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Day One

It’s value time

“A Bolsa brasileira teve um ótimo janeiro. No mês, o Ibovespa subiu 7%, maior alta desde dezembro de 2020 […]”.

Por Larissa Quaresma, CFA

01 fev 2022, 11:17

A Bolsa brasileira teve um ótimo janeiro. No mês, o Ibovespa subiu 7%, maior alta desde dezembro de 2020. O investidor afobado já pularia para a conclusão de que agora é a vez da nossa Bolsa e sairia comprando tudo a torto e a direito. Se você entrar nos ativos errados, provavelmente perderá dinheiro, independentemente do momento macroeconômico.

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A alta de janeiro tem algumas explicações. A primeira é a enxurrada de capital estrangeiro: foram US$ 4,5 bilhões injetados na B3 no mês, um terço do que entrou no ano passado inteiro. A segunda é um movimento de compras de oportunidade, dado que a Bolsa brasileira, já precificando a alta de juros aqui, ficou barata demais. Um símbolo dessa segunda explicação foi a abertura da Dynamo para captação nos últimos dias, com esgotamento da capacidade reservada a cotistas atuais em menos de três minutos. Antes dessa abertura, a última havia sido no final de março de 2020, um belo momento para comprar Bolsa brasileira.

Por outro lado, o fluxo estrangeiro enfraqueceu o dólar no mês, o que penalizou um pouco algumas exportadoras. Ainda assim, a temática que observamos nos últimos seis meses, de saída das empresas de crescimento em direção às de valor, se manteve: as ações irracionalmente caras caíram mais que o Ibovespa; as baratas, subiram mais. B3, cuja cotação havia sido duramente penalizada pela alta dos juros, subiu 32% no mês, a maior alta do índice. Bradesco, o banco mais barato dentre os grandes privados, subiu 19%. A baixa mais intensa, por outro lado, foi Locaweb, que negociava a múltiplos (muito) ricos e viu sua cotação cair 22% no mês. Alpargatas, a mais cara do varejo de moda brasileiro, derreteu 21%.

Ainda assim, as empresas penalizadas no mês continuam caras. Locaweb negocia a mais de 5.000 vezes seu lucro projetado para os próximos 12 meses (sim, cinco mil). Alpargatas, a mais de 15 vezes o Ebitda estimado para este ano.

O prognóstico para a trajetória dos juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, tende a reforçar essa dinâmica nos próximos meses. A inflação brasileira, cujos dados têm persistentemente indicado um estouro cada vez maior da meta de preços, não deve dar trégua para a Selic. O nosso Banco Central, cujo principal objetivo é atingir a meta de inflação, é (corretamente) implacável no seu dever, o que significa que o ciclo de aperto monetário deve extrapolar 2022. Isso significa mais altas da Selic a perder de vista. Já o Fed (banco central americano), também vendo os preços subirem demais na sua economia, sinalizou que deve seguir o mesmo caminho. A última reunião do Fomc (espécie de Copom americano) eliminou as últimas dúvidas que ainda haviam: os dirigentes da instituição disseram que os juros devem subir “em breve”, possivelmente já na próxima reunião.

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Juro mais alto significa custo de oportunidade maior para o investidor, que tende a continuar cada vez mais seletivo com os nomes que escolhe para compor sua carteira. Esse fluxo, então, perpetua a dinâmica de rotação: menos “growth” e mais “value”.

Essa conjuntura, embora trágica para determinadas ações, abre uma miríade de oportunidades para o investidor de Bolsa. “It’s value time”, hora de comprar empresas baratas. Também, há oportunidades interessantes para construir posições vendidas, mas escolhidas a dedo, uma estratégia que tem rendido seus frutos na Carteira Empiricus. Essa última tática deve ser usada somente por aqueles que têm estômago para aguentar a volatilidade.

A seletividade, como sempre foi, continua sendo uma das melhores aliadas do investidor. Compre o papel de valor errado e verá seu patrimônio ruir; venda a empresa merecidamente cara, idem. A pesquisa com lupa é um dever inescapável do investidor, do contrário, qual seria a diferença entre investir em ações e gastar num cassino? Em ambos os casos, sua chance de perder dinheiro é altíssima. Infelizmente, o dono do cassino está sempre contra você — e qualquer paralelo com o mercado não é mera coincidência. É preciso trabalho e diligência para fazer as boas jogadas.

Se tem uma mensagem que eu gostaria que você levasse com você hoje, é esta: “It’s value time, baby”. Aproveite as oportunidades.

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Um abraço,
Larissa

Analista de ações há 10 anos, é responsável pela série As Melhores Ações da Bolsa e pela carteira mensal Empiricus 10 Ideias, além de integrar a equipe da Carteira Empiricus, o portfólio multimercado da casa. Ao longo da carreira, teve passagens pela Núcleo Capital, tradicional fundo de ações brasileiro, e pelo Credit Suisse. Administradora formada pelo Ibmec-MG, aluna visitante da Stanford University e com certificações CFA, CNPI e CGA.