Fiquei em casa esta semana. Sem ir ao escritório, cumpri minhas obrigações virtualmente, do meu gabinete doméstico.
Tivemos um caso positivo na semana passada na Empiricus. E foi justamente com um de nossos colaboradores que mais interagem com representantes de outras áreas. Eu mesmo estive com ele em uma reunião, da qual participaram vários sócios da Empiricus.
Seguindo o protocolo, mapeamos as pessoas que tiveram contato, solicitando que ficassem em casa até que recebessem os respectivos resultados do exame molecular (RT-PCR).
Ainda não recebi o resultado do meu teste no momento em que redijo esta newsletter. Sigo sem sintomas, felizmente, tal qual os outros membros afastados do time da Empiricus.
Realizei o meu exame em uma unidade de uma grande rede de laboratórios. A coleta foi feita no esquema drive-thru, ou seja, nem precisei sair do carro.
Ao confirmar meus dados na entrada, o atendente reconheceu meu e-mail @empiriucs e perguntou se eu trabalhava na empresa. Com minha confirmação, identificou-se como nosso assinante e aproveitou para elogiar as orientações que vem recebendo dentro da série Jornada da Liberdade Financeira da Bettina.
Simpático e falante, meu interlocutor aproveitou para perguntar o que eu estava achando da Bolsa, e pediu que eu explicasse o porquê da valorização recente diante da permanência da pandemia em níveis elevados.
“É muito dinheiro, meu caro”, respondi. E ilustrei sucintamente o impacto da enorme liquidez sobre os ativos de risco.
Usei a analogia da maré subindo e como o aumento do nível da água eleva a posição das embarcações posicionadas sobre a superfície.
Enquanto ilustrava meus argumentos, veio-me a memória de nossa última viagem pré-pandemia, quando passamos a semana de Carnaval no sul da Bahia, no vilarejo de Santo André, que serviu de base à seleção de futebol alemã na Copa de 2014.
O trajeto para chegar lá iniciava-se em um transfer do aeroporto de Porto Seguro. De lá, depois de alcançar a balsa de Santa Cruz Cabrália, havia uma travessia de cerca de 15 minutos até o desembarque em Santo André.
Meus filhos se divertiram ao notar que os mesmos barcos que estavam encalhados em bancos de areia em nossa ida, flutuavam sobre águas mansas em nossa volta. Melhor ilustração para explicar o impacto das marés impossível.

Faltou o registo dos barcos encalhados…
Da mesma forma, os trilhões de dólares injetados nas economias mundiais como resposta à paralisia das medidas de distanciamento fluem livremente para os ativos financeiros e reais, sustentando sua valorização.
Como o Felipe explicou em seu Day One de quarta-feira, já vivemos uma realidade inflacionária. A inflação não chega aos preço de bens e serviços por conta de fatores estruturais (tecnologia e demografia) e conjunturais (altos níveis de ociosidade). Há, entretanto, claros sinais de inflação de preços em ações, commodities, criptomoedas e mesmo imóveis.
Não há por que se esperar um refluxo na maré de liquidez dentro de um futuro próximo. Tudo indica que as autoridades monetárias seguirão bombando dinheiro até a superação da pandemia, que provavelmente virá com a disponibilização em massa de vacinas.
Aqui no Brasil, a pandemia acelerou o processo de redução da taxa básica de juros, deixando para a história a nossa posição de paraíso dos rentistas. Como consequência, além de um dólar mais alto, observamos uma massiva migração de recursos, tanto de indivíduos como de instituições, para ativos de maior risco e, portanto, de maior potencial de valorização.
Os quase 3 milhões de CPFs na B3 são um exemplo claro desse processo.
Assim vamos acompanhando este inacreditável 2020.
Não se pode descartar uma Bolsa fechando o ano em níveis acima dos verificados no início da janeiro. Nos EUA, o S&P 500 já recuperou todas as perdas de 2020, enquanto o Nasdaq, com seu forte componente de ações de tecnologia, já tem uma valorização de dois dígitos no ano.
Deixo você agora com os destaques da semana.
Boa leitura e um abraço,
Caio