Limparam os porcos

Caso você não seja um novato no mercado, certamente recorda-se da crise dos PIGS. Em 2010, nosso primeiro ano completo de Empiricus, os problemas enfrentados pelos países do sul da Europa contaminavam os mercados, repercutindo inclusive por aqui. 
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Caso você não seja um novato no mercado, certamente recorda-se da crise dos PIGS.

Em 2010, nosso primeiro ano completo de Empiricus, os problemas enfrentados pelos países do sul da Europa contaminavam os mercados, repercutindo inclusive por aqui. 

Na esteira da crise provocada pelo colapso da quebra do Lehman Brothers em 2008, os países da periferia europeia passaram a enfrentar dificuldades em rolar suas dívidas. Os crescentes déficits fiscais públicos, gerados por políticas fiscais lenientes, apontavam para níveis de endividamento público elevados. Consequentemente, credores passaram a exigir taxas de juros cada vez maiores para carregar os títulos soberanos.

A Grécia, o G do acrônimo, era o paciente mais crítico. No pico, os bonds gregos de dez anos chegaram a ser negociados a 35% de yield (em euros). Tal taxa precificava uma probabilidade tangível de calote, uma possibilidade palpável dentro do caos social instalado no país.

Itália, Espanha e Portugal seguiam trajetórias semelhantes, fomentando temores de que o sonho de uma Europa unida poderia esfacelar-se. Alguns já traçavam cenários em que seriam reintroduzidas as moedas históricas — lira, peseta e escudo —, talvez a única solução para o resgate.

Para complicar ainda mais o cenário delicado, governos de esquerda saíam vitoriosos nos pleitos eleitorais, capitalizando o sentimento de desconsolo das populações afetadas pela incerteza.

Ainda que o colapso tenha sido evitado, as consequências da crise duraram anos. Acompanhei de perto a situação em Portugal, já que à época tínhamos uma filial por lá.

Um programa de resgate com medidas de ajuste foi posto em prática, forçado goela abaixo no governo português pela chamada Troika, grupo de resgate formado pela Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu. O esforço fiscal foi sendo (parcialmente) implementado pela coalizão liderada pelo Partido Socialista Português, sem muita convicção. 

Bem, passada uma década deste cenário apocalíptico, tudo mudou para os que já foram chamados de “porcos”.

As taxas dos títulos de dez anos de Itália, Portugal e Espanha entraram em território negativo, ou seja, investidores estão pagando para os Tesouros desses países guardarem o dinheiro.

Até a Grécia, antes um pária no mercado de capitais, passou a ser bem recebida pelos investidores. Seus títulos de dez anos pagam menos que 0,6% ao ano, uma taxa inferior às negociadas por títulos do Tesouro americano de prazo equivalente.

Inacreditável! 

É verdade que houve um esforço rumo ao equilíbrio financeiro entre esses países. Apesar de ainda altamente endividados, pelo menos não se vislumbra mais uma trajetória explosiva da dívida. Contudo, o que realmente tem causado a dramática queda nas taxas é a enxurrada monetária derramada pelo BCE, especialmente como resposta à recessão econômica causada pela pandemia.

O cenário global atual de juros baixos parece ser uma realidade sem perspectiva de reversão.

Carentes de retorno, investidores do mundo todo estão quebrando o equilíbrio da alocação clássica de 60% em renda variável e 40% em renda fixa, já que a última não oferece mais retorno.

Os recordes recentes nos índices bursáteis norte-americanos demonstram o tamanho do apetite por ativos de risco. Adicionalmente, também entram no radar outras classes alternativas de ativos. 

Aqui chamo atenção para as criptomoedas, especialmente para o seu carro-chefe, o bitcoin.

Como em tudo que está relacionado a tecnologia, este ano houve um importante avanço na adoção de moedas digitais como um meio de pagamento, assim como reserva de valor.

Os recordes nas cotações do bitcoin são a demonstração de que, gradualmente, o mainstream começa a olhar com mais interesse para o ativo. Apesar disso, ainda há os que desconfiam. Caso você seja um deles, recomendo fortemente que assista a esta entrevista com o nosso especialista em cripto, André Franco. 

Uma maneira simples de se expor a essa interessante nova classe de ativo, com alto potencial de valorização, é o fundo Vitreo CriptoMoedas, inspirado nas recomendações do André. Confira.

Deixo você agora com os destaques da semana.

Boa leitura e um abraço,
Caio

P.S.: A Empiricus, a maior plataforma digital de conteúdos do Brasil, também é referência em marketing digital. Aprenda a impulsionar os seus negócios no Instagram com o nosso especialista em redes sociais, Julio Pacheco.