1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Newsletters

Criptomoedas: A semana em que Donald Trump fez o Bitcoin cair… e subir

Veja o que movimentou o mercado de criptomoedas na segunda edição da Crypto Pulse, a nova newsletter da Empiricus

Por Luis Kuniyoshi

25 jan 2026, 15:00

criptomoedas cripto bitcoin btc donald trump ibovespa

Caro leitor,

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sabe aquele momento quando tudo parece estar indo bem demais para ser verdade?

Pois é justamente a sensação que tínhamos na semana passada. O Bitcoin havia rompido a região de US$ 94 mil, sinalizando quebra de regime e início de uma tendência de alta mais consistente.

Até que… Donald Trump trouxe de volta um tema que assombra os mercados desde sua eleição: tarifas.

Nesta edição, vamos discutir essa dinâmica, entender como ela se manifestou nos mercados e por fim, abordar um dos maiores temores de quem acompanha cripto, um assunto que vai de conversas de bar a debates acadêmicos: computação quântica. Seria esse o Nêmesis irremediável dos criptoativos?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O que mexe com o preço do mercado?

Na última edição, havíamos elencado um conjunto de sinais técnicos e fundamentalistas que sugeriam um novo movimento de alta do Bitcoin, com o rompimento dos US$ 94 mil como a cereja do bolo.

Contudo, veio o plot twist…

No fim de semana, quando somente o mercado cripto está funcionando, o ruído sobre tarifas voltou com força. E o Bitcoin, que já é volátil por natureza, acabou absorvendo todo o nervosismo sozinho.

O resultado está expresso na imagem abaixo: devolveu parte dos ganhos e voltou para a casa dos US$ 90 mil. Por ora, nossa hipótese está invalidada até que se prove o contrário, isto é, até o BTC romper o teto do canal e começar a formar novamente fundos consecutivamente mais altos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fonte: Tradingview

Mas o que poderia fazê-lo recuperar o momentum? Para entender melhor as probabilidades, partimos para nossa análise macro, aproveitando para explorar o próprio catalisador dessa quebra de expectativa que foi apelidado como TACO trade. O interessante? Esse mesmo fator se dissipou na mesma velocidade em que apareceu.

Expresso Macro: a volta do TACO Trade

Desde que Trump assumiu a Casa Branca em 2025, um dos maiores temores do mercado tem sido a questão tarifária.

O padrão já ficou conhecido: ele solta uma declaração agressiva, o mercado entra em pânico, e depois… nada acontece. Ou melhor, ele recua. É o que o mercado apelidou carinhosamente de “TACO trade” (Trump Always Chickens Out – Trump sempre recua).

E foi isso que vimos nos últimos dias. No fim de semana, Trump anunciou que imporia tarifas adicionais de 10% sobre importações europeias. A reação foi imediata: ativos de risco despencaram, enquanto ouro, prata e Treasuries capturam o fluxo defensivo de quem corre para se proteger.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas, logo em seguida veio o terceiro ato, algo quase roteirizado. Em Davos, onde está acontecendo o Fórum Econômico Mundial, Trump teve uma reunião com o secretário-geral da OTAN e… recuou, dizendo que deixaria de implementar as medidas comerciais “prometidas”.

Ou seja, o ruído que derrubou o Bitcoin se dissipou tão rápido quanto apareceu. E isso nos leva a um ponto importante: o cenário macro segue o mesmo, construtivo.

O que bombou na semana

Computação quântica trará o fim do Bitcoin?!

Essa pergunta é um dos principais motivos pelos quais investidores se mantêm abstinentes de cripto, algo plausível, vez que estamos falando de uma tecnologia que poucos entendem, mas que age sob uma premissa clara: computação quântica madura o suficiente poderia desafiar a criptografia que hoje protege os criptoativos.

Esse é um risco tecnológico real, e seria desonesto ignorá-lo, no entanto, o consenso de quem estuda o tema é de que deve levar anos (possivelmente décadas) até que computadores quânticos estejam maduros o suficiente para quebrar a criptografia atual. Mas o timing exato é incerto e incerteza, para investidores conservadores, é motivo suficiente para ficar de fora.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O detalhe que muita gente ignora, porém, é que essa ameaça não é um meteoro inevitável caindo do espaço. Trata-se de um problema de engenharia, com plano de contingência. E justamente por ser um “elefante na sala”, o setor cripto se prepara há anos.

Um exemplo concreto veio agora, da Coinbase (maior corretora sediada nos EUA), que criou um Conselho Consultivo Independente sobre Computação Quântica e Blockchain, reunindo pesquisadores de ponta para: (i) mapear impactos potenciais nas blockchains; (ii) recomendar defesas e padrões de proteção criptográfica pós-quântica; (iii) reagir com agilidade caso haja um salto tecnológico inesperado.

Ou seja, um grande player institucional agindo como catalisador de pesquisas, cujo incentivo para “proteger” o setor é claro, o próprio business. Isso não é interessante somente pelo estudo de como contornar esse obstáculo, mas também traz confiança para quem olha de fora, uma vez que a corretora é amplamente reconhecida, como se fosse um “tem gente grande olhando pra isso”.

Por ora, portanto, o “risco quant” permanece em segundo plano no mercado. No curto prazo, quem dita o regime é o binômio macro e regulatório e é nele que se concentram os catalisadores mais imediatos para preço, fluxo e adoção, enquanto o tema quântico avança como agenda de preparação, não de urgência.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pra ficar de olho — Ativo da semana: Ethereum

Ethereum (ETH) consolidou-se como a principal infraestrutura para contratos inteligentes, sustentando o ecossistema DeFi e a maior fatia do volume de stablecoins em circulação. Isso o posicionou como a “blockchain institucional” — o ativo que ancora a infraestrutura onde o capital tradicional já está e para onde se direciona.

Um diferencial que frequentemente passa despercebido, Ethereum opera com coordenação superior a outras redes descentralizadas, incluindo Bitcoin. Conta com governança articulada e um roadmap público detalhado que inclui preparação para ameaças futuras como a computação quântica, tema central desta edição.

Com o avanço regulatório e a tokenização de ativos reais ganhando escala, Ethereum tende a manter-se como base principal para emissão e liquidação desses ativos on-chain.

Analista de criptomoedas na Empiricus Research.