Caro leitor,
Sabe aquele momento quando tudo parece estar indo bem demais para ser verdade?
Pois é justamente a sensação que tínhamos na semana passada. O Bitcoin havia rompido a região de US$ 94 mil, sinalizando quebra de regime e início de uma tendência de alta mais consistente.
Até que… Donald Trump trouxe de volta um tema que assombra os mercados desde sua eleição: tarifas.
Nesta edição, vamos discutir essa dinâmica, entender como ela se manifestou nos mercados e por fim, abordar um dos maiores temores de quem acompanha cripto, um assunto que vai de conversas de bar a debates acadêmicos: computação quântica. Seria esse o Nêmesis irremediável dos criptoativos?
O que mexe com o preço do mercado?
Na última edição, havíamos elencado um conjunto de sinais técnicos e fundamentalistas que sugeriam um novo movimento de alta do Bitcoin, com o rompimento dos US$ 94 mil como a cereja do bolo.
Contudo, veio o plot twist…
No fim de semana, quando somente o mercado cripto está funcionando, o ruído sobre tarifas voltou com força. E o Bitcoin, que já é volátil por natureza, acabou absorvendo todo o nervosismo sozinho.
O resultado está expresso na imagem abaixo: devolveu parte dos ganhos e voltou para a casa dos US$ 90 mil. Por ora, nossa hipótese está invalidada até que se prove o contrário, isto é, até o BTC romper o teto do canal e começar a formar novamente fundos consecutivamente mais altos.

Mas o que poderia fazê-lo recuperar o momentum? Para entender melhor as probabilidades, partimos para nossa análise macro, aproveitando para explorar o próprio catalisador dessa quebra de expectativa que foi apelidado como TACO trade. O interessante? Esse mesmo fator se dissipou na mesma velocidade em que apareceu.
Expresso Macro: a volta do TACO Trade
Desde que Trump assumiu a Casa Branca em 2025, um dos maiores temores do mercado tem sido a questão tarifária.
O padrão já ficou conhecido: ele solta uma declaração agressiva, o mercado entra em pânico, e depois… nada acontece. Ou melhor, ele recua. É o que o mercado apelidou carinhosamente de “TACO trade” (Trump Always Chickens Out – Trump sempre recua).
E foi isso que vimos nos últimos dias. No fim de semana, Trump anunciou que imporia tarifas adicionais de 10% sobre importações europeias. A reação foi imediata: ativos de risco despencaram, enquanto ouro, prata e Treasuries capturam o fluxo defensivo de quem corre para se proteger.
Mas, logo em seguida veio o terceiro ato, algo quase roteirizado. Em Davos, onde está acontecendo o Fórum Econômico Mundial, Trump teve uma reunião com o secretário-geral da OTAN e… recuou, dizendo que deixaria de implementar as medidas comerciais “prometidas”.
Ou seja, o ruído que derrubou o Bitcoin se dissipou tão rápido quanto apareceu. E isso nos leva a um ponto importante: o cenário macro segue o mesmo, construtivo.
O que bombou na semana
Computação quântica trará o fim do Bitcoin?!
Essa pergunta é um dos principais motivos pelos quais investidores se mantêm abstinentes de cripto, algo plausível, vez que estamos falando de uma tecnologia que poucos entendem, mas que age sob uma premissa clara: computação quântica madura o suficiente poderia desafiar a criptografia que hoje protege os criptoativos.
Esse é um risco tecnológico real, e seria desonesto ignorá-lo, no entanto, o consenso de quem estuda o tema é de que deve levar anos (possivelmente décadas) até que computadores quânticos estejam maduros o suficiente para quebrar a criptografia atual. Mas o timing exato é incerto e incerteza, para investidores conservadores, é motivo suficiente para ficar de fora.
O detalhe que muita gente ignora, porém, é que essa ameaça não é um meteoro inevitável caindo do espaço. Trata-se de um problema de engenharia, com plano de contingência. E justamente por ser um “elefante na sala”, o setor cripto se prepara há anos.
Um exemplo concreto veio agora, da Coinbase (maior corretora sediada nos EUA), que criou um Conselho Consultivo Independente sobre Computação Quântica e Blockchain, reunindo pesquisadores de ponta para: (i) mapear impactos potenciais nas blockchains; (ii) recomendar defesas e padrões de proteção criptográfica pós-quântica; (iii) reagir com agilidade caso haja um salto tecnológico inesperado.
Ou seja, um grande player institucional agindo como catalisador de pesquisas, cujo incentivo para “proteger” o setor é claro, o próprio business. Isso não é interessante somente pelo estudo de como contornar esse obstáculo, mas também traz confiança para quem olha de fora, uma vez que a corretora é amplamente reconhecida, como se fosse um “tem gente grande olhando pra isso”.
Por ora, portanto, o “risco quant” permanece em segundo plano no mercado. No curto prazo, quem dita o regime é o binômio macro e regulatório e é nele que se concentram os catalisadores mais imediatos para preço, fluxo e adoção, enquanto o tema quântico avança como agenda de preparação, não de urgência.
Pra ficar de olho — Ativo da semana: Ethereum
Ethereum (ETH) consolidou-se como a principal infraestrutura para contratos inteligentes, sustentando o ecossistema DeFi e a maior fatia do volume de stablecoins em circulação. Isso o posicionou como a “blockchain institucional” — o ativo que ancora a infraestrutura onde o capital tradicional já está e para onde se direciona.
Um diferencial que frequentemente passa despercebido, Ethereum opera com coordenação superior a outras redes descentralizadas, incluindo Bitcoin. Conta com governança articulada e um roadmap público detalhado que inclui preparação para ameaças futuras como a computação quântica, tema central desta edição.
Com o avanço regulatório e a tokenização de ativos reais ganhando escala, Ethereum tende a manter-se como base principal para emissão e liquidação desses ativos on-chain.