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Investimentos

Ibovespa hoje: discurso de Trump joga balde de água fria nos mercados, petróleo sobe e bolsas globais recuam; o que esperar no pregão?

Mercado local acompanha a divulgação do dado de produção industrial, embora, na prática, o principal vetor de preço continue sendo o ambiente internacional.

Por Matheus Spiess

02 abr 2026, 09:59

Atualizado em 02 abr 2026, 09:59

mercado ibovespa ações bolsa b3

Imagem: iStock.com/MicroStockHub

Os mercados globais iniciaram o mês de abril em recuperação após as perdas observadas em março, sustentados por sinais de que o governo de Donald Trump poderia caminhar para o encerramento do conflito com o Irã.

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Esse otimismo, no entanto, foi rapidamente revertido após um discurso lido como mais duro de Trump, que frustrou as expectativas de desescalada ao sinalizar a intensificação dos ataques contra o Irã nas próximas semanas.

A reação dos mercados foi imediata: o petróleo voltou a subir com força, superando novamente os US$ 105 por barril, enquanto as bolsas globais recuaram, o dólar se fortaleceu e as taxas de juros avançaram, refletindo uma nova rodada de aversão ao risco.

Na ausência de sinais concretos de reabertura do Estreito de Ormuz e com o Irã, inclusive, avançando em mecanismos que ampliam seu controle sobre a região, ganha força a percepção de uma crise mais prolongada de oferta de energia.

Ao mesmo tempo, o reforço militar dos Estados Unidos e a divergência do mercado quanto à leitura do discurso adicionam camadas adicionais de incerteza. Em síntese, o cenário atual combina dados econômicos ainda resilientes com um pano de fundo geopolítico instável, no qual o petróleo reassume protagonismo e passa a ditar, em grande medida, o humor dos mercados globais. 

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· 00:58 — Afetado pelo humor internacional

Na véspera do feriado da Sexta-feira Santa, o mercado local acompanha a divulgação do dado de produção industrial, embora, na prática, o principal vetor de preço continue sendo o ambiente internacional.

Ontem, iniciamos o mês de abril em tom positivo, acompanhando o movimento externo diante da percepção de uma possível descompressão do conflito no Oriente Médio. Havia, contudo, grande expectativa em torno do pronunciamento de Donald Trump durante a noite, que acabou frustrando os investidores ao não oferecer a clareza esperada sobre o desfecho da guerra. Como consequência, na ausência de novas notícias que revertam esse quadro, a tendência é de continuidade do mau humor internacional, com reflexos no mercado doméstico.

Esse impacto já começa a se materializar na economia real. A Petrobras confirmou um aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), o maior da série histórica, refletindo o choque nos preços do petróleo. Ainda que o reajuste ocorra de forma parcelada, seu efeito é relevante e tende a se espalhar ao longo da cadeia.

Em breve, teremos pressão de outros combustíveis, o que afetará ainda mais custos de transporte e, em um segundo momento, os preços de alimentos, até porque insumos como fertilizantes também são impactados. Como consequência, o aumento das expectativas de inflação tende a exigir juros mais elevados por mais tempo, reduzindo o espaço para cortes mais agressivos.

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Nesse contexto, quanto mais cedo houver uma resolução do conflito, melhor; porém, o horizonte segue incerto. Ainda assim, algumas casas internacionais avaliam que o Brasil está entre os emergentes mais bem posicionados para um cenário de pós-guerra, beneficiado por sua condição de exportador de petróleo, o que ajudou a sustentar o desempenho recente. Com a eventual normalização, ativos domésticos podem se recuperar com a retomada do ciclo de cortes de juros, embora o petróleo provavelmente demore mais a retornar aos níveis pré-conflito, carregando consigo um prêmio de risco geopolítico mais elevado.

· 01:49 — O tom não agradou

O preço do petróleo voltou a subir com força, superando os US$ 105, após Donald Trump não sinalizar uma desescalada clara do conflito com o Irã nas próximas semanas, frustrando a expectativa de uma solução rápida.

O principal problema segue sendo o Estreito de Ormuz, que permanece praticamente fechado, restringindo o fluxo de energia e mantendo os preços elevados. A comunicação ambígua de Trump, entre promessas de endurecimento e afirmações de que a guerra está próxima do fim, aumenta a incerteza dos investidores.

Mesmo em um cenário positivo, a normalização não deve ser imediata, já que danos à infraestrutura e riscos de segurança podem prolongar as interrupções. Com o petróleo já acumulando alta superior a 40%, crescem os temores de inflação mais elevada, e o mercado passa a se posicionar de forma mais defensiva, refletindo um ambiente de grande incerteza e volatilidade.

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Confesso que, quando o discurso terminou, cheguei a pensar: “podia ter sido pior”. Isso porque temia uma abordagem ainda mais agressiva do presidente Trump, com a possibilidade de novos ataques a aliados históricos, algo que ele já fez no passado e poderia voltar a fazer agora, ou até mesmo declarações mais duras contra a OTAN (o que ainda pode acontecer no futuro).

Sempre fui, entretanto, realista e, tendo acompanhado de perto tanto o primeiro mandato quanto o atual, me parecia claro que esperar um fim imediato da guerra seria, no mínimo, ingênuo. Ainda assim, o mercado, ansioso como sempre, parece ter comprado essa possibilidade. E é justamente daí que nasce o estresse de hoje, à medida que essa expectativa vai sendo frustrada.

Do ponto de vista mais pragmático, ainda estamos dentro do prazo inicialmente mencionado, no começo do conflito, de quatro a seis semanas. Segundo o próprio presidente, a guerra pode durar mais duas ou três semanas adicionais. Se forem três, isso representaria apenas uma extensão marginal em relação ao cronograma original — nada que, por si só, justificasse uma reação tão intensa. O que incomoda, na verdade, é a falta de clareza. Não temos visibilidade sobre o cronograma, tampouco sobre os objetivos finais, e sabemos que existe, sim, risco de escalada, especialmente considerando o peso do fator político e o humor do próprio presidente.

Do lado iraniano, há sinais de tentativa de descompressão, com declarações mais conciliatórias por parte de seu presidente, Masoud Pezeshkian, mas esse processo não é simples. Trump, ao que tudo indica, buscará encerrar o conflito em uma posição de força, para sair por cima. E é justamente isso que parece orientar o tom atual. Isso não significa que uma escalada mais severa, como uma eventual invasão terrestre, esteja completamente fora de questão; embora, na minha avaliação, esse seja um cenário de baixa probabilidade. Em outras palavras, é possível, mas improvável.

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Talvez o próprio governo americano já tenha percebido que o conflito não entregou exatamente o que se esperava inicialmente e, enquanto busca reorganizar a narrativa, como já vimos em outros momentos, endurece o discurso para tentar construir uma saída politicamente favorável. O problema é que esse tom mais belicoso e ameaçador dificulta a construção de pontes entre os países e acaba prolongando o processo. Ainda acredito que, no fim, haverá algum grau de normalização, mas esse caminho tende a ser mais longo e mais irregular do que o mercado gostaria. Até porque, a cada dia que passa, maior tende a ser o legado econômico e geopolítico desse episódio.

· 02:34 — Choques inflacionários

O choque recente nos preços do petróleo, desencadeado pelo conflito com o Irã, trouxe de volta aos mercados um ambiente que remete, em alguma medida, à estagflação dos anos 1970; isto é, a combinação de crescimento mais fraco com inflação mais elevada, historicamente um dos cenários mais desafiadores para os ativos financeiros.

Nesse contexto, observamos movimentos bastante característicos: ações ligadas a petróleo e commodities ganharam força, empresas mais resilientes e com valuations mais atrativos (as chamadas ações de valor) passaram a superar os papéis de crescimento, e tanto bolsas quanto títulos sofreram quedas simultâneas. Até mesmo estratégias mais defensivas, como investimentos voltados à geração de dividendos, voltaram a ganhar relevância.

O paralelo com a década de 1970 ajuda a dimensionar os riscos, já que, naquele período, sucessivos choques de oferta de petróleo mantiveram a inflação elevada por anos e limitaram o desempenho dos mercados. Ainda assim, é importante destacar que o cenário atual, embora guarde semelhanças, não configura uma repetição direta daquele episódio.

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Isso se deve, sobretudo, a um ponto de partida mais favorável da economia global. O choque atual tende a ser mais localizado e, potencialmente, menos persistente, em um contexto em que a economia mundial é menos dependente de energia do que no passado. Além disso, o mercado de trabalho já apresenta sinais de desaceleração, o crescimento dos salários ocorre de forma mais moderada e as expectativas de inflação permanecem relativamente bem ancoradas, fatores que reduzem o risco de uma espiral inflacionária mais duradoura. Na prática, o efeito mais provável é um aumento temporário da inflação, acompanhado por perda de renda real, desaceleração da atividade e alguma pressão adicional sobre o emprego. Diante desse quadro, bancos centrais como o Federal Reserve tendem a adotar uma postura mais cautelosa, evitando respostas excessivamente contracionistas e, eventualmente, podendo até considerar cortes de juros caso o impacto sobre o crescimento se intensifique. Em síntese, embora o ambiente demande atenção, ele também sugere que os riscos, neste momento, são mais contidos do que em episódios históricos mais extremos.

· 03:22 — Crise humanitária

A intensificação do conflito no Oriente Médio já começa a produzir uma crise humanitária de grandes proporções, com centenas de milhares de pessoas sendo forçadas a deixar suas casas no Irã e no Líbano, em um movimento que pode evoluir para uma nova onda expressiva de refugiados na região. O quadro se torna ainda mais grave porque esses países já conviviam, antes mesmo da escalada atual, com a presença de milhões de deslocados e refugiados, o que amplia a pressão sobre a infraestrutura local, os serviços básicos e a capacidade de acolhimento.

Ao mesmo tempo, diferentemente do que se viu em crises anteriores, Europa e Estados Unidos vêm adotando uma postura mais restritiva em relação à entrada de refugiados, priorizando o envio de ajuda humanitária à distância, justamente em um momento em que os recursos disponíveis se mostram cada vez mais escassos. Como consequência, cresce o risco de agravamento da falta de alimentos, abrigo, atendimento médico e condições mínimas de sobrevivência, especialmente em uma região que já enfrentava instabilidade e carências estruturais. Em outras palavras, trata-se de uma crise que não se limita ao campo militar: ela carrega um potencial humanitário profundo, duradouro e de difícil resolução no curto prazo.

· 04:15 — De volta à Lua

A missão Artemis II, da NASA, foi lançada com sucesso, levando quatro astronautas em uma jornada de 10 dias ao redor da Lua, o primeiro voo tripulado desse tipo em mais de 50 anos. Trata-se de um marco relevante dentro da estratégia de longo prazo de retomada da presença humana no satélite, com o objetivo de estabelecer uma base permanente nos próximos anos. A missão deve levar a tripulação mais distante da Terra do que qualquer outra na história, servindo como etapa preparatória para operações mais complexas, incluindo pousos lunares previstos a partir de 2027.

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Além do avanço científico, esse movimento reforça o potencial de crescimento do setor espacial como um todo. A intensificação das missões, o desenvolvimento de novas tecnologias e a ampliação da infraestrutura fora da Terra tendem a impulsionar oportunidades para empresas ligadas à exploração espacial, telecomunicações e soluções orbitais. Em outras palavras, trata-se não apenas de um feito histórico, mas também de um vetor relevante de investimento em uma indústria que ganha escala e relevância estratégica no cenário global.

Sob a ótica de alocação, esse movimento também reforça o apelo de algumas teses temáticas ligadas à nova corrida espacial. Um exemplo é o ETF ARK Space Exploration & Innovation (ARKX), já mencionado anteriormente, que reúne empresas expostas à exploração espacial, à infraestrutura orbital e a tecnologias adjacentes de inovação.

Ainda assim, vale reforçar a necessidade de cautela: investimentos temáticos tendem a concentrar expectativas elevadas, podem apresentar movimentos intensos no curto prazo e exigem disciplina para evitar excessos na exposição. Em uma estratégia de longo prazo, alocações moderadas, tipicamente entre 1% e 2,5% da carteira, com um teto em torno de 5% para teses temáticas, ajudam a capturar o potencial estrutural desse mercado nascente sem comprometer a diversificação e o equilíbrio do portfólio.

· 05:03 — Data centers no espaço: um universo de possibilidades

E por falar em espaço, ontem foi noticiado que a SpaceX, empresa de exploração espacial de Elon Musk, entrou com um pedido junto a SEC (a CVM americana) para realizar a sua abertura de capital na bolsa americana.

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Com o IPO aguardado para acontecer em junho, fontes indicam que a empresa espera vir a mercado com um valuation de US$1,75 trilhão — o que indicaria um valor 40% maior do que a última rodada de captação da companhia, que havia avaliado a mesma em US$1,25 trilhão. A expectativa é de que a companhia seja capaz de levantar cerca de US$75 bilhões com essa operação.

E parte considerável desses recursos devem ser alocados em um dos projetos mais mirabolantes dos últimos tempos: o desenvolvimento de data centers alocados no espaço sideral, voltados ao processamento de tarefas relacionadas à tecnologia de Inteligência Artificial.

Ainda que se trate de um projeto complexo, especialistas apontam que essa ideia não seria totalmente descabível, uma vez que a implementação nessas condições traria algumas vantagens em relação aos data centers instalados no solo, como a capacidade de utilização constante de energia solar e menor necessidade de resfriamento.

Mas o fato principal é que se antes essas estruturas dependiam do espaço físico na Terra, agora o céu é o limite. E isso deve aumentar ainda mais a demanda por produtos e serviços ligados à IA.

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Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.