Diante da vertiginosa volta das Bolsas nas últimas três semanas, um amigo veterano de mercado brincou em nosso encontro no Zoom: “Discutiam se a recuperação seria em ‘V’ ou em ‘L’. Ao final, parece que vai ser em ‘I’”.
Os indicadores da recuperação impressionam.
Como o Falcon 9 de Elon Musk, o índice Dow Jones decolou para uma alta de 40% em relação a sua mínima no ano. Está a apenas 2.500 pontos do seu recorde histórico do fim de 2019. Ainda melhor, o Nasdaq, índice das empresas de tecnologia americanas, já empatou com o seu próprio recorde.
Por aqui, o nosso Ibovespa sobe cerca de 50% desde sua mínima, quando bateu nos 63 mil pontos, em 23 de março. Enquanto escrevo esta newsletter, o principal índice de ações brasileiro está a menos de 8% do patamar em que fechou em fevereiro deste ano.
Aproveitando o clima, o nosso Tesouro teve enorme sucesso em sua captação de bonds nos mercados internacionais nesta semana. Foram levantados US$ 3,5 bilhões, mas houve uma demanda seis vezes maior. Com isso, os juros pactuados foram significativamente inferiores aos oferecidos inicialmente.
Com maior apetite ao risco Brasil, o nosso glorioso real recupera-se das recentes humilhações. Depois de haver sido negativamente comparado com as pouco conhecidas moedas africanas, e de ter seu valor questionado até diante do guarani paraguaio, nossa moeda acumula uma alta de 15% contra o dólar nas última três semanas.
Por sinal, não é só aqui que a moeda norte-americana vem apanhando. As duas últimas semanas foram as piores para o dólar desde 2012 quando comparado a um cesta de moedas internacionais. Esse enfraquecimento mostra uma clara reversão da aversão ao risco, já que o dólar serve de abrigo mundial quando o pânico domina os mercados. Com maior apetite ao risco Brasil, o nosso glorioso real recupera-se das recentes humilhações. Depois de haver sido negativamente comparado com as pouco conhecidas moedas africanas, e de ter seu valor questionado até diante do guarani paraguaio, nossa moeda acumula uma alta de 15% contra o dólar nas última três semanas.
Por sinal, não é só aqui que a moeda norte-americana vem apanhando. As duas últimas semanas foram as piores para o dólar desde 2012 quando comparado a um cesta de moedas internacionais. Esse enfraquecimento mostra uma clara reversão da aversão ao risco, já que o dólar serve de abrigo mundial quando o pânico domina os mercados.
Para coroar a semana “risk-on”, o início do pregão dessa sexta foi celebrado com a inesperada criação de 2,5 milhões de empregos em maio nos Estados Unidos, uma ampla reversão das expectativas que apontavam para a demissão de 7,5 milhões de americanos no mês que passou.
Note que a volta do mercado não se apoia na resolução da pandemia de Covid-19.
Apesar de múltiplos esforços, ainda não podemos contar com uma vacina que realmente nos proteja do novo coronavírus.
É bem verdade que o pior já passou no hemisfério norte, mas a crise sanitária ainda faz vítimas crescentes na América Latina e, principalmente, no Brasil.
E não há garantia alguma de que não haverá uma nova onda por onde o vírus já passou e arrefeceu.
Alguma fatores aparentemente explicam esse descolamento.
De uma lado, estamos aprendendo a conviver com a pandemia e seus riscos. Não estou menosprezando a tragédia, até porque tenho familiares e amigos contaminados e, portanto, sei bem o drama que isso envolve. Hoje, porém, compreendemos melhor quais grupos são mais vulneráveis e quais não. A melhor compreensão reduz a ansiedade e nos permite voltar a vislumbrar um futuro melhor.
Soma-se a isso uma certa resignação diante do problema. É triste dizer, mas os números da pandemia não chocam como antes e passam a ser absorvidos de forma mais natural. Apesar de ruim sob o aspecto fraternal da vida em sociedade, tal fenômeno nos permite normalizar nossas vidas e assim vamos recuperando o que nos foi temporariamente suspenso.
Por fim, existe a inegável ajuda dos trilhões que estão sendo injetados nas economias mundiais para o ânimo dos mercado. À medida que o pânico se dispersa, investidores tomam coragem para posicionarem-se novamente em ativos de risco. Talvez estejamos no início de uma nova pernada na expansão dos preços do mercado, assim como aquela no rescaldo da crise de 2008 e seus seguidos quantitative easings. A ver.
O que fazer agora?
Quando o assunto passa por rápidas movimentações de mercado, o especialista na Empiricus é o Sergio Oba.
Além de exímio golfista (que inveja de seu handicap de um dígito), Sergio é um analista com alma de trader e um trader com alma de analista.
Peço que fique atento à estratégia dele para aproveitar o atual momento de mercado.
Segunda-feira tem novidades.
Deixo você agora com os destaques da semana.
Boa leitura e um abraço,
Caio