Jogadas de abertura

O “Queen’s Gambit” é uma abertura clássica no xadrez. Ao avançar os peões posicionados à frente da dama e do bispo, as brancas liberam a movimentação dessas duas importantes peças, iniciando a partida de forma agressiva.
Jogadas de abertura

O “Queen’s Gambit” é uma abertura clássica no xadrez.

Ao avançar os peões posicionados à frente da dama e do bispo, as brancas liberam a movimentação dessas duas importantes peças, iniciando a partida de forma agressiva.

Normalmente, um peão branco termina sendo sacrificado, mas a posição mais avançada da dama permite um rápido contra-ataque.

A jogada também dá nome à popular série da Netflix que retrata a trajetória da enxadrista Beth Harmon, personagem fictícia, mas inspirada no mestre americano Bobby Fischer, sensação do esporte nas décadas de 1960 e 1970.

 Fischer conseguiu proeminência em um período em que os soviéticos dominavam a modalidade, no auge da Guerra Fria.

“O Gambito da Rainha”, tradução do título original para o português, terminou sendo uma forçação de barra, já que, por aqui, a jogada é chamada de “o gambito da dama”, em referência ao nome da peça mais poderosa do xadrez.

De qualquer forma, a série é ótima. Se você ainda não viu, recomendo fortemente que o faça, independentemente de sua familiaridade com o jogo.

Eu mesmo sou um conhecedor bastante superficial do xadrez. Joguei um pouco na infância e minhas habilidades se restringem a movimentar as peças conforme as regras, e só. Na época, o brasileiro Mequinho conseguiu algum destaque internacional, o que inspirou toda uma geração a testar seu talento no tabuleiro.

Mesmo sem ter jogado xadrez há décadas, não pude deixar de me entusiasmar com o desenrolar da trama, especialmente nas cenas envolvendo os embates da protagonista.

Animado com as aventuras de Beth Harmon, terminei me aventurando na internet, buscando sites sobre o esporte e assistindo a vídeos de alguns especialistas. 

É chover no molhado discorrer sobre a natureza estratégica do jogo. Inúmeros cenários são contemplados a cada jogada, exigindo uma capacidade de processamento que restringe aos superdotados a possibilidade de sucesso na modalidade.

Voltando ao título da série, chamou-me a atenção a importância das jogadas de abertura.

Abertura italiana, defesa siciliana, defesa francesa, Ruy López, defesa eslava, além do gambito da dama, são apenas alguns exemplos de uma diversidade de maneiras de iniciar a partida, e que devem ser meticulosamente estudadas por quem se interessa por xadrez.

Parece ser contraintuitivo que se dedique tanto esforço nos primeiros dois ou três lances, já que partidas normalmente envolvem quase uma centena de movimentações.

Pensando no nosso esporte mais popular, não devotamos os mesmos esforços para o desenvolvimento de estratégias para o início de uma partida de futebol. Basicamente, colocamos a bola para rolar e aí as jogadas vão aparecendo. 

Continuando nesta comparação, enquanto o futebol e muitos esportes combinam momentos marcantes com jogadas de pouco destaque, no xadrez todos os lances importam e têm impacto no desenrolar da trama.

Ampliando a analogia, para imaginar nossas vidas como um jogo de xadrez, teríamos que identificar os pontos cruciais de nossa trajetória, organizá-los em sequência e desprezar todo o resto.

O desafio, e o que torna a vida essa viagem alucinante, é que só conheceremos a posteriori o que realmente fez a diferença em nossos destinos, conectando os pontos, como disse uma vez Steve Jobs.

Em meados de 2009, ao conhecer o Felipe e o Rodolfo, respectivamente, num café próximo à Av. Berrini e num restaurante japonês na Rua dos Pinheiros, movimentei as primeiras peças numa partida de xadrez que já dura 11 anos.

Muito diferente dos mestres, não antecipava a importância desses encontros para nossas vidas. 

Nesta mais de uma década, impactamos positivamente a vida financeira de centenas de milhares de pessoas, trazendo ideias de investimento de valor em um modelo independente e livre de conflitos.

Na semana que vem, compartilharemos a celebração deste longo jogo de xadrez — cujo lance mais recente foi a criação da Universa —, realizando o maior evento de nossa história, o Investidor 3.0.

Será uma oportunidade única para conversarmos com Paulo Guedes, Abilio Diniz, Sérgio Rial, Gilson Finkelsztain, Rodrigo Xavier, Eduardo Giannetti, Luiz Felipe Pondé, entre outros.

Estarei lá, com o meu colega Patrick O’Grady, CEO da Vitreo, conversando sobre os unicórnios brasileiros com o jornalista Daniel Bergamasco, autor do livro “Da Ideia ao Bilhão”. 

Aguardo você por lá.

Deixo você agora com os destaques da semana.

Boa leitura e um abraço, 

Caio