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Investimentos

Há salvação para a Via (VIIA3)? Analista comenta a situação difícil da empresa e recomenda alternativa melhor no setor

Ações da Via (VIIA3) derreteram 31,6% em agosto até o último fechamento de mercado, mas os problemas vão muito além do mês ruim; saiba mais

Por Juan Rey

29 ago 2023, 16:12

Atualizado em 29 ago 2023, 16:17

Via VIIA3 Casas Bahia
Imagem: Flávya Pereira/Money Times

Agosto não tem sido fácil para os investidores da Via (VIIA3), dona das Casas Bahia, Extra.com e Ponto. Apenas na última terça-feira (28), as ações da companhia fecharam o dia em queda de 6,4%, a R$ 1,45. No mês, os papéis derreteram 31,6% até o encerramento do último pregão.

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Mas os problemas vão muito além das últimas semanas ruins. Em julho de 2020, as ações da empresa, ainda com o ticker VVAR3, chegaram a ser negociadas por R$ 22,36. 

O que explica uma queda tão brusca? 

Segundo o analista Fernando Ferrer, da Empiricus Research, escolhas ruins há quase uma década ajudam a explicar o momento difícil.

Em 2014, o mercado de e-commerce engatinhava no Brasil em comparação ao que é atualmente. Na época, o grupo controlador da companhia, Casino, optou por separar a operação física da online

“Não fazia sentido ter dois sistemas, duas logísticas, dois estoques e preços separados numa mesma empresa. Cria uma concorrência interna. A Magalu identificou essa questão”, analisa Ferrer.

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A ideia do controlador era juntar apenas a parte de comércio eletrônico de todas as operações que o grupo francês tinha no mundo e ser uma operadora global de e-commerce.

“Se por um lado a ideia parecia legal por conta da estratégia global, pela estratégia local de atuação é muito conflitante. Gera muitos custos e uma briga desnecessária dentro da própria empresa. O problema começa ali e vai se acentuando ao longo do caminho”, avalia.

O analista lembra que desde 2014, quando tomou a decisão estratégica, até 2018, a companhia teve quatro CEOs. Em 2019, trocou novamente e, agora, em 2023, houve nova mudança no comando da Via. “São seis presidentes nessa janela, é muita troca. A companhia está num turnaround há muito tempo e não tem conseguido solucionar esse problema”.

Follow-on em 2020 não saiu como o planejado

Em 2020, a Via fez um follow-on no valor de R$ 4,5 bilhões. Segundo Ferrer, a ideia era melhorar a logística, o endividamento e preparar a empresa para um crescimento rentável. No entanto, a iniciativa não saiu como o planejado. 

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“A companhia queimou tanto caixa que hoje tem valor de mercado de R$ 2,3 bilhões, metade do follow-on feito em 2020. Com o passar do tempo, os investidores vão se frustrando e vendo que o capital aportado pode sumir rápido, porque a empresa queima bastante caixa” Fernando Ferrer

Enquanto isso, os competidores da Via se fortaleceram e a companhia, em longo processo de recuperação, não conseguiu acompanhar. 

“A empresa ficou parada no tempo e a competição chegou muito forte. Tem concorrentes muito capitalizados que tem sucessivamente entregado bons resultados. Ainda que o valuation dos concorrentes não pareça muito atrativo, eles conseguem surpreender, criar novas funcionalidades e fazer com que o mercado pague mais caro pela qualidade”.

Por outro lado, a Via voltou a entregar um resultado operacional ruim no segundo trimestre de 2023, o que amplifica o momento negativo.

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Ciclo de queda da Selic pode ‘salvar’ a Via?

No início de agosto, a reunião do Copom deu início ao ciclo de corte na taxa básica de juro brasileira. Em tese, a queda da Selic é positiva para as empresas da bolsa, em especial as de varejo e endividadas, como é o caso da Via.

Por isso, na visão de Ferrer, isso pode dar uma “sobrevida” à empresa. No entanto, ele acredita que para os concorrentes o ciclo de afrouxamento monetário deve ser ainda melhor

“Tem concorrentes bem operacionalmente, mas prejudicados pela taxa de juros, e a Via, que não está bem operacionalmente e sendo prejudicada pela taxa de juros. A partir do momento em que o consumidor voltar a ter maior disposição, o que devemos ver é o concorrente performando melhor e abrindo um gap”.

O analista acredita que uma possível solução para a Via é reduzir substancialmente o parque de lojas. “É mais interessante ter uma loja regional e concentrar as melhores lojas para atuar de forma mais nichada do que continuar tentando atacar de forma nacional, dado os problemas operacionais”.

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“Com o mercado questionando sua capacidade de operação por tanto tempo, trocas sucessivas de presidente, mudança constante de planejamento estratégico e ainda tentar operar de forma nacional, o risco é grande de continuar queimando muito caixa e a situação piorar ainda mais” Fernando Ferrer

Analista recomenda distância de VIIA3

Sendo assim, Ferrer recomenda ficar longe dos papéis da Via. Para quem já tem as ações, o analista sugere a venda. “No resultado, eles falaram que pretendem fazer um novo follow-on. Se não quiser ser diluído, o investidor teria que aportar mais dinheiro em uma companhia que está passando por um processo muito difícil”.

Dada a baixa capitalização da empresa, o analista não descarta altas e baixas significativas no curto prazo. “Vamos ver movimentos erráticos, mas esse não é o perfil de investimentos que buscamos”.

O momento da companhia é tão delicado que Ferrer não descarta o risco de falência “caso ela mantenha o passo, como foi nos últimos dois trimestres”. No entanto, o follow-on pode dar “sobrevida para que os novos executivos consigam executar o turnaround, apesar de não ser fácil”.

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Mercado Livre (MELI34) é a recomendação para o setor

De todo modo, o analista vê outras oportunidades com menor risco, melhor operação e que devem continuar indo bem ao longo do ciclo de queda da Selic.

Dentre as empresas do setor, o Mercado Livre (MELI34) é a opção preferida da Empiricus Research

“É hoje o grande player do e-commerce brasileiro. Eles têm feito um trabalho fantástico, são líderes no Brasil e têm crescido bastante no México. Dado o investimento brutal em logística nos últimos anos, o Meli consegue ter uma fidelização do cliente, que é fundamental para continuar crescendo de forma acelerada. É um case de bastante sucesso e, mesmo com um valuation caro, enxergamos bastante valor. [Mercado Livre] É a nossa recomendação de compra”, finaliza.

Confira a entrevista completa de Fernando Ferrer no Giro do Mercado:

Jornalista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é editor do site da Empiricus. Contato: juan.rey@btgpactual.com.