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O dia começa com o Brasil em destaque, com o Ibovespa renovando máximas históricas, sustentado pelo bom fluxo estrangeiro e por fundamentos domésticos que seguem relativamente bem ancorados.
No exterior, o ambiente é mais cauteloso: o Banco do Japão manteve a taxa de juros em 0,75%, os investidores acompanham as prévias dos PMIs na Europa e nos Estados Unidos e o índice de sentimento do consumidor americano, enquanto ganha força a percepção de uma diversificação gradual para fora dos Treasuries, com maior interesse por mercados emergentes e o ouro se aproximando de US$ 5.000 a onça, em meio a rearranjos geopolíticos envolvendo a Groenlândia e a OTAN.
Em paralelo, o noticiário corporativo foi marcado pela queda expressiva das ações da Intel no after hours, após a empresa divulgar um guidance abaixo das expectativas. Para completar o quadro, o movimento reforça a leitura de um mercado global ainda fragmentado, no qual o apetite por risco se concentra em setores e regiões específicas — como tecnologia na Ásia — enquanto a Europa segue mais sensível ao noticiário político e às incertezas geopolíticas.
· 00:52 — Bull market
Por aqui, mesmo com uma agenda doméstica relativamente esvaziada, o Ibovespa segue renovando máximas históricas, tendo tocado a região dos 177 mil pontos no intraday e encerrado o pregão acima dos 175 mil.
Esse movimento reflete um momento de forte entusiasmo do mercado brasileiro, impulsionado pela rotação global de capitais e pela crescente diversificação geográfica dos portfólios internacionais. O aumento expressivo do interesse externo tem elevado de forma significativa o giro financeiro da B3, que já superou a marca de R$ 40 bilhões pelo segundo dia consecutivo.
No acumulado do ano, a entrada líquida de investidores estrangeiros se aproxima de R$ 9 bilhões — cerca de um terço de todo o fluxo observado ao longo do ano passado — em um contexto no qual parte dos investidores reduz a exposição aos Estados Unidos, desgastados pela volatilidade política associada a Donald Trump, e passa a buscar oportunidades em ativos reais, outras moedas e mercados emergentes.
Nesse cenário, o Brasil desponta como destino natural ao combinar juros elevados, uma bolsa líquida, ativos ainda negociados a múltiplos atrativos e a perspectiva de um possível rali adicional, seja pela expectativa de cortes de juros ao longo do ano, seja pela antecipação do ciclo eleitoral.
Nesse pano de fundo político, o ministro Alexandre de Moraes autorizou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visite o ex-presidente Jair Bolsonaro na próxima quinta-feira, após o adiamento do encontro de ontem.
Ao mesmo tempo, ganham forma os sinais de que a candidatura oficial da oposição tende a ser a de Flávio Bolsonaro, após mais uma manifestação pública do governador paulista reforçando sua intenção de buscar a reeleição. Embora ainda haja tempo até abril para eventuais rearranjos, o cenário que se desenha — especialmente à luz das pesquisas divulgadas nesta semana — parece caminhar nessa direção, com implicações relevantes para o quadro eleitoral: de um lado, espaço para uma melhora gradual do ambiente oposicionista; de outro, a percepção de que a pré-candidatura de Flávio é, ao menos por ora, vista como menos competitiva em um eventual segundo turno, algo que seguirá sendo testado nas próximas leituras de viabilidade política.
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· 01:44 — Dando sustentação ao movimento
O crescimento robusto do PIB dos EUA, combinado ao arrefecimento das tensões geopolíticas, deu sustentação ao movimento positivo das bolsas americanas, com avanços consistentes no Dow Jones, no S&P 500 e no Nasdaq.
O mercado segue monitorando a possibilidade de desaceleração no quarto trimestre, mas esse risco tem sido parcialmente contrabalançado por indicadores ainda favoráveis, como pedidos de auxílio-desemprego em níveis historicamente baixos e resultados corporativos fortes.
No plano macroeconômico, a combinação de consumo ainda robusto, sinais graduais de melhora no mercado de trabalho e uma inflação que permanece acima da meta reduz a pressão por cortes iminentes de juros por parte do Federal Reserve.
No noticiário corporativo, a Intel decepcionou ao divulgar uma projeção de receita abaixo do consenso, evidenciando desafios operacionais e gargalos produtivos. Ao mesmo tempo, os investidores aguardam a divulgação de novos balanços e dos PMIs de janeiro, que devem trazer informações adicionais sobre o ritmo da atividade econômica no início do ano e ajudar a calibrar as expectativas para os próximos meses.
· 02:39 — Retomada do acordo
Os legisladores da União Europeia devem se pronunciar nos próximos dias sobre a ratificação do acordo comercial com os Estados Unidos, movimento que ganhou novo fôlego após Donald Trump recuar da ameaça de impor tarifas a aliados europeus que se opusessem aos seus planos relacionados à Groenlândia.
De acordo com o Parlamento Europeu, a mudança de postura do presidente americano foi suficiente para destravar o processo legislativo, sendo a aprovação parlamentar a última etapa necessária para que o acordo entre efetivamente em vigor. Esse recuo ocorreu após uma reunião de Trump com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, e veio acompanhado de maior escrutínio sobre as justificativas de segurança nacional apresentadas por Washington.
Em particular, argumentos como a necessidade de posicionamento de mísseis americanos e a concessão de direitos de mineração na Groenlândia, com o objetivo declarado de conter a influência chinesa, revelam-se em grande medida redundantes, já que prerrogativas semelhantes estão asseguradas aos Estados Unidos por tratados firmados há mais de sete décadas.
· 03:28 — Eletrificada
A Índia vem se eletrificando em um ritmo até mais rápido do que a China quando estava em patamar semelhante de desenvolvimento, consumindo menos combustíveis fósseis por habitante e sugerindo que a energia limpa pode funcionar como um “atalho” econômico para outras economias emergentes — sobretudo por reduzir a dependência de importações de carvão, petróleo e gás e, portanto, a vulnerabilidade externa.
Ainda assim, o carvão permanece no coração da economia indiana: responde por perto de três quartos da geração de eletricidade, sustenta cadeias industriais e conglomerados relevantes — como os ligados a Gautam Adani — e é amplamente ancorado pela estatal Coal India, responsável por algo como 80% da produção do país, com centenas de milhares de empregos diretos e peso logístico e político que vai muito além das minas. O contraste, portanto, aponta para uma transição pragmática: a Índia avança na eletrificação por razões de custo e segurança energética, mas sem romper com um pilar histórico; a China, por sua vez, ajuda a lembrar que diferentes trajetórias podem coexistir na busca por crescimento, competitividade e estabilidade energética.
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· 04:13 — Novas diretrizes alimentares
No início do mês, o governo Trump apresentou uma revisão abrangente das diretrizes alimentares dos Estados Unidos, conduzida pelo secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., com o objetivo de enfrentar o avanço da obesidade, do diabetes tipo 2 e dos custos crescentes associados às doenças crônicas.
Na prática, substituiu-se um relatório longo e técnico por um guia mais direto, que reposiciona as prioridades do prato: maior ênfase em proteínas, frutas, vegetais e laticínios integrais, além do incentivo a gorduras consideradas saudáveis e a alimentos ligados à “saúde intestinal”, enquanto reduz o protagonismo dos grãos e endurece o tom contra ultraprocessados, carboidratos refinados, açúcares adicionados e adoçantes não nutritivos — com atenção especial à alimentação infantil.
A mudança provocou reação imediata da indústria de alimentos e bebidas, que questionou a viabilidade prática das recomendações, e também se refletiu no mercado: empresas mais expostas a produtos processados e bebidas adoçadas passaram a negociar de forma mais defensiva, sinalizando que essa inflexão pode ter desdobramentos econômicos relevantes.
· 05:07 — Uma corrida espacial entre empresas
A corrida pela conectividade via satélite entrou em uma nova fase com o anúncio da Blue Origin, de Jeff Bezos, do projeto TeraWave, uma constelação própria que prevê o lançamento de 5.408 satélites voltados ao atendimento de data centers, grandes corporações e governos, com início de operação estimado para o final de 2027. A iniciativa representa uma ampliação relevante do escopo da empresa, até aqui mais associada a foguetes e ao turismo espacial, e a coloca em competição direta sobretudo com a Starlink, de Elon Musk, que já conta com cerca de 9 mil satélites em órbita e atende majoritariamente o mercado de massa com serviços de internet e telefonia.
Do ponto de vista tecnológico, as abordagens também diferem…