1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Empiricus 24/7

O futuro é agora

Escrevo esta newsletter na sexta-feira, dia em que o vermelho domina as telas de cotações. Além de forte correção nos índices de ações, tanto aqui como nos EUA, outros ativos também acompanham o mau humor e perdem valor. Metais preciosos e não preciosos, petróleo e até mesmo o bitcoin são negociados a preços inferiores aos da véspera.

Por Caio Mesquita

16 jan 2021, 11:38

Escrevo esta newsletter na sexta-feira, dia em que o vermelho domina as telas de cotações.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além de forte correção nos índices de ações, tanto aqui como nos EUA, outros ativos também acompanham o mau humor e perdem valor. Metais preciosos e não preciosos, petróleo e até mesmo o bitcoin são negociados a preços inferiores aos da véspera.

O noticiário põe na conta do “desenvolvimentista” Joe Biden, com seus planos para novos trilhões em estímulos, a culpa pela dor de barriga generalizada.

Ironicamente, a exceção para a sangria fica por conta da valorização do dólar, que sobe contra praticamente todas as moedas. Deixo para meus sócios e brilhantes economistas, Felipe e Rodolfo, a explicação para o aparente contrassenso.

Talvez estejamos chegando a algum tipo de saturação e o mercado comece a desconfiar que dinheiro infinito não resolve tudo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Bancos centrais e suas desenfreadas aventuras monetárias parecem ser apenas um dos inúmeros exemplos do nosso gradual afastamento do natural para o artificial.

Os limites do convencional foram abandonados há tempos e, gradualmente, fomos nos acostumando com padrões que seguem desafiando o senso comum.

No final do século passado, o então presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, alertava quanto aos riscos do que chamava de “exuberância irracional” dos mercados. 

De fato, pouco tempo depois, eclodiu a crise das empresas pontocom, corrigindo os excessos financeiros da adolescência da internet.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando observamos o que está acontecendo hoje, as distorções apontadas por Greenspan seriam praticamente irrelevantes. 

Apesar da recente alta nos juros americanos, ainda temos estoque de quase US$ 20 trilhões em títulos de dívida com juros negativos. Ou seja, investidores pagam para que tomadores guardem seu dinheiro.

Tente explicar isso a uma pessoa que não esteja acompanhando de perto a evolução dos mercados e certamente encontrará um semblante confuso. 

Juros negativos, expressão clara do artificialismo monetário que vivemos, distorcem a precificação dos demais ativos. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assim, observamos as empresas do índice Dow Jones, na sua maioria em setores consolidados e de crescimento apenas moderado, sendo negociadas a um múltiplo acima de 25 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. 

Ações de empresas de tecnologia, dotadas de um robusto potencial de crescimento, apresentam naturalmente múltiplos maiores. As distorções verificam-se quando são jogados fora múltiplos de lucro ou mesmo de geração de caixa, cuja existência projeta-se para um futuro distante apenas. Não é incomum que ações dessas “joias” troquem de mão com um valor de múltiplos de dezenas ou até centenas de vezes a receita anual da companhia.

Com taxas de desconto tendendo a zero, qualquer fluxo de caixa futuro, por mais distante que seja, tem valor hoje.

A matemática financeira nos ensina que o dinheiro tem valor no tempo. Assim, recebemos remuneração por abrir mão do presente em troca de um futuro mais próspero.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ao inverter essa equação, não há razão para esperar. O futuro passa a ser agora. Para aguardar, somente uma enorme promessa nos convence e, assim, compramos qualquer promessa desde que seja formidável.

Elon Musk que o diga.

Deixo você agora com os destaques da semana.

Um abraço e boa leitura.

Caio