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A SLC Agrícola (SLCE3) reportou resultados operacionais sólidos, dado o contexto do setor, com crescimento de receita e forte geração de caixa. Com um avanço importante de milho (volume e preço), além de caroço de algodão e rebanho bovino, a companhia apresentou um top-line robusto de R$ 2,3 bilhões, alta de +15% vs 4T24. Inclusive, o milho foi destaque positivo de produtividade com 8,3 mil kg/ha, acima das projeções da companhia e +27,8% acima da média do mercado.
Resultados por produto da SLC Agrícola
O recuo do resultado bruto de algodão (que tem maior representatividade para a companhia) foi mais do que compensado pela queda do custo unitário de soja e milho, e o lucro bruto ajustado alcançou R$ 828,7 milhões, crescimento de +14,8%, com margem estável em 36,5%.
Para a próxima safra, o milho deve continuar ajudando o consolidado, apesar de o impacto negativo de algodão continuar por conta do aumento de chuvas no período de plantio.
O aumento de despesas com frete e consultoria por conta das aquisições elevou a participação da linha sobre a receita em +1,7 p.p. Com ajustes dos ativos biológicos (sem efeito caixa) e gastos de M&A (não recorrente), o ebitda somou R$ 633,1 milhões com margem de 27,9% (+3,6% e -3 p.p. vs 4T24).
Na linha financeira, a valorização do real causou um efeito positivo, levando o resultado de -R$373,1 milhões no 4T24 para -R$ 355,9 milhões. No fim, a companhia mostrou um prejuízo de -R$ 70,8 milhões, em comparação a -R$51,4 milhões no 4T24.
Além do desempenho de milho, outro destaque positivo do trimestre foi a forte geração de caixa operacional que expandiu +5,2% na comparação anual, marcando R$ 736,4 milhões. Por outro lado, o caixa livre ajustado caiu -12%, para R$ 549,1 milhões, por conta dos investimentos em expansão, mesmo assim a alavancagem caiu de 2,34x no 3T25 para 1,97x dívida líquida/ebitda.
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Conflitos no Oriente, alta de fertilizantes: o que pode impactar a SLC em 2026?
Apesar de resultados melhores do que o esperado, possíveis efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio têm levantado preocupações sobre a tese. Na teleconferência de resultados, os executivos ressaltaram que a compra para a próxima safra não será realizada neste momento de instabilidade, e que a aquisição pode ser postergada até setembro, o que pode trazer alguma normalização de preços – algo parecido com o que ocorreu no conflito na Ucrânia.
Além disso, vale ressaltar que, assim como o preço dos fertilizantes aumentou, o preço dos grãos também tende a mostrar valorização, o que compensa em partes o efeito negativo – na verdade, isso já está acontecendo.
Para finalizar, sobre a escalada do preço de diesel, os executivos foram enfáticos em dizer que não observaram impactos na operação, e que possuem contratos diretos com as distribuidoras para reduzir esse efeito.
Expectativas para SLCE3
Para a safra 2025/2026, a companhia projeta um aumento de custos +9,2%, mas que tendem a ser compensados pelo aumento de produtividade do milho, além de uma possível redução da safra americana (que está mais exposta à escalada dos fertilizantes no curto prazo, dado o calendário de plantio).
Em um contexto setorial ainda difícil, com preços de grãos depreciados e custos em alta, SLC mostrou mais uma vez resultados sólidos, que evidenciam seus diferenciais competitivos. Por 6x lucros e 4,5x valor de firma/ebitda esperados para o ano, SLCE3 permanece com recomendação de compra.