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Investimentos

Enquanto Ibovespa festeja novas máximas, bolsas do exterior estão em ‘modo cautela’; veja destaques desta sexta (23)

Ibovespa encerrou último pregão acima dos 175 mil pontos e entrada líquida de investidores estrangeiros se aproxima de R$ 9 bilhões no ano

Por Matheus Spiess

23 jan 2026, 09:55

Atualizado em 23 jan 2026, 10:01

ibovespa bolsa

Imagem: iStock/Wirestock

O dia começa com o Brasil em destaque, com o Ibovespa renovando máximas históricas, sustentado pelo bom fluxo estrangeiro e por fundamentos domésticos que seguem relativamente bem ancorados.

No exterior, o ambiente é mais cauteloso: o Banco do Japão manteve a taxa de juros em 0,75%, os investidores acompanham as prévias dos PMIs na Europa e nos Estados Unidos e o índice de sentimento do consumidor americano, enquanto ganha força a percepção de uma diversificação gradual para fora dos Treasuries, com maior interesse por mercados emergentes e o ouro se aproximando de US$ 5.000 a onça, em meio a rearranjos geopolíticos envolvendo a Groenlândia e a OTAN.

Em paralelo, o noticiário corporativo foi marcado pela queda expressiva das ações da Intel no after hours, após a empresa divulgar um guidance abaixo das expectativas. Para completar o quadro, o movimento reforça a leitura de um mercado global ainda fragmentado, no qual o apetite por risco se concentra em setores e regiões específicas — como tecnologia na Ásia — enquanto a Europa segue mais sensível ao noticiário político e às incertezas geopolíticas.

· 00:52 — Bull market

Por aqui, mesmo com uma agenda doméstica relativamente esvaziada, o Ibovespa segue renovando máximas históricas, tendo tocado a região dos 177 mil pontos no intraday e encerrado o pregão acima dos 175 mil.

Esse movimento reflete um momento de forte entusiasmo do mercado brasileiro, impulsionado pela rotação global de capitais e pela crescente diversificação geográfica dos portfólios internacionais. O aumento expressivo do interesse externo tem elevado de forma significativa o giro financeiro da B3, que já superou a marca de R$ 40 bilhões pelo segundo dia consecutivo.

No acumulado do ano, a entrada líquida de investidores estrangeiros se aproxima de R$ 9 bilhões — cerca de um terço de todo o fluxo observado ao longo do ano passado — em um contexto no qual parte dos investidores reduz a exposição aos Estados Unidos, desgastados pela volatilidade política associada a Donald Trump, e passa a buscar oportunidades em ativos reais, outras moedas e mercados emergentes.

Nesse cenário, o Brasil desponta como destino natural ao combinar juros elevados, uma bolsa líquida, ativos ainda negociados a múltiplos atrativos e a perspectiva de um possível rali adicional, seja pela expectativa de cortes de juros ao longo do ano, seja pela antecipação do ciclo eleitoral.

Nesse pano de fundo político, o ministro Alexandre de Moraes autorizou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visite o ex-presidente Jair Bolsonaro na próxima quinta-feira, após o adiamento do encontro de ontem.

Ao mesmo tempo, ganham forma os sinais de que a candidatura oficial da oposição tende a ser a de Flávio Bolsonaro, após mais uma manifestação pública do governador paulista reforçando sua intenção de buscar a reeleição. Embora ainda haja tempo até abril para eventuais rearranjos, o cenário que se desenha — especialmente à luz das pesquisas divulgadas nesta semana — parece caminhar nessa direção, com implicações relevantes para o quadro eleitoral: de um lado, espaço para uma melhora gradual do ambiente oposicionista; de outro, a percepção de que a pré-candidatura de Flávio é, ao menos por ora, vista como menos competitiva em um eventual segundo turno, algo que seguirá sendo testado nas próximas leituras de viabilidade política.

· 01:44 — Dando sustentação ao movimento

O crescimento robusto do PIB dos EUA, combinado ao arrefecimento das tensões geopolíticas, deu sustentação ao movimento positivo das bolsas americanas, com avanços consistentes no Dow Jones, no S&P 500 e no Nasdaq.

O mercado segue monitorando a possibilidade de desaceleração no quarto trimestre, mas esse risco tem sido parcialmente contrabalançado por indicadores ainda favoráveis, como pedidos de auxílio-desemprego em níveis historicamente baixos e resultados corporativos fortes.

No plano macroeconômico, a combinação de consumo ainda robusto, sinais graduais de melhora no mercado de trabalho e uma inflação que permanece acima da meta reduz a pressão por cortes iminentes de juros por parte do Federal Reserve.

No noticiário corporativo, a Intel decepcionou ao divulgar uma projeção de receita abaixo do consenso, evidenciando desafios operacionais e gargalos produtivos. Ao mesmo tempo, os investidores aguardam a divulgação de novos balanços e dos PMIs de janeiro, que devem trazer informações adicionais sobre o ritmo da atividade econômica no início do ano e ajudar a calibrar as expectativas para os próximos meses.

· 02:39 — Retomada do acordo

Os legisladores da União Europeia devem se pronunciar nos próximos dias sobre a ratificação do acordo comercial com os Estados Unidos, movimento que ganhou novo fôlego após Donald Trump recuar da ameaça de impor tarifas a aliados europeus que se opusessem aos seus planos relacionados à Groenlândia.

De acordo com o Parlamento Europeu, a mudança de postura do presidente americano foi suficiente para destravar o processo legislativo, sendo a aprovação parlamentar a última etapa necessária para que o acordo entre efetivamente em vigor. Esse recuo ocorreu após uma reunião de Trump com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, e veio acompanhado de maior escrutínio sobre as justificativas de segurança nacional apresentadas por Washington.

Em particular, argumentos como a necessidade de posicionamento de mísseis americanos e a concessão de direitos de mineração na Groenlândia, com o objetivo declarado de conter a influência chinesa, revelam-se em grande medida redundantes, já que prerrogativas semelhantes estão asseguradas aos Estados Unidos por tratados firmados há mais de sete décadas.

· 03:28 — Eletrificada

A Índia vem se eletrificando em um ritmo até mais rápido do que a China quando estava em patamar semelhante de desenvolvimento, consumindo menos combustíveis fósseis por habitante e sugerindo que a energia limpa pode funcionar como um “atalho” econômico para outras economias emergentes — sobretudo por reduzir a dependência de importações de carvão, petróleo e gás e, portanto, a vulnerabilidade externa.

Ainda assim, o carvão permanece no coração da economia indiana: responde por perto de três quartos da geração de eletricidade, sustenta cadeias industriais e conglomerados relevantes — como os ligados a Gautam Adani — e é amplamente ancorado pela estatal Coal India, responsável por algo como 80% da produção do país, com centenas de milhares de empregos diretos e peso logístico e político que vai muito além das minas. O contraste, portanto, aponta para uma transição pragmática: a Índia avança na eletrificação por razões de custo e segurança energética, mas sem romper com um pilar histórico; a China, por sua vez, ajuda a lembrar que diferentes trajetórias podem coexistir na busca por crescimento, competitividade e estabilidade energética.

· 04:13 — Novas diretrizes alimentares

No início do mês, o governo Trump apresentou uma revisão abrangente das diretrizes alimentares dos Estados Unidos, conduzida pelo secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., com o objetivo de enfrentar o avanço da obesidade, do diabetes tipo 2 e dos custos crescentes associados às doenças crônicas.

Na prática, substituiu-se um relatório longo e técnico por um guia mais direto, que reposiciona as prioridades do prato: maior ênfase em proteínas, frutas, vegetais e laticínios integrais, além do incentivo a gorduras consideradas saudáveis e a alimentos ligados à “saúde intestinal”, enquanto reduz o protagonismo dos grãos e endurece o tom contra ultraprocessados, carboidratos refinados, açúcares adicionados e adoçantes não nutritivos — com atenção especial à alimentação infantil.

A mudança provocou reação imediata da indústria de alimentos e bebidas, que questionou a viabilidade prática das recomendações, e também se refletiu no mercado: empresas mais expostas a produtos processados e bebidas adoçadas passaram a negociar de forma mais defensiva, sinalizando que essa inflexão pode ter desdobramentos econômicos relevantes.

· 05:07 — Uma corrida espacial entre empresas

A corrida pela conectividade via satélite entrou em uma nova fase com o anúncio da Blue Origin, de Jeff Bezos, do projeto TeraWave, uma constelação própria que prevê o lançamento de 5.408 satélites voltados ao atendimento de data centers, grandes corporações e governos, com início de operação estimado para o final de 2027. A iniciativa representa uma ampliação relevante do escopo da empresa, até aqui mais associada a foguetes e ao turismo espacial, e a coloca em competição direta sobretudo com a Starlink, de Elon Musk, que já conta com cerca de 9 mil satélites em órbita e atende majoritariamente o mercado de massa com serviços de internet e telefonia.

Do ponto de vista tecnológico, as abordagens também diferem…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.