rey

22 ago 2023, 09:10

Atualizado em 22 ago 2023, 09:10

Raízen (RAIZ4)
Imagem: Divulgação/ Raízen

Na última segunda-feira (21), a Raízen (RAIZ4) informou ao mercado que recebeu a certificação internacional ISCC CORSIA Plus. Isso significa que o etanol de segunda geração da companhia cumpre os requisitos internacionais para a produção de SAF (na tradução, Combustível Sustentável de Aviação).

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O SAF tem uma emissão de poluentes cerca de 80% menor quando comparado ao querosene de aviação tradicional. 

Nesse sentido, pela ótica ESG, a conquista anunciada hoje é de grande importância para a Raízen, que se tornou a única empresa de etanol do mundo a ter a certificação. 

Mas, pela ótica do negócio, o que muda para a Raízen?

Segundo a analista Larissa Quaresma, da Empiricus Research, o SAF é uma das principais avenidas de crescimento de longo e médio prazo da Raízen

O combustível sustentável é produzido através das plantas de etanol de segunda geração da companhia, que difere do processamento tradicional da cana de açúcar.

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“A Raízen, junto com a Shell, desenvolveu uma tecnologia para produzir o etanol de uma outra forma, que ficou conhecida como etanol de segunda geração. Ela dá origem não só ao etanol menos poluente usado diretamente como combustível no carro, como também a vários outros derivados, como é o caso do SAF”, explica Larissa.

A analista afirma que a companhia é praticamente a única produtora global de etanol de segunda geração e agora de SAF em escala comercial, ambos em fase inicial de produção.

SAF ainda precisa se provar vendável

Até por isso, o SAF ainda precisa se provar no mercado – o produto é caro na comparação com o querosene tradicionalmente utilizado nos aviões. 

“A grande questão é testar no mercado o SAF, já que ele é mais caro e as pressões inflacionárias no mundo ainda não acabaram. Será que as companhias aéreas vão conseguir repassar esse custo maior para o consumidor final?”, questiona.

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Apesar disso, ela vê possibilidades de o combustível sustentável ter sucesso no mercado, seja por meio de regulação governamental ou até mesmo através de acordos regulatórios entre as próprias companhias aéreas.

“A Azul, por exemplo, tem o objetivo de se tornar neutra em emissão de carbono até 2030. É uma meta super desafiadora e o SAF pode desempenhar um papel nisso”, aponta a analista.

O fato é que ainda é cedo para avaliar o real potencial desse mercado. Mas, segundo Larissa, a certificação é uma espécie de confirmação de uma das principais avenidas de crescimento da Raízen. 

“À medida que a Raízen vai abrindo mais plantas e ganhando escala, esse produto vai ficando mais barato para ela produzir. Pode ser que com o tempo ele fique economicamente mais viável para os compradores. Nesse sentido, é muito positivo”, avalia.

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Empiricus Research prefere Cosan (CSAN3) à Raízen (RAIZ4)

As ações da Raízen (RAIZ4) não são recomendadas diretamente pela Empiricus Research. A analista explica que a preferência é o investimento via Cosan (CSAN3), co-controladora da sucroalcooleira, por dois motivos:

  1. Além da produção de etanol próprio e açúcar, a Raízen também fornece combustível para várias redes de postos no Brasil. “Esse é um mercado que está numa dinâmica competitiva super difícil, com o governo intervindo nos preços dos combustíveis, o que gera uma situação mercadológica muito desafiadora. Estar em Raízen significa estar muito exposto a esse mercado que tem uma concorrência desleal da Petrobras”, aponta.
  2. A Cosan negocia com um desconto de holding, segundo a analista, entre 20% e 30%. “A gente entende que um desconto na ordem de 15% seria mais razoável. À medida em que os outros negócios da Cosan vão ficando mais maduros, esse desconto deve diminuir com o tempo”, afirma.

Além disso, o investimento na Cosan garante exposição a todos os negócios da companhia e, muitos deles, estão em uma dinâmica conjuntural mais favorável que a Raízen.

“Tem a Compass, que é distribuidora de gás, um segmento mais resiliente, tem a Moove, distribuidora de lubrificantes, tem a Rumo, uma operadora ferroviária, também mais resiliente. Você fica exposto a um portfólio de negócios ligados ao setor de infraestrutura brasileiro, que deveria dar uma redução de volatilidade quando comparada à Raízen”, finaliza.

Confira abaixo a entrevista completa de Larissa Quaresma no Giro do Mercado: 

 

Jornalista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é editor do site da Empiricus. Contato: juan.rey@btgpactual.com.