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Investimentos

Ibovespa hoje: alta do petróleo acende alertas sobre expectativa de cortes da taxa Selic; veja as principais manchetes desta quarta (4)

A tensão sobre o Estreito de Ormuz afeta os mercados globais, de olho na oferta de petróleo mundial. Veja mais destaques.

Por Matheus Spiess

04 mar 2026, 09:11

Atualizado em 04 mar 2026, 09:11

bolsa de valores b3 mercado ações ativos gráfico petroleira petroleo

Imagem: iStock.com/peshkov

A tensão geopolítica tem afetado de forma mais intensa os mercados asiáticos, dada a dependência da região do petróleo que transita pelo Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos têm apresentado reações relativamente mais moderadas. A sinalização do presidente Donald Trump de que a Marinha americana poderá escoltar petroleiros e oferecer garantias para o transporte marítimo ajudou a aliviar parte do estresse dos mercados e a moderar a alta do petróleo, embora os preços da commodity ainda permaneçam em patamar elevado. Ainda assim, a manutenção desse tipo de escolta por um período prolongado também enfrenta limitações práticas, tanto pelos custos envolvidos quanto pelo grande volume de embarcações que transitam pela região. Com o conflito ainda em curso, os investidores permanecem atentos aos seus desdobramentos e aos possíveis efeitos sobre inflação, energia e crescimento global, em um ambiente que segue marcado por elevada incerteza.

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Choques geopolíticos costumam provocar episódios de forte volatilidade nos mercados financeiros, mas a experiência histórica mostra que, na maioria das vezes, esses movimentos tendem a ser temporários e acabam abrindo oportunidades de compra quando os preços dos ativos recuam. Ainda assim, a escalada recente do conflito envolvendo o Irã desencadeou uma nova onda de aversão ao risco, marcada por quedas nas bolsas globais, valorização do dólar e forte alta do petróleo, configurando o choque energético mais relevante desde a invasão da Ucrânia. Embora parte dos investidores enxergue as correções recentes como possíveis pontos de entrada, permanece no radar o risco de cenários mais adversos caso o conflito se prolongue ou provoque disrupções significativas no comércio global de energia.

· 00:52 — Sentindo a pressão internacional

No Brasil, a alta do petróleo reacendeu preocupações inflacionárias e já começou a influenciar as expectativas para a política monetária. Não se engane: o ciclo de corte de juros deve, sim, começar. O ponto é que a combinação de incerteza geopolítica e petróleo mais caro, logo depois de uma leitura do IPCA-15 acima do esperado e de um Caged também mais forte do que as projeções, aumenta a pressão sobre o Banco Central. Nesse ambiente, o início do ciclo pode ser de 25 pontos-base, em vez de 50, e a trajetória de flexibilização tende a ficar mais gradual, a depender da duração e do desfecho do conflito, mesmo com sinais claros de desaceleração da atividade (percepção reforçada pelo PIB divulgado ontem). Em paralelo ao fortalecimento global do dólar, o Ibovespa registrou seu pior pregão desde o “Flávio Day” e voltou a orbitar a região dos 183 mil pontos, num movimento que também reflete realização de lucros: muitos investidores já estavam, francamente, procurando um pretexto para ajustar posições após a forte alta recente.

O fluxo estrangeiro segue robusto — em 2026, até o fim de fevereiro, já haviam entrado mais de R$ 40 bilhões —, mas o início de março foi turbulento. Ainda assim, em níveis como os atuais, faz sentido acompanhar com atenção a possibilidade de rebounds (recuperações) diante de qualquer sinalização positiva, por menor que seja.

A agenda de eventos, por ora, está relativamente esvaziada, com alguns resultados corporativos no horizonte. Em Brasília, enquanto o governo tenta recuperar popularidade com novas benesses (desta vez buscando ampliar limites de renda e o teto dos imóveis elegíveis no Minha Casa, Minha Vida), o Congresso discute temas relevantes para a agenda política e econômica: a Câmara pode votar a PEC da Segurança Pública, e o Senado analisa o acordo comercial Mercosul–União Europeia, cuja vigência pode começar já em maio.

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· 01:43 — Escolta em Ormuz

Nos Estados Unidos, os mercados experimentaram forte aversão ao risco, refletindo a escalada das tensões no Oriente Médio e o agravamento do conflito envolvendo o Irã, com as bolsas abrindo em queda acentuada e o índice de volatilidade VIX (termômetro do medo nos mercados) chegando a subir cerca de 26% nas primeiras horas de negociação da terça-feira. Ao longo da sessão, porém, parte desse movimento foi revertida e as perdas nas bolsas americanas acabaram sendo mais moderadas, à medida que os investidores passaram a reavaliar o risco imediato de um choque energético mais severo. A melhora do humor ocorreu principalmente após declarações do presidente Donald Trump, que afirmou que a Marinha dos Estados Unidos poderá escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz, além de oferecer garantias e seguros para operações de transporte marítimo na região, sinalização que ajudou a reduzir os preços do petróleo ao longo do dia e a aliviar parte das preocupações com uma possível interrupção relevante no fornecimento global de energia.

· 02:35 — Novos incidentes

O conflito no Oriente Médio continua a se ampliar e ganhar novos contornos regionais. Israel avançou para novas posições no sul do Líbano pela primeira vez desde o cessar-fogo de 2024 e intensificou ataques contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, ao mesmo tempo em que prossegue a ofensiva conjunta com os Estados Unidos contra alvos ligados à República Islâmica. Em resposta, o Hezbollah lançou foguetes contra Israel, provocando uma forte retaliação que incluiu bombardeios aéreos e marítimos e resultou na morte de dezenas de pessoas no Líbano.

O agravamento do conflito já começa a produzir efeitos também fora do campo militar: companhias aéreas ao redor do mundo passaram a suspender ou redirecionar voos para destinos no Oriente Médio, diante do aumento dos riscos de segurança no espaço aéreo. Mais de 12 mil voos foram cancelados, inclusive em importantes centros globais de conexão como Dubai e Doha, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos e ampliando as disrupções no transporte aéreo internacional. O transtorno logístico é gigantesco.

· 03:26 — Mensurando o tamanho do choque

O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado os custos de energia e transporte, neste momento especialmente por meio da alta do diesel, insumo central para fretes, geração de energia e aquecimento, reacendendo preocupações inflacionárias e estimulando a busca por ativos de proteção.

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Nesse ambiente de maior aversão ao risco, o dólar volta a se destacar como principal refúgio dos investidores, mesmo diante da queda das bolsas e da volatilidade em outras classes de ativos. Ainda assim, embora episódios de forte alta nos preços de energia frequentemente remetam à memória do choque do petróleo de 1973, o contexto atual é distinto: a economia global é hoje menos dependente de energia, conta com fontes alternativas mais desenvolvidas e não enfrenta o mesmo grau de inflação ou aperto monetário observado em crises anteriores.

Além disso, a experiência histórica mostra que eventos geopolíticos raramente produzem quedas prolongadas nos mercados acionários. Por isso, caso o conflito permaneça limitado no tempo, a recente correção pode representar uma oportunidade de entrada — ainda que, como sempre nesses momentos, acompanhada de incertezas e riscos relevantes.

· 04:11 — Definindo a rota

A China iniciou o Congresso Nacional do Povo, a principal reunião política anual do país, na qual o governo define metas econômicas e sinaliza as prioridades estratégicas para os próximos anos. Em 2026, o encontro ganha peso adicional por servir de vitrine para o 15º Plano Quinquenal (2026–2030), que deve orientar o desenvolvimento da economia chinesa com ênfase em inteligência artificial, avanço tecnológico e fortalecimento do consumo interno, numa tentativa de reequilibrar o modelo de crescimento. Além disso, o governo tende a anunciar uma nova meta de expansão do PIB, possivelmente na faixa de 4,5% a 5% ao ano, refletindo um cenário menos confortável, marcado por tensões comerciais com os Estados Unidos, fragilidades persistentes no setor imobiliário e sinais de perda de tração em algumas frentes.

Nos últimos anos, muitos investidores esperavam que Pequim entregasse um estímulo fiscal mais contundente para reacelerar a demanda doméstica, mas a execução tem sido mais gradual e limitada — o que ajudou a explicar o desempenho relativamente mais fraco das ações chinesas frente a outros mercados globais. Um dos pontos centrais do debate é que o consumo das famílias representa apenas cerca de 41% do PIB, um patamar baixo em comparação internacional e que alimenta dúvidas sobre a capacidade do país de sustentar, por muito tempo, um crescimento próximo de 5% sem uma melhora mais visível do lado do consumidor. Por isso, o Congresso será acompanhado de perto por investidores no mundo todo, em busca de sinais mais claros sobre novos estímulos, sobre a disposição de reduzir a dependência das exportações e, ao mesmo tempo, sobre como a China pretende avançar em sua autonomia tecnológica, especialmente em semicondutores e na cadeia de IA, em um cenário de competição cada vez mais direta com os EUA em áreas mais estratégicas.

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· 05:07 — Capturando a alta do petróleo

A escalada recente das tensões no Oriente Médio, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, recolocou o risco geopolítico no centro do mercado global de energia. O principal canal de impacto tem sido a logística do comércio internacional de energia, especialmente no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo, como já conversamos nesta semana. O aumento da presença militar na região, a retirada de cobertura de seguros marítimos e a redução do tráfego de navios vêm criando fricções importantes no transporte da commodity, elevando custos e incorporando um prêmio de risco geopolítico ao preço do petróleo Brent. Nesse contexto, a variável central para os mercados passa a ser a duração do conflito: episódios mais curtos tendem a gerar apenas volatilidade temporária, enquanto uma escalada prolongada poderia comprometer de forma mais estrutural os fluxos globais de energia.

Esse risco ganha dimensão adicional porque o Golfo Pérsico concentra uma parcela expressiva da oferta mundial de petróleo, funcionando como uma das principais rotas de exportação para grandes consumidores asiáticos, como China, Japão e Índia. Assim, qualquer perturbação relevante no trânsito marítimo da região tende a repercutir rapidamente nos preços internacionais da energia. Diferentemente de episódios recentes, como as disrupções na Venezuela ou conflitos regionais mais localizados, a atual escalada apresenta um potencial mais sistêmico por envolver diretamente países do Golfo e colocar em risco uma das principais artérias do comércio energético global. Nesse ambiente, o mercado já passou a incorporar um prêmio de risco ao petróleo, com o Brent negociando na faixa superior a US$ 80 por barril, podendo avançar ainda mais caso a tensão se intensifique. Esse pano de fundo tende a favorecer, de forma geral, empresas do setor de óleo e gás.

Entre as companhias brasileiras de energia, a Petrobras (PETR4) tende a se beneficiar de um ambiente de petróleo mais valorizado, ainda que de maneira mais gradual do que produtoras totalmente expostas ao preço internacional da commodity. Isso ocorre porque uma parcela relevante de suas operações está ligada ao refino e ao mercado doméstico de combustíveis, o que pode tornar o repasse das oscilações internacionais um pouco mais lento no curto prazo.

Ainda assim, a companhia permanece muito bem-posicionada para capturar esse cenário ao longo do tempo, apoiada em escala de produção robusta, ativos de elevada qualidade, especialmente no pré-sal, e forte geração de caixa. Em um contexto de petróleo mais valorizado, a PETR4 continua reunindo relevância estratégica, robusta capacidade operacional e potencial consistente de geração de valor, o que a torna uma alternativa interessante para complementar carteiras de ações brasileiras. Naturalmente, essa exposição deve ser feita com o devido dimensionamento das posições, sempre em linha com a alocação de risco do portfólio como um todo e com o perfil e os objetivos de cada investidor.

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Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.