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Empiricus 24/7

Setembro e o dilema das redes

Finalmente o sofrimento do mês de setembro chegou ao fim.

Nesse terrível mês para os nossos bolsos, tivemos nossa paciência testada pela maioria dos ativos de risco, e até pelos teoricamente sem risco, apresentando retornos negativos.

Por Caio Mesquita

03 out 2020, 15:47

Finalmente o sofrimento do mês de setembro chegou ao fim.

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Nesse terrível mês para os nossos bolsos, tivemos nossa paciência testada pela maioria dos ativos de risco, e até pelos teoricamente sem risco, apresentando retornos negativos.

Não devo ter sido o único que passou alguns dias sem atualizar a carteira, receoso de constatar o quanto ficamos mais pobres nas últimas semanas.

Basta uma breve consulta à página do Google Trends para perceber que estou em numerosa companhia. As buscas pelo termo “ações” estão nos níveis mais baixos desde a chegada da pandemia.

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As inacreditáveis trapalhadas de um governo que ameaça pedalar rumo à irresponsabilidade fiscal têm perturbado o nosso sono.

Estaremos realmente jogando a toalha de um Brasil minimamente liberal?

Que o tombo nas cotações dos títulos públicos, onde sobrou até para as LFTs e os fundos DIs, seja o devido toque de alerta contra a insanidade populista.

Voltando ao Google, assisti esta semana ao documentário “O Dilema das Redes”, disponível na Netflix.

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A princípio, iria passar a oportunidade. O Amazon Prime, com sua espetacular série “The Boys”, tem me deixado um pouco distante da Netflix. A insistência do meu pai, assustado e prestes a cancelar suas contas nas redes, me fez conferir do que se tratava.

Comento aqui brevemente pois tenho certa autoridade para tratar do tema, dada a relevância da Empiricus nas redes sociais e no marketing digital.

Google, Facebook e demais plataformas digitais são fabulosas máquinas publicitárias. Talvez isso ainda seja surpresa para muitos, mas esse é justamente o modelo de negócio desses gigantes.

Analogamente ao que acontece nos veículos de comunicação tradicionais, as plataformas dessas big techs geram suas receitas a partir de anunciantes que buscam oferecer produtos e serviços aos clientes potenciais. 

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Crescemos assistindo gratuitamente à televisão aberta, sem pagar um real para acompanhar novelas, telejornais e eventos esportivos. Empresas bancavam a programação em troca de mostrar seus anúncios à audiência oferecida pelo canal.

Afirmando que ao não pagarmos pelo produto somos o produto, o documentário alerta para os perigos da manipulação, apresentando o sistema como uma maldosa máquina de vender dados e gerar lucro. 

É inegável que as redes sociais manipulam e criam comportamentos, oferecendo pequenas recompensas para aumentar o nosso engajamento. Mas o documentário amplia sua crítica classificando a própria publicidade como manipulação. 

Fica claro um certo viés anticapitalista na vilanização das grandes corporações, especialmente nos comentários finais dos especialistas.

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Concordo integralmente sobre o perigo do excesso de interação com as redes sociais, especialmente entre os mais jovens. Da mesma forma que nossos pais limitavam o nosso tempo na frente da televisão — “Cainho, fica longe da televisão porque faz mal para a vista”, dizia minha avó Emília —, faz-se imperativo que coloquemos limites à exposição dos nossos filhos.

Lembro que o Google, a maior das empresas citadas no documentário, nem mesmo é uma rede social. Assim mesmo, tem em seu modelo de negócios a venda de anúncios às pessoas que utilizam suas plataformas.

Já externei aqui a minha admiração pela fantástica máquina montada pelo Google que permite que qualquer tipo de anunciante possa montar uma campanha a fim de atingir seus consumidores-alvo.

Há uma infinidade de novas empresas, dentre elas a própria Empiricus, cuja existência foi viabilizada pelas soluções a anunciantes oferecidas pelo Google. Assim, bilhões de consumidores passaram a ter acesso a produtos e serviços inovadores e disruptivos, de cuja existência nunca saberiam dentro do sistema tradicional de publicidade.

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O grande questionamento hoje envolvendo Google, Facebook e afins, e simplesmente ignorado pelo documentário, está no caráter monopolista das plataformas, o que lhes permite um poder desproporcional sobre os conteúdos veiculados.

Sou um grande entusiasta da tecnologia e um defensor irredutível da liberdade de expressão.

Excessos existem, mas cabe às próprias pessoas amadurecerem sua relação com as redes.

Deixo você agora com os destaques da semana. 

Boa leitura e um abraço,
Caio