Imagem: iStock.com/MicroStockHub
Os mercados globais iniciaram o mês de abril em recuperação após as perdas observadas em março, sustentados por sinais de que o governo de Donald Trump poderia caminhar para o encerramento do conflito com o Irã.
Esse otimismo, no entanto, foi rapidamente revertido após um discurso lido como mais duro de Trump, que frustrou as expectativas de desescalada ao sinalizar a intensificação dos ataques contra o Irã nas próximas semanas.
A reação dos mercados foi imediata: o petróleo voltou a subir com força, superando novamente os US$ 105 por barril, enquanto as bolsas globais recuaram, o dólar se fortaleceu e as taxas de juros avançaram, refletindo uma nova rodada de aversão ao risco.
Na ausência de sinais concretos de reabertura do Estreito de Ormuz e com o Irã, inclusive, avançando em mecanismos que ampliam seu controle sobre a região, ganha força a percepção de uma crise mais prolongada de oferta de energia.
Ao mesmo tempo, o reforço militar dos Estados Unidos e a divergência do mercado quanto à leitura do discurso adicionam camadas adicionais de incerteza. Em síntese, o cenário atual combina dados econômicos ainda resilientes com um pano de fundo geopolítico instável, no qual o petróleo reassume protagonismo e passa a ditar, em grande medida, o humor dos mercados globais.
· 00:58 — Afetado pelo humor internacional
Na véspera do feriado da Sexta-feira Santa, o mercado local acompanha a divulgação do dado de produção industrial, embora, na prática, o principal vetor de preço continue sendo o ambiente internacional.
Ontem, iniciamos o mês de abril em tom positivo, acompanhando o movimento externo diante da percepção de uma possível descompressão do conflito no Oriente Médio. Havia, contudo, grande expectativa em torno do pronunciamento de Donald Trump durante a noite, que acabou frustrando os investidores ao não oferecer a clareza esperada sobre o desfecho da guerra. Como consequência, na ausência de novas notícias que revertam esse quadro, a tendência é de continuidade do mau humor internacional, com reflexos no mercado doméstico.
Esse impacto já começa a se materializar na economia real. A Petrobras confirmou um aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), o maior da série histórica, refletindo o choque nos preços do petróleo. Ainda que o reajuste ocorra de forma parcelada, seu efeito é relevante e tende a se espalhar ao longo da cadeia.
Em breve, teremos pressão de outros combustíveis, o que afetará ainda mais custos de transporte e, em um segundo momento, os preços de alimentos, até porque insumos como fertilizantes também são impactados. Como consequência, o aumento das expectativas de inflação tende a exigir juros mais elevados por mais tempo, reduzindo o espaço para cortes mais agressivos.
Nesse contexto, quanto mais cedo houver uma resolução do conflito, melhor; porém, o horizonte segue incerto. Ainda assim, algumas casas internacionais avaliam que o Brasil está entre os emergentes mais bem posicionados para um cenário de pós-guerra, beneficiado por sua condição de exportador de petróleo, o que ajudou a sustentar o desempenho recente. Com a eventual normalização, ativos domésticos podem se recuperar com a retomada do ciclo de cortes de juros, embora o petróleo provavelmente demore mais a retornar aos níveis pré-conflito, carregando consigo um prêmio de risco geopolítico mais elevado.
- LEIA MAIS: Criptomoedas em alta, baixa ou ‘estacionadas’? Não importa, o novo robô SOROS busca lucros de maneira automática em qualquer cenário; veja como
· 01:49 — O tom não agradou
O preço do petróleo voltou a subir com força, superando os US$ 105, após Donald Trump não sinalizar uma desescalada clara do conflito com o Irã nas próximas semanas, frustrando a expectativa de uma solução rápida.
O principal problema segue sendo o Estreito de Ormuz, que permanece praticamente fechado, restringindo o fluxo de energia e mantendo os preços elevados. A comunicação ambígua de Trump, entre promessas de endurecimento e afirmações de que a guerra está próxima do fim, aumenta a incerteza dos investidores.
Mesmo em um cenário positivo, a normalização não deve ser imediata, já que danos à infraestrutura e riscos de segurança podem prolongar as interrupções. Com o petróleo já acumulando alta superior a 40%, crescem os temores de inflação mais elevada, e o mercado passa a se posicionar de forma mais defensiva, refletindo um ambiente de grande incerteza e volatilidade.
Confesso que, quando o discurso terminou, cheguei a pensar: “podia ter sido pior”. Isso porque temia uma abordagem ainda mais agressiva do presidente Trump, com a possibilidade de novos ataques a aliados históricos, algo que ele já fez no passado e poderia voltar a fazer agora, ou até mesmo declarações mais duras contra a OTAN (o que ainda pode acontecer no futuro).
Sempre fui, entretanto, realista e, tendo acompanhado de perto tanto o primeiro mandato quanto o atual, me parecia claro que esperar um fim imediato da guerra seria, no mínimo, ingênuo. Ainda assim, o mercado, ansioso como sempre, parece ter comprado essa possibilidade. E é justamente daí que nasce o estresse de hoje, à medida que essa expectativa vai sendo frustrada.
Do ponto de vista mais pragmático, ainda estamos dentro do prazo inicialmente mencionado, no começo do conflito, de quatro a seis semanas. Segundo o próprio presidente, a guerra pode durar mais duas ou três semanas adicionais. Se forem três, isso representaria apenas uma extensão marginal em relação ao cronograma original — nada que, por si só, justificasse uma reação tão intensa. O que incomoda, na verdade, é a falta de clareza. Não temos visibilidade sobre o cronograma, tampouco sobre os objetivos finais, e sabemos que existe, sim, risco de escalada, especialmente considerando o peso do fator político e o humor do próprio presidente.
Do lado iraniano, há sinais de tentativa de descompressão, com declarações mais conciliatórias por parte de seu presidente, Masoud Pezeshkian, mas esse processo não é simples. Trump, ao que tudo indica, buscará encerrar o conflito em uma posição de força, para sair por cima. E é justamente isso que parece orientar o tom atual. Isso não significa que uma escalada mais severa, como uma eventual invasão terrestre, esteja completamente fora de questão; embora, na minha avaliação, esse seja um cenário de baixa probabilidade. Em outras palavras, é possível, mas improvável.
Talvez o próprio governo americano já tenha percebido que o conflito não entregou exatamente o que se esperava inicialmente e, enquanto busca reorganizar a narrativa, como já vimos em outros momentos, endurece o discurso para tentar construir uma saída politicamente favorável. O problema é que esse tom mais belicoso e ameaçador dificulta a construção de pontes entre os países e acaba prolongando o processo. Ainda acredito que, no fim, haverá algum grau de normalização, mas esse caminho tende a ser mais longo e mais irregular do que o mercado gostaria. Até porque, a cada dia que passa, maior tende a ser o legado econômico e geopolítico desse episódio.
· 02:34 — Choques inflacionários
O choque recente nos preços do petróleo, desencadeado pelo conflito com o Irã, trouxe de volta aos mercados um ambiente que remete, em alguma medida, à estagflação dos anos 1970; isto é, a combinação de crescimento mais fraco com inflação mais elevada, historicamente um dos cenários mais desafiadores para os ativos financeiros.
Nesse contexto, observamos movimentos bastante característicos: ações ligadas a petróleo e commodities ganharam força, empresas mais resilientes e com valuations mais atrativos (as chamadas ações de valor) passaram a superar os papéis de crescimento, e tanto bolsas quanto títulos sofreram quedas simultâneas. Até mesmo estratégias mais defensivas, como investimentos voltados à geração de dividendos, voltaram a ganhar relevância.
O paralelo com a década de 1970 ajuda a dimensionar os riscos, já que, naquele período, sucessivos choques de oferta de petróleo mantiveram a inflação elevada por anos e limitaram o desempenho dos mercados. Ainda assim, é importante destacar que o cenário atual, embora guarde semelhanças, não configura uma repetição direta daquele episódio.
Isso se deve, sobretudo, a um ponto de partida mais favorável da economia global. O choque atual tende a ser mais localizado e, potencialmente, menos persistente, em um contexto em que a economia mundial é menos dependente de energia do que no passado. Além disso, o mercado de trabalho já apresenta sinais de desaceleração, o crescimento dos salários ocorre de forma mais moderada e as expectativas de inflação permanecem relativamente bem ancoradas, fatores que reduzem o risco de uma espiral inflacionária mais duradoura. Na prática, o efeito mais provável é um aumento temporário da inflação, acompanhado por perda de renda real, desaceleração da atividade e alguma pressão adicional sobre o emprego. Diante desse quadro, bancos centrais como o Federal Reserve tendem a adotar uma postura mais cautelosa, evitando respostas excessivamente contracionistas e, eventualmente, podendo até considerar cortes de juros caso o impacto sobre o crescimento se intensifique. Em síntese, embora o ambiente demande atenção, ele também sugere que os riscos, neste momento, são mais contidos do que em episódios históricos mais extremos.
· 03:22 — Crise humanitária
A intensificação do conflito no Oriente Médio já começa a produzir uma crise humanitária de grandes proporções, com centenas de milhares de pessoas sendo forçadas a deixar suas casas no Irã e no Líbano, em um movimento que pode evoluir para uma nova onda expressiva de refugiados na região. O quadro se torna ainda mais grave porque esses países já conviviam, antes mesmo da escalada atual, com a presença de milhões de deslocados e refugiados, o que amplia a pressão sobre a infraestrutura local, os serviços básicos e a capacidade de acolhimento.
Ao mesmo tempo, diferentemente do que se viu em crises anteriores, Europa e Estados Unidos vêm adotando uma postura mais restritiva em relação à entrada de refugiados, priorizando o envio de ajuda humanitária à distância, justamente em um momento em que os recursos disponíveis se mostram cada vez mais escassos. Como consequência, cresce o risco de agravamento da falta de alimentos, abrigo, atendimento médico e condições mínimas de sobrevivência, especialmente em uma região que já enfrentava instabilidade e carências estruturais. Em outras palavras, trata-se de uma crise que não se limita ao campo militar: ela carrega um potencial humanitário profundo, duradouro e de difícil resolução no curto prazo.
- Empiricus+: As principais recomendações da casa em uma única assinatura “streaming”; clique para conhecer e testar gratuitamente.
· 04:15 — De volta à Lua
A missão Artemis II, da NASA, foi lançada com sucesso, levando quatro astronautas em uma jornada de 10 dias ao redor da Lua, o primeiro voo tripulado desse tipo em mais de 50 anos. Trata-se de um marco relevante dentro da estratégia de longo prazo de retomada da presença humana no satélite, com o objetivo de estabelecer uma base permanente nos próximos anos. A missão deve levar a tripulação mais distante da Terra do que qualquer outra na história, servindo como etapa preparatória para operações mais complexas, incluindo pousos lunares previstos a partir de 2027.
Além do avanço científico, esse movimento reforça o potencial de crescimento do setor espacial como um todo. A intensificação das missões, o desenvolvimento de novas tecnologias e a ampliação da infraestrutura fora da Terra tendem a impulsionar oportunidades para empresas ligadas à exploração espacial, telecomunicações e soluções orbitais. Em outras palavras, trata-se não apenas de um feito histórico, mas também de um vetor relevante de investimento em uma indústria que ganha escala e relevância estratégica no cenário global.
Sob a ótica de alocação, esse movimento também reforça o apelo de algumas teses temáticas ligadas à nova corrida espacial. Um exemplo é o ETF ARK Space Exploration & Innovation (ARKX), já mencionado anteriormente, que reúne empresas expostas à exploração espacial, à infraestrutura orbital e a tecnologias adjacentes de inovação.
Ainda assim, vale reforçar a necessidade de cautela: investimentos temáticos tendem a concentrar expectativas elevadas, podem apresentar movimentos intensos no curto prazo e exigem disciplina para evitar excessos na exposição. Em uma estratégia de longo prazo, alocações moderadas, tipicamente entre 1% e 2,5% da carteira, com um teto em torno de 5% para teses temáticas, ajudam a capturar o potencial estrutural desse mercado nascente sem comprometer a diversificação e o equilíbrio do portfólio.
· 05:03 — Data centers no espaço: um universo de possibilidades
E por falar em espaço, ontem foi noticiado que a SpaceX, empresa de exploração espacial de Elon Musk, entrou com um pedido junto a SEC (a CVM americana) para realizar a sua abertura de capital na bolsa americana.
Com o IPO aguardado para acontecer em junho, fontes indicam que a empresa espera vir a mercado com um valuation de US$1,75 trilhão — o que indicaria um valor 40% maior do que a última rodada de captação da companhia, que havia avaliado a mesma em US$1,25 trilhão. A expectativa é de que a companhia seja capaz de levantar cerca de US$75 bilhões com essa operação.
E parte considerável desses recursos devem ser alocados em um dos projetos mais mirabolantes dos últimos tempos: o desenvolvimento de data centers alocados no espaço sideral, voltados ao processamento de tarefas relacionadas à tecnologia de Inteligência Artificial.
Ainda que se trate de um projeto complexo, especialistas apontam que essa ideia não seria totalmente descabível, uma vez que a implementação nessas condições traria algumas vantagens em relação aos data centers instalados no solo, como a capacidade de utilização constante de energia solar e menor necessidade de resfriamento.
Mas o fato principal é que se antes essas estruturas dependiam do espaço físico na Terra, agora o céu é o limite. E isso deve aumentar ainda mais a demanda por produtos e serviços ligados à IA.
Uma forma de aproveitar essa oportunidade é por meio da carteira automatizada IA Cash, na qual buscamos as melhores ideias de investimento nessa temática que ainda se encontra em seus primeiros passos e tem tudo para revolucionar a vida de milhares de pessoas ao redor do mundo. Se o investidor estava esperando uma chance cair do céu, a hora é agora.