1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Investimentos

Ibovespa hoje: Copom vai mesmo cortar a Selic? Veja o que esperar desta Super Quarta (18)

Enquanto os bancos centrais do Brasil e EUA se reúnem para suas respectivas decisões monetárias, os ecos do conflito no Irã tomam outros desdobramentos. Leia mais.

Por Matheus Spiess

18 mar 2026, 10:00

mercado ibovespa ações bolsa b3

Imagem: iStock.com/sankai

As bolsas globais avançaram pelo terceiro dia consecutivo, em um movimento que sugere uma tentativa dos investidores de reconstruir algum grau de estabilidade em meio a um cenário que permanece, no fundo, bastante incerto. Parte desse alívio foi favorecida pelo recuo dos preços do petróleo, após o Iraque firmar um acordo para retomar exportações via Turquia, criando uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz, além do aumento recente dos estoques nos Estados Unidos. Esse movimento ajudou a reduzir, ainda que temporariamente, parte das preocupações com a inflação e deu sustentação aos ativos de risco em diferentes regiões, com altas observadas nos mercados americano, europeu e asiático. Ainda assim, seria precipitado interpretar esse comportamento como um retorno pleno do apetite por risco. O ambiente segue mais marcado pela cautela do que pelo otimismo, com os investidores, em grande medida, escolhendo relevar o ruído geopolítico no curtíssimo prazo enquanto aguardam sinais mais concretos por parte dos bancos centrais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

É justamente nesse contexto que a atenção se volta para a “Super Quarta”, com decisões de política monetária tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. No caso americano, a expectativa predominante é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve, mas o foco real estará na comunicação de Jerome Powell, especialmente no que diz respeito aos efeitos da alta do petróleo sobre a inflação e à leitura do Fed sobre a atividade econômica. No Brasil, o Copom também se depara com um ambiente mais delicado, no qual a elevação dos preços de energia pressiona as expectativas inflacionárias e reduz o espaço para um ciclo mais agressivo de cortes na Selic.

· 00:56 — Uma decisão difícil

Por aqui, as atenções se concentram na decisão do Copom, a ser anunciada após o fechamento do mercado. O Banco Central enfrenta um equilíbrio delicado: de um lado, há a sinalização prévia de início do ciclo de cortes, já parcialmente incorporada aos preços; de outro, o cenário se tornou mais desafiador nas últimas semanas, com atividade econômica mais forte do que o esperado, inflação acima do projetado, pressão relevante nos preços do petróleo e a reemergência de riscos domésticos. Nesse contexto, a expectativa predominante segue sendo de um corte de 25 pontos-base, em linha com o que tenho destacado recentemente e já precificado pelo mercado. A principal incerteza, no entanto, reside no tom da comunicação, que será complementada pela ata na próxima semana. Um discurso excessivamente flexível pode pressionar o câmbio e, por consequência, as expectativas de inflação; por outro lado, uma sinalização mais dura tende a afetar negativamente os ativos e a atividade.

Apesar desse pano de fundo mais complexo, o fluxo estrangeiro continua sendo um vetor de sustentação importante, com entrada acumulada de R$ 45,1 bilhões no ano, mantendo o “carry trade” atrativo mesmo diante de eventuais cortes na Selic. Ainda assim, o cenário doméstico ganhou um elemento adicional de incerteza: em meio à escalada do diesel, caminhoneiros voltaram a sinalizar a possibilidade de uma paralisação nacional nos próximos dias, reacendendo memórias do episódio de 2018 e adicionando pressão ao ambiente econômico e político. A insatisfação da categoria persiste mesmo após mais de 300 dias sem reajustes, com a recente alta de 11,6% promovida pela Petrobras e a perspectiva de novos aumentos contribuindo para elevar a tensão. Embora movimentos semelhantes não tenham tido sucesso desde 2018, o risco, por si só, já é suficiente para incomodar os investidores, sobretudo pelo potencial de impacto inflacionário e pelas possíveis respostas fiscais do governo, que poderiam deteriorar ainda mais o equilíbrio das contas públicas.

· 01:42 — Qual será o tom adotado?

Nos Estados Unidos, as ações voltaram a subir ontem, na véspera da conclusão da reunião do Federal Reserve, registrando uma sequência positiva mesmo em meio à guerra, ajudados principalmente pelo recuo do petróleo após máximas recentes, ainda que o barril siga acima de US$ 100. Com isso, o foco dos investidores se desloca para a decisão de política monetária do Fed, que deve manter os juros inalterados entre 3,5% e 3,75% (haverá votos dissidentes). Antes disso, dados de inflação ao produtor (PPI) também entram no radar: números mais fracos podem aliviar temores inflacionários, enquanto leituras mais fortes tendem a pressionar o Fed e os ativos de risco.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mais do que a decisão em si, a atenção estará voltada para o tom do Fed e suas projeções econômicas, especialmente em um ambiente marcado por guerra, petróleo elevado e inflação ainda persistente. O mercado já espera revisões para cima na inflação e para baixo no crescimento, o que coloca o banco central em uma posição delicada entre atividade e preços. Nesse contexto, a expectativa é de que Jerome Powell adote um discurso cauteloso, reforçando a necessidade de paciência, enquanto monitora os impactos da guerra e das tarifas, elementos que podem manter a inflação pressionada e dificultar uma flexibilização mais rápida dos juros.

· 02:38 — O conflito avança

A guerra no Oriente Médio continua a se intensificar, com desdobramentos tanto militares quanto políticos. Israel neutralizou Ali Larijani, que era Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, uma figura central do regime iraniano, o que representa mais um golpe significativo na liderança do país e pode fortalecer alas mais radicais, reduzindo as chances de negociação. Ao mesmo tempo, o conflito segue pressionando os preços do petróleo, embora sinais pontuais, como a liberação parcial de navios pelo Estreito de Ormuz, tragam algum alívio marginal aos mercados. Ainda assim, apenas 15 navios cruzaram o estreito nos últimos três dias, evidenciando a dificuldade de normalização do fluxo na região.

Nos Estados Unidos, a escalada também começa a gerar tensões internas e externas. A renúncia de um alto funcionário antiterrorismo em protesto contra a guerra evidencia divisões dentro do próprio governo, enquanto aliados tradicionais resistem aos pedidos de apoio militar de Donald Trump, criticando a condução do conflito (lembre-se que outra preocupação do presidente é com a eleição de meio de mandato). Com baixas crescentes e sem sinais claros de desescalada, o cenário permanece altamente incerto, tanto do ponto de vista geopolítico quanto para os mercados globais.

· 03:24 — Crise hídrica

Além de pressionar o petróleo, o conflito com o Irã começa a expor uma vulnerabilidade ainda mais crítica no Oriente Médio: o abastecimento de água. Ataques recentes a usinas de dessalinização, essenciais para transformar água do mar em potável em países do Golfo, elevam o risco de uma crise hídrica em uma região já estruturalmente escassa em recursos. Com países como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Qatar altamente dependentes dessa tecnologia, qualquer dano à infraestrutura pode afetar milhões de pessoas. Embora o direito internacional proíba esse tipo de alvo, há precedentes na região, e o risco de a água se tornar uma nova frente de conflito cresce à medida que a guerra se intensifica, adicionando uma camada adicional de instabilidade geopolítica.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

· 04:17 — O próximo a cair

Cuba enfrenta uma crise econômica e energética severa, agravada por restrições às importações de petróleo impostas pelos Estados Unidos, o que levou a apagões generalizados e colapso de serviços básicos. Diante desse cenário, o governo cubano sinaliza uma possível abertura a investimentos estrangeiros, especialmente de cubano-americanos, e já iniciou medidas como a liberação de presos, em uma tentativa de aliviar pressões e viabilizar negociações com Washington. Ao mesmo tempo, cresce a especulação sobre mudanças políticas mais profundas, incluindo até a possível saída do presidente Miguel Díaz-Canel, como parte de um acordo mais amplo para normalizar relações econômicas com os EUA.

Do lado americano, a estratégia parece combinar pressão econômica intensa com abertura condicional, possivelmente visando uma transição de regime, aos moldes do que fez na Venezuela, ou maior influência sobre a ilha. No entanto, o desfecho ainda é incerto: qualquer acordo deve exigir concessões relevantes de Cuba, como reformas políticas e econômicas, enquanto o histórico recente de intervenções dos EUA sugere que os resultados podem não necessariamente levar a uma democratização plena. Em meio a esse cenário, a crise cubana se torna mais um capítulo da disputa geopolítica atual, com implicações difíceis de prever tanto para a política regional.

· 05:01 — Se protegendo da inflação

A escalada recente das tensões geopolíticas recolocou no centro do debate uma preocupação recorrente para os investidores: o impacto do petróleo sobre a inflação. Quando os preços da energia sobem, esse movimento tende a se propagar rapidamente por toda a economia, encarecendo transporte, elevando custos de produção e, ao fim, pressionando o custo de vida. Esse efeito em cadeia dificulta o processo de desinflação e leva bancos centrais, como o Banco Central brasileiro e o Federal Reserve, a adotarem uma postura mais cautelosa na condução da política monetária. Para o investidor, isso se traduz em um ambiente mais incerto, no qual tanto a trajetória da inflação quanto a dos juros tornam-se menos previsíveis.

Nesse contexto, ativos atrelados à inflação voltam a ganhar relevância como instrumentos de proteção. Um exemplo é o ETF Inflação ANBIMA Curta do BTG Pactual (PACC11), que investe em títulos públicos indexados ao IPCA (NTN-Bs) de prazos mais curtos. Esses papéis oferecem proteção direta contra a inflação, com menor volatilidade em comparação aos títulos de maior duration, além de potencial de geração de retorno real ao longo do tempo. O produto também apresenta uma estrutura eficiente do ponto de vista operacional, com isenção de IOF e come-cotas, alíquota única de imposto de renda de 15% (retida na fonte), liquidez em D+1 e baixo custo (taxa de administração de 0,19% ao ano). Na prática, trata-se de uma alternativa acessível e equilibrada para preservar o poder de compra, combinando proteção, previsibilidade e potencial de retorno.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.