O governo deve enfrentar, em breve, alguns debates acirrados no Senado Federal. Para evitar derrotas e/ou não contaminar o ambiente de votações na Casa, o Palácio do Planalto precisará mobilizar sua base política.
Na CPI da Pandemia, a expectativa é que o relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL) seja bastante negativo para o governo e, em especial, para o presidente Jair Bolsonaro. Aliados do presidente já antecipam que deverão apresentar um relatório alternativo. Entretanto, considerando que a ala independente tem se aliado à oposição, a expectativa é de que o relatório do senador seja aprovado.
É possível que Renan apresente um parecer recomendando a abertura de processo de impeachment contra Bolsonaro por crime de responsabilidade no combate à pandemia. Renan Calheiros também pode apontar crimes comuns e recomendar à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de inquérito contra o presidente.
Como o pedido de impeachment depende do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e um inquérito via PGR depende do procurador-geral, Augusto Aras, é pouco provável que essas sugestões avancem. Mas, de qualquer forma, alimentam um noticiário negativo para o governo.
Outro embate potencial será a análise do segundo indicado de Bolsonaro para o Supremo Tribunal Federal. Nunes Marques foi aprovado sem maiores dificuldades. Mas alguns senadores veem com ressalva a possível indicação de André Mendonça, advogado-geral da União, para o posto. A vaga no STF será aberta com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio, prevista para 5 de julho. Mendonça hoje é o favorito, mas, diante das resistências entre alguns senadores, Bolsonaro poderá escolher outro nome.
Outra indicação estratégica de Bolsonaro refere-se à vaga que se abrirá na PGR. O mandato de dois anos de Augusto Aras, que tomou posse em setembro de 2019, termina em setembro próximo. Jair Bolsonaro poderá indicá-lo para um novo mandato de dois anos. O encaminhamento que Aras eventualmente der ao relatório da CPI da Pandemia poderá impactar a análise de seu nome pelos senadores.
Além da coordenação política do governo, o desfecho dos temas acima mencionados dependerá do ritmo de vacinação no país e do andamento da economia. Apesar das dificuldades, o governo deve passar bem por tais desafios.