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Investimentos

Guerra no Oriente Médio, petróleo em alta e mercados em alerta: onde investir agora? Analista explica cenário e faz recomendação

Matheus Spiess, da Empiricus, discute impactos do conflito no Oriente Médio na economia, o que esperar do futuro próximo, e uma recomendação de investimento para o momento; confira

Por Anna Larissa Zeferino

25 mar 2026, 16:38

Atualizado em 25 mar 2026, 17:04

Oriente Médio, Irã, EUA, Estados Unidos, Israel, Petróleo, Ormuz

(Imagem: iStock.com/matejmo)

Quem acompanha as notícias globais, certamente está ciente da guerra no Oriente Médio e da consequente alta dos preços do petróleo. Também deve ouvir falar bastante do estreito de Ormuz e do sentimento de receio que toma os mercados – desde as bolsas até as criptomoedas.

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Porém, os pontos de conexão entre todos esses nomes e, especialmente, o que esperar da economia e dos investimentos em períodos de conflito, não são facilmente compreendidos por todo mundo.

Pensando nisso, Matheus Spiess, analista de macroeconomia da Empiricus Research, traz um “aulão” para explicar, de forma simples e clara, o que está acontecendo no mundo agora – e onde investir. Confira:

Abaixo, trazemos os principais pontos abordados no vídeo.

Estreito de Ormuz: o ‘ponto de estrangulamento’ da economia mundial?

Os receios econômicos mundiais começam pelo Estreito de Ormuz: uma passagem que, em seu menor ponto, possui cerca de 33km entre os Emirados Árabes Unidos e o Irã. É por lá que 20% do petróleo comercializado no mundo inteiro é escoado.

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Ormuz é um dos oito principais choke points (“pontos de estrangulamento”, em português) do comércio marítimo global. Dentre os outros, estão nomes como os canais do Panamá e de Suez.

Desde o início do conflito, o Irã alega que o estreito está fechado, o que nunca aconteceu de forma formal, mas sim por meio de ameaças aos navios que ousassem atravessá-lo.

“O que existe é um fechamento na prática: as ameaças do Irã, e os barcos se recusando a atravessar – e as seguradoras das embarcações também falando que não é para atravessar”, afirma Spiess.

E por que é de interesse do Irã manter a passagem fechada? Bom, a explicação é simples: o Irã é militarmente inferior aos seus adversários no conflito. Com isso, o que resta é usar Ormuz como estratégia de guerra, atingindo diretamente toda a economia ocidental.

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“Eles querem aumentar o custo econômico para o Ocidente o máximo possível, porque é o que resta para eles. Do lado militar, os EUA têm superioridade”, afirma Spiess.

Com o fechamento do estreito atingindo em cheio, especialmente, o escoamento do petróleo, a escassez leva o preço do barril às alturas – e todo o ocidente pode, literalmente, pagar a conta.

Irã pode ter motivos para normalizar funcionamento do estreito de Ormuz em breve, segundo analista

Segundo Spiess, para o Irã, o interesse de aumentar os custos econômicos para o restante do mundo pode ser de curto prazo – porque o próprio país é dependente do funcionamento normal da passagem.

“Falamos muito do que sai do estreito, mas pouco do que entra”, afirma Spiess. No caso, Ormuz é a principal porta de entrada de comida para o Irã, considerando que a produção local é escassa.

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Manter o estreito fechado por muito tempo gera o risco de uma crise humanitária na região, o que não estaria nos melhores interesses do governo.

Um dos principais aliados econômicos do Irã, a China, também tem interesse na reabertura do estreito.

O que o mercado quer que aconteça no futuro próximo?

O mercado, no meio do fogo cruzado, não gosta de incertezas. Para muito além da alta do petróleo, isso é o que também tem gerado estresse nos ativos de risco globais.

Inicialmente, os EUA anunciaram que o conflito tinha prazo para acabar: cerca de 5 semanas. Porém, esse prazo está próximo de terminar – e não há sinais de arrefecimento. “A falta de perspectiva para o final de um conflito é o que incomoda o mercado”, afirma Spiess.

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Para o analista, uma normalização do estreito de Ormuz é uma das principais expectativas do mercado no momento. Sendo o encerramento do conflito, claro, como cenário ideal.

Porém, Spiess comenta que nem o fim da guerra seria suficiente para que tudo volte a ser como era antes, pelo menos no curto prazo.

“Não basta só encerrar, porque começaremos a ter um legado desse conflito. Vai demorar muito mais tempo para termos uma situação normalizada”, afirma.

Estados Unidos também têm seus motivos para não continuarem guerra no Oriente Médio

O analista traz alguns pontos, em especial, que podem influenciar os EUA a encerrarem a guerra eventualmente.

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  • Custos do conflito

Os EUA já gastaram mais de US$ 20 bilhões com esse conflito – e somam cerca de US$ 39 trilhões de dívida até o momento.

“O fiscal americano, que já está problemático, está piorando ainda mais por conta do conflito”, afirma. Somadas às contas públicas, um outro fator vem para exercer ainda mais pressão:

  • Inflação

“Se você impede que haja o tráfego de petróleo, isso encarece o petróleo e seus derivados. Consequentemente, o combustível na bomba fica mais caro, e então precisamos de reajustes de preços. O medo de inflação é muito grande, porque se há mais inflação, precisamos de mais juros”, afirma Spiess.

Esse é o “efeito dominó” mais temido pelos mercados. O que começa com a alta do petróleo, pode “acabar desaguando em outros segmentos”, como transportes, fertilizantes e alimentos, segundo o analista.

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“Todo mundo tem medo disso [inflação], inclusive o próprio Donald Trump”, afirma o analista. Especialmente porque 2026 é ano de midterms – as “eleições de meio de mandato” nos EUA.

  • Eleições de meio de mandato nos EUA

Segundo Spiess, não parece ser de interesse de Donald Trump chegar às eleições de meio de mandato (midterms), no mês de novembro, com uma economia norte-americana fragilizada.

Nesse caso, o encerramento da guerra seria um fator aliado: “Se o conflito acabar o quanto antes, os preços podem normalizar, e a pressão esperada para a inflação seria minimizada”, afirma.

Uma recomendação de investimento para se expor ao xadrez geopolítico do momento

Spiess explica que, após um conflito que afeta diretamente a cadeia de suprimentos mundial, empresas e indústrias são obrigadas a se reorganizarem em forma de novos investimentos.

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Esse boom de capex implica em um boom de inflação que, consequentemente, traz um “playbook” clássico na reação dos mercados: a compra de ativos de proteção, como o ouro, e também de commodities.

Historicamente, commodities agrícolas tendem a entrar em rali após períodos de disrupção nos preços do petróleo.

Hoje, os preços ainda não estão acompanhando a última alta do barril, o que cria “uma tese muito interessante” ligada à possível valorização que esses ativos podem capturar no futuro próximo.

Com isso, para o analista, esse é um bom momento para o investidor se posicionar em ativos ligados ao setor: sua principal recomendação é o ETF CMDB11, que replica a performance de ações de empresas brasileiras produtoras e exportadoras de commodities.

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“Estruturalmente, acredito que as commodities estão entrando em um bull market, para além de um ou outro conflito”, conclui.

Clique no vídeo abaixo para assistir a aula na íntegra e, assim, ouvir mais sobre a tese de investimento, além de todos os principais pontos abordados:

Jornalista no mercado financeiro desde 2022. Escreve para os portais Empiricus, Money Times e Seu Dinheiro, e já passou por casas como Itaú BBA e XP.