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Investimentos

Grupo GPS (GGPS3) pode se dar bem com recuperação judicial de concorrente?

Nesta semana, o Grupo Handz, do setor de terceirização, entrou com pedido de RJ. Veja como isso impacta GPS.

Por Richard Carboni Camargo

05 out 2023, 11:38

Atualizado em 05 out 2023, 11:38

Grupo GPS GGPS3
Imagem: Divulgação/ LinkedIn GPS

Nesta semana, tivemos uma notícia importante sobre o setor de terceirização: o Grupo Handz entrou com pedido de Recuperação Judicial (RJ). Isso afeta Grupo GPS (GGPS3), ação recomendada na série Microcap Alert, da Empiricus Research?

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Na condição de acionistas da GPS, a notícia é relevante para nós porque o grupo Handz é dono da Gocil, que é uma das maiores empresas de segurança privada no país, além de também oferecer diversos serviços de terceirização.

Com outras duas empresas focadas nos setores imobiliários e agropecuário, e uma dívida de R$ 1,75 bilhão, não descartamos a possibilidade de a Handz precisar vender a Gocil para reequilibrar as suas contas.

Seria essa uma oportunidade para a GPS?

Segundo notícias mais recentes, o faturamento da Gocil deveria fechar 2023 em cerca de R$ 1,6 bilhão, o que ultrapassa com bastante folga o limite de R$ 500 milhões que a GPS tem buscado em seus M&As.

Fonte: GPS.

Ou seja, em um primeiro filtro, a Gocil estaria fora do escopo. Além disso, por ser uma empresa de maior escala e, em tese, mais bem estruturada do que a média, a GPS provavelmente não conseguiria extrair todas as sinergias que costuma em suas aquisições. 

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Isso posto, um M&A entre as companhias não nos parece provável. Mas e se acontecer? Para entender melhor, resolvemos fazer um exercício hipotético. 

Como seria o cenário de um possível M&A

Assumindo que a GPS não conseguisse qualquer desconto na aquisição e que a margem Ebitda, a alavancagem e os múltiplos da Gocil sejam parecidos com os da GPS (o que é uma premissa bastante otimista em nossa visão) chegaríamos a um Valor da Firma de aproximadamente R$ 1,4 bilhão (com dívidas já inclusas).

Nessas condições, a aquisição faria a alavancagem da GPS subir de 0,6x para 1,75x dívida líquida/Ebitda, e a posição de caixa cair de R$ 2,6 bilhões para menos de R$ 1,2 bilhão.

Mas a coisa muda de figura se o vendedor estivesse com a corda no pescoço e disposto a vender a empresa com um bom desconto. É justamente aqui que entra o pedido de RJ. 

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Supondo que a GPS conseguisse aproveitar o momento difícil para levar a Gocil pelos 6x Valor da Firma/Ebitda que costuma oferecer em seus M&As, o valor do cheque diminuiria R$ 400 milhões, para R$ 1 bilhão, e a alavancagem final da companhia seria de menos de 1,4x, com R$ 1,6 bilhão no caixa após a transação. Uma condição muito mais interessante mas que, voltamos a lembrar, nos parece pouco provável. Na verdade, em momento algum a GPS mencionou que tinha interesse na Gocil.

Ainda assim, o exercício ajuda a mostrar alguns pontos importantes sobre a tese de investimento na GPS. Para começar, deixa claro que ela é grande mesmo na comparação com as maiores do setor – ainda que não adquira a Gocil, ela poderia fazer isso sem muitas dificuldades e sem se alavancar demais, especialmente se conseguisse um desconto. 

Segundo, mostra que apesar das finanças saudáveis e da ótima execução da GPS, essas características não são compartilhadas pelo restante do setor, nem mesmo pelas empresas maiores e, em tese, mais bem tocadas. 

Por fim, essa situação mostra que a GPS possui uma característica que é intrínseca às empresas vencedoras no longo prazo: nos momentos de dificuldade macroeconômica, quando a maior parte das empresas luta para sobreviver, as vencedoras se aproveitam da fragilidade alheia para ganhar ainda mais mercado e saírem mais fortes da crise.

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E como o setor segue extremamente fragmentado, diversas oportunidades devem surgir ao longo dos próximos anos. 

Fonte: GPS.

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Economista formado pela Universidade de São Paulo (FEA-USP), é analista de ações certificado pelo CNPI, especialista no setor de tecnologia, com foco em ações internacionais. Está na Empiricus há 5 anos, onde é responsável por relatórios nacionais e internacionais, como o MoneyBets Revolution, um portfólio de teses especulativas em segmentos como healthtech, energia sustentável, software e games. Antes da Empiricus, trabalhou por 5 anos no setor de tecnologia.