“Papai, ele é do bem ou do mal?”
Se você é pai ou mãe, invariavelmente já deve ter ouvido tal questionamento.
Seja ao iniciar um filme, um programa de televisão, um livro ou qualquer história com personagens, crianças têm a necessidade de colocar os protagonistas nas devidas caixinhas dos heróis e vilões.
Reduzir a complexidade humana à unidimensionalidade do bom contra o mau ajuda os pequenos a preverem as ações envolvidas na trama, auxiliando na antecipação dos acontecimentos.
Autores infantis apresentam as pistas da natureza dos personagens e cabe às crianças ir montando o divertido quebra-cabeça para entender quem é quem no desenrolar da narrativa.
Quando ainda em dúvida, os pequenos conferem com os adultos se suas impressões estão corretas e daí vem a pergunta se tal personagem é do bem ou do mal.
Com o passar do anos, crianças mais maduras rejeitam pistas óbvias por tirarem a “graça” da descoberta.
E, aos poucos, nós, pais, vamos perdendo o posto de árbitros das intenções dos personagens que acompanhamos em família.
Em algum momento em nossa história recente, a sociedade se infantilizou, reduzindo a um mínimo denominador comum o entendimento dos que nos cercam.
Reagindo contra o relativismo e o niilismo do pós-moderno e a desintegração da moral, passamos a encaixar tudo e todos nas caixinhas do certo versus o errado.
Como resultado, passamos a nos identificar com tribos que compartilham da mesma cartilha de valores.
Viramos todos membros de torcidas organizadas nas quais a aniquilação do adversário é o objetivo a ser atingido.
As redes sociais foram o instrumental para a polarização que vivemos.
Os algoritmos das plataformas cumprem sua missão de continuar mostrando aquilo que desejamos ver e receber.
Seguimos aqueles com os quais concordamos, pedalando a espiral da autoconfirmação.
E, assim, viramos todos fascistas, comunistas, machistas, feministas, homofóbicos, pervertidos, minions, petralhas, e por aí vai.
Nada escapa da escalada do fanatismo.
Nem mesmo a complexidade do mundo de investimentos vem escapando da banalização tribal.
Estamos agora infestados por torcedores de mercado.
Não se respeita a opinião do outro, não há espaço para debate, muito menos o contraditório.
Se o Felipe Miranda está preocupado com as perspectivas econômicas para o Brasil, é natural que recomende aos nossos assinantes cautela.
E, caso surjam evidências que contribuam para uma nova avaliação do cenário atual, nada mais natural que o Felipe, ou qualquer analista sério, reformule sua opinião.
Tão chatos quanto os pseudoespecialistas de futebol que querem sistematizar o que se passa nas quatro linhas são os torcedores do mercado que reduzem a jargões e memes a análise de investimentos.
Deixo você agora com os destaques da semana.
Boa leitura e um abraço,
Caio