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Investimentos

Ibovespa hoje: conflito no Irã, petróleo e mais do 4T25; veja o que ficar de olho no mercado nesta segunda (2)

O Irã deve passar por uma mudança de regime após os ataques dos EUA e Israel neutralizarem o aiatolá Ali Khamenei. Veja mais.

Por Matheus Spiess

02 mar 2026, 10:04

Atualizado em 02 mar 2026, 10:04

petroleo petroleira

Imagem: iStock.com/Igors Aleksejevs

Uma possível mudança de regime pode estar em curso no Irã após a neutralização do aiatolá Ali Khamenei e de outras lideranças centrais em ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel, um choque geopolítico de grande magnitude, mas ainda sem um roteiro claro para o que vem depois. Historicamente, o que costuma separar sustos passageiros de crises mais duradouras nos mercados é, sobretudo, o impacto efetivo sobre a oferta de petróleo: choques prolongados (como o de 1973) tendem a gerar efeitos mais profundos, enquanto episódios rapidamente contidos, especialmente quando o risco ao suprimento é neutralizado, muitas vezes acabam se convertendo em janelas de oportunidade. Por ora, o Brent chegou a avançar mais de 12% na reabertura, ultrapassando US$ 80, e algumas projeções apontam para níveis próximos de US$ 100 caso haja interrupção prolongada no Estreito de Ormuz; ao mesmo tempo, o aumento de produção sinalizado pela Opep+ parece ter efeito limitado diante do risco logístico.

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Em paralelo, Donald Trump tem alternado mensagens sobre os objetivos finais da ofensiva: em alguns momentos, fala em continuidade por semanas e em mudança de regime; em outros, sugere abertura para conversar com uma eventual nova liderança iraniana. Enquanto isso, retaliações e tensões se espalham pela região, elevando a pressão por clareza estratégica — um fator crucial para reduzir o “prêmio de guerra” embutido nos ativos. Soma-se a isso uma agenda macroeconômica cheia, com payroll nos EUA, PMIs nas principais economias europeias, Livro Bege do Fed, ata do BCE e as sessões do Congresso Nacional Popular da China, e a temporada de resultados.

· 00:57 — O que está acontecendo?

No fim de semana, Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra alvos estratégicos no Irã, incluindo instalações militares e nucleares, em uma ofensiva voltada a enfraquecer de maneira estrutural a capacidade militar do regime iraniano. De acordo com os comunicados oficiais, lideranças centrais foram neutralizadas, entre elas o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, além de integrantes do alto comando militar. A reação de Teerã foi imediata, com o lançamento de mísseis e drones contra bases americanas no Golfo e alvos em Israel, ampliando significativamente a tensão regional. O conflito provocou o fechamento temporário de espaços aéreos no Oriente Médio, paralisação de rotas comerciais relevantes, forte alta do petróleo e elevação perceptível do risco geopolítico global, enquanto lideranças internacionais passaram a defender contenção diante da possibilidade de uma escalada mais ampla.

Ao autorizar a ofensiva, Donald Trump consolidou uma inflexão relevante em relação ao discurso “América Primeiro” que marcou sua ascensão política, tradicionalmente associado a menor disposição para intervenções militares prolongadas no exterior. Em seu segundo mandato, porém, o presidente vem adotando postura mais assertiva e intervencionista no campo internacional, acumulando ações externas e tensionando inclusive relações com aliados históricos. A operação conjunta com Israel simboliza essa mudança e adiciona risco político doméstico às vésperas das eleições de meio de mandato, sobretudo diante da possibilidade de conflito prolongado, eventuais baixas americanas e pressão adicional sobre os preços de energia.

O Irã passou a tratar o embate como uma ameaça existencial, ampliando as retaliações e reforçando o temor de uma escalada regional com impactos diretos sobre o fornecimento global de petróleo — que já vinha acumulando alta relevante no ano. Trump declarou que a ofensiva pode se estender por até quatro semanas e que continuará até que os objetivos estratégicos sejam alcançados (novo acordo nuclear), ao mesmo tempo em que enfrenta críticas internas sobre a ausência de um plano claro para o período posterior ao conflito. O tema mobiliza a comunidade internacional, incluindo debates no âmbito da AIEA, e mantém os mercados sensíveis a cada novo desdobramento, em um ambiente de elevada incerteza geopolítica e energética.

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· 01:51 — Desdobramentos para o mercado

Embora o Estreito de Ormuz nunca tenha sido totalmente fechado nas últimas décadas — mesmo sob tensão aguda —, o momento atual é visto como atípico pelo nível de ataques na região e pela possibilidade de um envolvimento militar mais prolongado. Trata-se de uma rota crítica: por ali escoa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo (algo como 15 milhões de barris por dia), além de volumes relevantes de gás natural liquefeito (LNG) do Catar. Um bloqueio completo segue sendo um cenário extremo, mas não pode ser descartado. Se isso acontecesse, não seria difícil imaginar o Brent se aproximando de US$ 125 por barril; no extremo oposto, uma estabilização política rápida poderia devolver os preços para a região de US$ 60. Entre esses dois polos, o cenário mais provável parece ser um “meio do caminho”: fluxo sob ameaça, prêmio de risco alto e petróleo orbitando níveis como US$ 80, mesmo com tentativas da OPEP+ de elevar a oferta — um esforço que tem efeito limitado diante dos riscos logísticos. Vale notar que, no momento, a principal restrição não parece ser um bloqueio militar formal, mas sim a paralisia do transporte marítimo pela retirada (ou encarecimento) da cobertura de seguros contra risco de guerra.

Nesse contexto, os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã — e as retaliações subsequentes — elevaram o risco geopolítico e adicionaram ao petróleo um “prêmio de guerra” estimado entre US$ 4 e US$ 10 por barril. O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia e direciona a maior parte de suas exportações à China; além disso, há décadas enfrenta suspeitas sobre ambições nucleares, o que amplia a complexidade estratégica do conflito. Em síntese, enquanto a incerteza em torno de Ormuz persistir, o petróleo tende a negociar com prêmio de risco elevado — mantendo pressão inflacionária global e ampliando a volatilidade dos ativos —, o que costuma favorecer energia e posições de proteção (como ouro e dólar) e recomendar cautela adicional tanto para bolsas quanto para a velocidade esperada de cortes de juros.

· 02:33 — Depois do IPCA-15…

No Brasil, a semana ganha relevância com a divulgação de dados importantes de atividade e emprego, após o Caged — inicialmente previsto para a última sexta-feira — ter sido adiado para terça-feira, além do PIB, que também ajudará a calibrar as expectativas para o ritmo da economia. Encerramos fevereiro com um pregão mais negativo, em contraste com o bom desempenho acumulado no mês. A combinação de um IPCA-15 acima do esperado (0,84% em fevereiro, levando o acumulado em 12 meses a 4,10%) e da escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã elevou a percepção de risco e reduziu o espaço para cortes mais acelerados da Selic. Os juros futuros avançaram e o Ibovespa recuou no pregão, embora ainda tenha encerrado fevereiro com alta próxima de 4% e acumule valorização ao redor de 17% no ano.

No campo corporativo, a temporada de balanços segue intensa, com destaque para a Petrobras na quinta-feira, além de resultados de empresas como Stone, Rumo, Ultrapar, Magazine Luiza, Localiza e Embraer ao longo da semana. Na agenda política, o presidente da Câmara, Hugo Motta, busca avançar com a PEC da Segurança Pública, enquanto o presidente Lula deve discutir com Geraldo Alckmin e Fernando Haddad a definição de candidaturas, em um momento de maior fragilidade do governo nas pesquisas, como vimos no levamento da Paraná Pesquisa da última sexta-feira.

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· 03:26 — Nova rodada de preocupações

Nos Estados Unidos, as preocupações com o chamado “SaaSpocalypse” voltaram a pesar sobre o setor de tecnologia, interrompendo a recuperação observada nos últimos pregões: na sexta-feira, o ETF de software IGV recuou 1,3%, enquanto a Nvidia aprofundou as perdas (acumulando quase -10% em dois pregões), arrastando também nomes como Apple e Meta. O movimento ocorreu em um ambiente já mais carregado: o petróleo voltou a subir diante do risco geopolítico no Oriente Médio e o PPI americano veio acima do esperado, reforçando a leitura de que a inflação segue resistente e, portanto, pode adiar o início — ou reduzir o ritmo — de cortes de juros pelo Fed. O resultado foi um pregão mais defensivo em Nova York.

Fora da tecnologia, o estresse se espalhou para o setor financeiro: o índice KBW Nasdaq Bank caiu 4,9% após alertas sobre vulnerabilidades no crédito privado e o risco de novas inadimplências, reacendendo temores de contágio. Em contraste, poucas ações conseguiram escapar do mau humor — com Amazon e Alphabet fechando em alta, apoiadas por manchetes positivas ligadas à OpenAI. Com a temporada de balanços entrando na reta final (mais de 90% do S&p 500 já reportou), o mercado volta a procurar novos catalisadores, como o payroll e os PMIs da semana, além de resultados relevantes de CrowdStrike, Target, Broadcom e Costco.

· 04:12 — Novidades entre as gigantes de IA

O Departamento de Defesa dos EUA rompeu com a Anthropic após a empresa se recusar a flexibilizar restrições sobre o uso de sua IA em vigilância doméstica em massa e armas autônomas, classificando-a como risco para a cadeia de suprimentos, e fechou acordo semelhante com a OpenAI, como alternativa, que afirmou ter mantido princípios como proibição de vigilância em massa e responsabilidade humana no uso da força em seu contrato para operar em rede classificada – Sam Altman saiu na frente dessa vez. O episódio evidencia a disputa sobre quem define as regras no uso militar da IA, em um contexto em que o governo depende de empresas privadas para tecnologia de ponta, enquanto estas equilibram contratos públicos e reputação comercial. Paralelamente, a OpenAI anunciou uma rodada histórica de US$ 110 bilhões — com aportes de Amazon (até US$ 50 bi), Nvidia e SoftBank — que avalia a companhia em US$ 730 bilhões, reforçando a corrida por capital, poder computacional e liderança em uma indústria que avança mais rápido que sua regulação.

· 05:04 — O nosso bom e velho Kit Geopolítico voltou a funcionar

Os mercados globais atravessaram um período de volatilidade intensa diante do risco de escalada do conflito no Oriente Médio. O petróleo reagiu imediatamente: o Brent chegou a avançar cerca de 10%, enquanto o gás natural europeu disparou até 28%, refletindo o temor de interrupção prolongada no Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, observou-se o movimento clássico de aversão ao risco: fortalecimento do dólar, ouro acima de US$ 5.390 a onça e queda das bolsas (futuros do S&P 500 e o MSCI Ásia recuando). Em ambientes como este, os preços passam a refletir probabilidades — entre uma solução diplomática relativamente rápida e um conflito regional mais amplo, com potencial de gerar uma crise energética de maiores proporções.

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Após os …

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.