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A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã continua dominando os mercados globais de energia, levando a Agência Internacional de Energia (AIE) a anunciar a maior liberação de reservas estratégicas da história, de até 400 milhões de barris, numa tentativa de conter a escalada dos preços. Mesmo assim, novos ataques a navios no Estreito de Ormuz e a paralisação de portos no Iraque mantêm forte pressão sobre a oferta, fazendo que o Brent volte a se aproximar dos US$ 100 por barril.
O cenário é agravado por mensagens contraditórias da Casa Branca sobre a duração da guerra, enquanto o Irã condiciona um cessar-fogo a garantias de que não voltará a ser atacado (muito dificilmente isso seria viável no presente momento). A nova alta do petróleo tem provocado queda nas bolsas globais e maior aversão ao risco, com investidores preocupados com o impacto inflacionário e seus efeitos sobre a política monetária.
· 00:57 — Uma inflação surpreendente
No Brasil, os dados mais recentes reforçam um quadro de atividade e inflação um pouco mais pressionado do que o esperado, o que acaba reduzindo o espaço para um corte mais agressivo de juros na próxima reunião do Copom. As vendas no varejo divulgadas ontem vieram acima das expectativas, sinalizando uma atividade econômica ainda resiliente.
Para piorar, o IPCA de fevereiro registrou nesta manhã alta de 0,7% no mês, acima da projeção de 0,6% do mercado, confirmando a leitura já mais pressionada indicada pela prévia. Na prática, essa combinação praticamente consolida a expectativa de um corte mais cauteloso, de apenas 25 pontos-base na semana que vem, possivelmente acompanhado de um discurso mais conservador por parte do Banco Central. Esse cenário tende a reforçar a percepção de que o ciclo de afrouxamento monetário pode ser mais gradual, especialmente diante da recente alta do petróleo e da dificuldade de prever a duração do conflito no Oriente Médio. Nesse contexto, cresce também a possibilidade de um reajuste nos combustíveis pela Petrobras, o que adicionaria novas pressões inflacionárias no curto prazo.
Uma inflação mais elevada também tende a complicar ainda mais o ambiente político e econômico para o governo, que até agora não conseguiu colher os resultados esperados do pacote de estímulos implementado com vistas ao ciclo eleitoral, incluindo a proposta de ampliação da isenção do Imposto de Renda. Nesse cenário, ganhou destaque a mais recente pesquisa Genial/Quaest, que apontou empate entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, sinalizando um ambiente político mais competitivo e aumentando a probabilidade de uma possível mudança no pêndulo político. Um cenário desse tipo poderia abrir espaço para um debate mais fiscalista, tema particularmente relevante para o mercado, já que a percepção de fragilidade das contas públicas foi um dos fatores que mantiveram a curva de juros brasileira pressionada por tanto tempo. Ainda assim, esse é um debate que permanece distante e cercado de incertezas.
No curto prazo, o que tem predominado é a combinação de risco geopolítico elevado, pressão nos preços do petróleo e surpresas na atividade e na inflação, fatores que ajudam a explicar a abertura do dia com juros em alta e maior pressão sobre os ativos de risco domésticos.
· 01:44 — Um número velho
Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor e fevereiro veio em linha com as expectativas, mostrando inflação de 2,4% em 12 meses e 2,5% no núcleo, sugerindo um quadro ainda relativamente estável antes da escalada do conflito no Oriente Médio. No entanto, o dado rapidamente perdeu relevância diante da disparada do petróleo e que deve pressionar a inflação nos próximos meses por meio de energia, alimentos e transporte. Ou seja, o número envelheceu rápido. Alguns componentes já indicavam pressão antes mesmo do choque do petróleo, enquanto o impacto gradual das tarifas comerciais também começa a aparecer em bens como eletrodomésticos e vestuário.
Agora, o foco do mercado se desloca para o PCE — a medida de inflação preferida do Federal Reserve — cujo núcleo pode ter avançado cerca de 0,4% no mês e 3,1% em termos anuais, reforçando a expectativa de que o Fed mantenha os juros onde estão enquanto monitora os efeitos inflacionários do choque energético.
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· 02:31 — Liberação recorde
A Agência Internacional de Energia anunciou a maior liberação coordenada de reservas estratégicas da história, com 400 milhões de barris, em resposta à grave interrupção no fornecimento global causada pelo conflito com o Irã e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, que retirou até 16 milhões de barris por dia do mercado. Apesar da medida, que mais que dobra o recorde anterior de 182 milhões de barris, o petróleo continuou subindo acima de US$ 100 por barril, refletindo dúvidas sobre a eficácia da iniciativa e a ausência de uma estratégia clara para reabrir a principal rota energética do mundo. Pragmaticamente, eles podem até ganhar tempo, mas a reabertura de Ormuz é a única solução, embora ainda não haja sinais claros de quando isso poderá ocorrer.
· 03:28 — Condições
O Irã sinalizou por meio de intermediários que aceitaria um cessar-fogo apenas se os Estados Unidos garantirem que nem Washington nem Israel voltarão a atacar o país, condição cuja viabilidade me parece baixa. Enquanto negociações informais avançam com mediação de países europeus e do Oriente Médio, o conflito já deixou quase 2 mil mortos e agravou a crise energética global. O Estreito de Ormuz permanece praticamente bloqueado, após ataques, minas e ameaças iranianas a embarcações comerciais, retirando cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia do mercado e elevando os preços em cerca de 40%, com mais pessimistas projetando cenários de até US$ 150 por barril. Apesar da liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas pela Agência Internacional de Energia, o desbloqueio da rota, crucial para o comércio global de petróleo, segue complexo, levando os EUA a considerar escolta militar a petroleiros e programas de seguro para incentivar a navegação na região.
· 04:16 — Esgotamento de tração?
Apesar de ainda apresentar crescimento robusto e inflação controlada, com o PIB avançando 7,8% no último ano, a Índia começa a enfrentar pressões crescentes em seus mercados financeiros. Mesmo antes da escalada do conflito no Golfo e do risco ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, o país já lidava com desafios como desvalorização da rupia, saída líquida de capital pelo segundo ano consecutivo e múltiplos elevados nas ações, que historicamente negocia com prêmio em relação a outros emergentes. A combinação de política fiscal mais austera, realização de lucros por investidores estrangeiros e menor fluxo de capital internacional vem reduzindo o suporte aos ativos indianos, que ficaram para trás na recente alta dos emergentes. Embora a trajetória estrutural de longo prazo da economia indiana permaneça robusta, o país pode enfrentar um período mais desafiador para seus mercados, à medida que se adapta a um ambiente global no qual os fluxos se tornaram menos automáticos.
· 05:09 — Mesmo com a volatilidade de março, uma estratégia segue gerando renda e valor no longo prazo
Uma das séries de que mais me orgulho de participar aqui na Empiricus é o Double Income. No ar desde 2018, as carteiras dessa estratégia, voltadas para geração de renda e construção de patrimônio no longo prazo, entregaram entre 135% e 140% do CDI até o fechamento de fevereiro, com base em uma seleção de ativos de qualidade capazes de distribuir proventos de maneira consistente. Essa característica confere à estratégia um perfil mais previsível e, em geral, mais resiliente em períodos de maior turbulência, como o que observamos desde o começo de março, quando a volta das tensões geopolíticas aumentou a volatilidade dos mercados globais.
Foi justamente a partir dessa experiência que surgiu a Carteira Automatizada Renda Extra, composta por 10 a 15 ativos brasileiros selecionados com um objetivo muito claro: ajudar o investidor a construir uma fonte recorrente de renda passiva ao longo do tempo. A carteira reúne ativos que distribuem dividendos, juros e outros proventos, formando um fluxo potencial de recebimentos periódicos que pode, se o investidor desejar, ser reinvestido automaticamente, ampliando o efeito da capitalização composta. Inspirada no Double Income, a estratégia combina renda fixa, ações e fundos imobiliários, com rebalanceamentos automáticos e periódicos, de forma a manter a alocação aderente à proposta original e focada na geração consistente de renda, sem abrir mão do potencial de valorização patrimonial no longo prazo.
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