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No ano de 1453, Constantinopla, a capital do Império Bizantino, parecia impossível de cair. Muralhas gigantescas, mil anos de defesas intactas. Até que surgiram os canhões — um novo tipo de arma que tornou as muralhas irrelevantes.
Hoje, algo parecido pode estar acontecendo no setor de softwares (SaaS).
Depois de duas décadas crescendo sob o modelo tradicional — cobrar por “assento” de funcionário usando SaaS —, o mercado começa a perceber que agentes de inteligência artificial (IA) podem substituir grande parte desse modelo.
Se um agente de IA consegue gerenciar vendas, marketing, backoffice e análise de dados sozinho, a lógica de pagar centenas de dólares por usuário começa a ruir.
Não à toa, o setor já perdeu cerca de US$ 2 trilhões em valor, e sofreu uma das maiores quedas fora de períodos recessivos em décadas.
Enquanto grande parte das empresas corre para adicionar IA em cima de produtos antigos, uma companhia em especial parece ter sido construída desde o início para esse novo paradigma: a Palantir.
Fundada após o 11 de setembro, a Palantir nasceu para resolver um problema que parecia impossível: conectar dados isolados da CIA, FBI, NSA e outras agências para identificar padrões invisíveis.
Ao longo de 20 anos, construiu um ecossistema difícil de replicar, com plataformas como Gotham (defesa e inteligência), Foundry (ambiente corporativo), Apollo (infraestrutura de deploy), e o AIP, que conecta modelos de IA diretamente às operações reais das empresas.
O diferencial não está apenas em analisar dados, mas em criar uma “ontologia”: um sistema que entende como a empresa funciona na prática, permitindo que agentes de IA não só pensem, mas executem ações dentro dos sistemas.
Essa integração profunda cria barreiras de saída enormes e uma vantagem competitiva difícil de copiar. Ainda assim, vale o alerta: o mercado já precificou boa parte desse potencial, e os múltiplos atuais da companhia seguem bastante esticados, exigindo uma execução quase perfeita para justificar o valuation.
No fundo, o que está em jogo aqui não é apenas uma empresa específica, mas uma mudança estrutural: softwares tradicionais podem virar as novas muralhas teodosianas de Constantinopla. E a IA, um canhão.
E acho que isso tem respingado, sim, no setor de criptomoedas — mas essa é uma outra discussão mais profunda.
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O que aguardar nesta semana
Lembram quando a Coinbase retirou apoio ao CLARITY Act, e tudo travou? Agora, parece que a Casa Branca está tentando destravar o jogo novamente.
O governo definiu o dia 1º de março como prazo para avançar no impasse das stablecoins e tentar empurrar o projeto de lei.
Se sair, pode abrir ainda mais espaço para que o capital institucional entre no mercado de criptomoedas dos EUA — além de reduzir o risco de um novo cenário regulatório, estilo “Gary Gensler 2.0”.
Olhando para a a parte macro da semana nos EUA, temos:
- Pedidos iniciais de seguro-desemprego (quinta-feira): leitura importante sobre desaceleração econômica;
- PPI de janeiro (sexta-feira): inflação no atacado, impacto direto nas expectativas de juros.
Para finalizar, teremos a divulgação dos resultados de Nvidia, na próxima quarta-feira (25). O consenso espera números fortes.
Mas aqui vai o detalhe que o mercado já mostrou antes: bater as expectativas não garante alta.
Da última vez, a empresa entregou resultados absurdos — e mesmo assim o papel caiu. Por quê?
Porque o mercado não negocia o presente, mas sim o quanto você supera uma expectativa que já está esticada ao extremo.
Variações semanais (09/02/26 a 23/02/26)
- ₿ Bitcoin (BTC): US$ 64.000 | Var. -8,57%
- ♦ Ethereum (ETH): US$ 1.850 | Var.-12,03%
- 🟠 Dominância Bitcoin: 58,45% | Var. -1,33%
- 🌐 Valor total do mercado cripto: US$ 2,19 tri | Var. -16,41%
- 💵 Valor de mercado de stablecoins: US$ 308,815 bi | Var. +0,38%
- 📊 Valor total travado (TVL) em DeFi: US$ 90,098 bi | Var.-8,80%
*dados referentes ao fechamento em 23/02/26
Tópicos da semana
- Vitalik Buterin vendeu mais de US$ 8 milhões em ETH recentemente: isso soma cerca de US$ 15 milhões em vendas no mês, para financiar novos projetos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento do ecossistema, enquanto afirma que o Ethereum pode entrar em um período de “austeridade” nos próximos anos para atingir seus objetivos de longo prazo. As vendas acontecem em meio à queda acentuada do ETH, que já recuou mais de 60% desde o topo, refletindo a fraqueza geral do mercado cripto. Apesar disso, investidores institucionais e nomes relevantes do setor seguem aumentando exposição, apostando em narrativas como tokenização de ativos de Wall Street, uso de IA, e o papel do Ethereum como infraestrutura neutra e escalável no futuro financeiro digital.
- Por que o TradFi está comprando tokens DeFi: a BlackRock adquiriu UNI, a Citadel comprou ZRO, e a Apollo firmou acordo para adquirir até 90 milhões de tokens MORPHO (9% da oferta). Investidores descrevem essas compras como “alinhamento de fornecedor”, não necessariamente alocação de portfólio — já que empresas tokenizando produtos precisam de infraestrutura DeFi para distribuição. Mudanças regulatórias (revogação do SAB 121, SEC encerrando investigações sobre Uniswap e Aave, avanço do GENIUS Act e nova taxonomia de tokens) ajudam a sustentar o movimento. Mesmo assim, os preços dos tokens seguem fracos, enquanto investidores aguardam captura real de receita pelos protocolos. Catalisadores potenciais incluem fee switch, redução de unlocks, aprovação do CLARITY Act e possíveis ETFs de DeFi.
- Stablecoins podem criar US$ 1 trilhão em nova demanda por T-Bills até 2028: O Standard Chartered projeta que o market cap das stablecoins pode chegar a US$ 2 trilhões até 2028, gerando até US$ 1 trilhão em nova demanda por Treasury Bills (títulos públicos dos EUA) de curto prazo, à medida que emissores regulados acumulam ativos líquidos de alta qualidade sob estruturas como o GENIUS Act. Se isso acontecer, o Tesouro norte-americano poderia migrar emissões para títulos curtos, e até suspender leilões de bonds de 30 anos por até três anos.
Gráfico da semana

Nessa semana, viralizou um artigo publicado pelo Citrini Research no Substack, chamado “The 2028 Intelligence Crisis”, em que foi feito um exercício especulativo para explorar diferentes cenários do que poderia acontecer até 2028 com o avanço acelerado da inteligência artificial (IA).
No texto, há um cenário hipotético em que agentes de IA autônomos transformam radicalmente a economia, levando a uma forte queda do S&P 500 (de cerca de 38%), e a um aumento do desemprego nos EUA para 10,2%, como consequência da substituição em massa do trabalho humano por sistemas automatizados.
O gráfico acima ajuda a contextualizar essas preocupações, ao mostrar como a capacidade dos modelos de IA vem aumentando rapidamente ao longo do tempo: modelos que antes só conseguiam tarefas de minutos, agora são medidos com autonomia contínua de horas, dias e, nos sistemas mais avançados, até semanas de trabalho com sucesso consistente.
Esse avanço gradual em direção à chamada “autonomia multi-week” sugere que, se a tendência continuar, veremos agentes capazes de completar projetos cada vez mais complexos sem intervenção humana.
Bitcoin caiu e o mercado entrou em pânico, mas o institucional está comprando?
Neste episódio do Crypto Never Sleeps, Tasso Lago explica o que aconteceu no “dia 10/10”, se US$ 60 mil foi o fundo para o bitcoin (BTC), e onde estão as oportunidades do próximo ciclo.
Assista esse episódio aqui e tire suas conclusões!
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Este conteúdo é apenas informativo e tem como objetivo compartilhar insights e análises sobre o mercado. Não constitui recomendação de investimento, e qualquer decisão financeira deve ser feita com base em sua própria análise e, preferencialmente, com o apoio de profissionais qualificados.