1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Empiricus 24/7

Investindo na crise

Enquanto lamentamos nossa sorte, há algo acontecendo mais ao sul que começa a chamar atenção.

Por Caio Mesquita

02 dez 2024, 10:41

Atualizado em 06 dez 2024, 10:59

investindo em crise

Imagem: iStock.com/Naypong

O povo está certo, o brasileiro realmente não tem um dia de paz. Após tanta hesitação do governo em apresentar medidas concretas para equilibrar as contas públicas, o governo soltou um pacote torto, combinando cortes com renúncias fiscais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Como disse André Esteves, chairman do BTG Pactual, “saudades dos tempos em que o anúncio do pacote de cortes de gastos era adiado todo dia…”.

A reação ao desastrado anúncio não poderia ter sido pior. Com baixa liquidez por conta do feriado americano de Thanksgiving, nossa bolsa derreteu, o dólar subiu e os juros futuros dispararam.

Diante desse cenário desolador, com o País caminhando para o impasse e com um governo jogando contra, fica difícil encontrar algum tipo de consolação.

Enquanto lamentamos nossa sorte, há algo acontecendo mais ao sul que começa a chamar atenção.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em poucos meses no poder, Javier Milei, o presidente da Argentina, já deu passos firmes para colocar o país no caminho da recuperação.

Enfrentando o espectro da hiperinflação e um histórico de políticas econômicas mais que desastrosas, Milei tem implementado reformas profundas com uma determinação rara.
Resultado: em um curto período, a Argentina começou a restaurar a confiança de investidores globais e reverter parte da descrença que há anos define sua economia.

O contraste é gritante. Enquanto Milei age com rapidez para reverter décadas de desordem econômica, o Brasil parece paralisado, preso em debates intermináveis e decisões adiadas. O resultado é que, enquanto a Argentina começa a se reposicionar como um destino atrativo para investimentos, o Brasil afunda em um ciclo de pessimismo, com expectativas que só pioram a cada semana.

Em momentos assim terminamos esquecendo o conselho do Barão de Rothschild, e vendemos ao som dos canhões, realizando prejuízos que dificilmente serão recuperados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Basta passar os olhos pelas telas, porém, para perceber o que está acontecendo. Empresas resilientes, com fundamentos sólidos e boa gestão, estão sendo punidas de forma desproporcional em função de um pessimismo generalizado. Essas assimetrias criam uma oportunidade rara para o investidor estratégico. O risco percebido está precificado; o retorno potencial, não.

Histórias de sucesso nos investimentos quase sempre começam em momentos como esse. Quando a maioria recua, é a coragem de se posicionar que faz a diferença. Claro, não é uma questão de ignorar os riscos, mas de reconhecer que períodos ruins não duram para sempre e que o mercado recompensa quem tem paciência e visão de longo prazo.

É verdade que o Brasil enfrenta desafios profundos. Nossa economia cresce a passos lentos, e o ambiente regulatório continua complicado. Mas economias são cíclicas, e a história mostra que longos períodos de dificuldade frequentemente precedem momentos de recuperação significativa. A maré vira, cedo ou tarde.

Além disso, a incerteza política também traz oportunidades. Se o cenário global continuar favorecendo a ascensão de governos mais alinhados ao mercado — como temos visto em outros países, incluindo a Argentina —, o Brasil pode seguir esse caminho. Aqueles que se posicionarem antes poderão capturar os ganhos de uma recuperação. Não é uma questão de “se”, mas “quando“.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quem acreditou nas ações argentinas este ano acumula um ganho de 65% em dólares, contra uma perda de 25% na bolsa brasileira, também em dólares.

O maior risco hoje talvez seja justamente em ficar de fora. Perder o momento em que as assimetrias estão a favor do investidor é muitas vezes mais caro do que suportar a volatilidade no curto prazo. Como dizia Warren Buffett, “o mercado é um mecanismo que transfere dinheiro dos impacientes para os pacientes”. E isso nunca foi tão verdade quanto agora.

Olhando para o cenário atual, a pergunta não é se devemos agir, mas onde e como. Este é o momento de olhar para ativos descontados, empresas com boa gestão e setores resilientes. É também o momento de diversificar, para proteger o portfólio e estar pronto para capturar as oportunidades que surgem quando o ciclo muda.

Como em outras crises, os mais atentos sairão fortalecidos. O mercado castiga a hesitação e recompensa a coragem, desde que ela venha acompanhada de estratégia. E, por mais que o presente pareça incerto, uma coisa é clara: o futuro pertence a quem sabe plantar nas tempestades.