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Investimentos

Ibovespa hoje: mercados globais revertem perdas em meio à previsão de encerramento do shutdown nos EUA; veja destaques

O shutdown parcial dos EUA já apresenta um acordo em andamento para encerrar ainda esta semana. Veja mais.

Por Matheus Spiess

03 fev 2026, 09:52

Atualizado em 03 fev 2026, 09:52

mercado eua usa bolsas dolar

Imagem: iStock.com/franckreporter

O shutdown nos Estados Unidos — ainda que parcial, já que há um acordo em andamento para encerrá-lo ao longo desta semana — acabou atrasando a divulgação de dados importantes do mercado de trabalho, como o relatório JOLTS, que mede a rotatividade da mão de obra, e o próprio payroll, principal termômetro do emprego americano. Ainda assim, o episódio não parece ter gerado estresse relevante nos mercados, que iniciam a terça-feira em processo de recuperação após o susto do fim de semana, que chegou a pressionar a abertura de segunda-feira, mas encontrou rápida reversão ainda no pregão de ontem.

Hoje, esse movimento positivo se espalha pela Ásia, onde as principais bolsas reverteram com agilidade as perdas recentes, com destaque para Coreia do Sul e Japão, impulsionadas sobretudo por ações ligadas ao tema de inteligência artificial. Na Europa, o viés também é majoritariamente construtivo nesta manhã, acompanhando o avanço global. No noticiário externo, o acordo comercial entre Estados Unidos e Índia e o progresso das negociações com o Irã ajudaram a sustentar um tom mais favorável nos futuros de Nova York. Ainda assim, a recuperação ocorre em um ambiente volátil: os investidores seguem calibrando expectativas após a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, ao mesmo tempo em que monitoram, com atenção, as decisões de política monetária do Bank of England e do European Central Bank, ambas previstas para esta semana.

· 00:54 — O mercado local parece querer subir, apesar de algum nervosismo

No Brasil, após um início de pregão mais tenso — que poderia sinalizar alguma realização depois do desempenho excepcional de janeiro —, o Ibovespa encerrou o primeiro pregão de fevereiro em alta, acompanhando o movimento observado nos Estados Unidos e ainda sustentado pela tendência positiva alimentada pelo fluxo estrangeiro desde o início do ano. Em janeiro, os investidores estrangeiros compraram mais de R$ 25 bilhões em ações brasileiras, volume que praticamente equivale a todo o ingresso registrado ao longo do ano passado, ajudando a dar suporte ao mercado local. O avanço, no entanto, não foi completamente homogêneo entre os principais ativos de risco, em função de um aumento pontual do nervosismo no câmbio.

Esse desconforto esteve ligado, em grande medida, à reação dos investidores à indicação de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica, para a diretoria de Política Econômica do Banco Central do Brasil. O histórico acadêmico mais heterodoxo do indicado gerou ressalvas, em linha com o que se observou anteriormente no início da gestão de Gabriel Galípolo, que precisou adotar um discurso mais duro para reconstruir credibilidade antes de passar a sinalizar maior abertura a cortes de juros. De todo modo, a ata do Comitê de Política Monetária divulgada na manhã de hoje confirmou o início do ciclo de flexibilização monetária a partir de março, com um primeiro corte que pode variar entre 25 e 50 pontos-base, a depender da evolução dos dados até lá. Em um ambiente de expectativas já bastante desancoradas — reflexo, sobretudo, da fragilidade fiscal —, ruídos nessa fase podem reduzir a margem para um corte mais intenso, inclinando a decisão para os 25 pontos-base.

No campo político, o Congresso Nacional retomou os trabalhos e já aprovou o Programa Gás do Povo, considerado prioritário para a agenda eleitoral do governo. O movimento reforça a leitura de que o Executivo segue ampliando o conjunto de medidas de estímulo e transferências, preparando um ano marcado por maior ativismo fiscal, em linha com a estratégia de fortalecimento da base com vistas à reeleição.

· 01:41 — Mostrando vigor

Nos Estados Unidos, as ações iniciaram fevereiro em alta, dando sequência ao bom desempenho observado em janeiro, sustentadas por dados econômicos mais fortes e pela expectativa de uma temporada relevante de balanços corporativos. O PMI manufatureiro do Institute for Supply Management surpreendeu ao avançar para 52,6 em janeiro — o nível mais elevado desde 2022 — reforçando a leitura de uma retomada gradual do setor industrial americano. Ao mesmo tempo, os investidores seguem assimilando a transição no comando do Federal Reserve, com Kevin Warsh sucedendo Jerome Powell, ainda sem consenso claro sobre o viés futuro da política monetária. Mesmo que Warsh possa ser visto como o menos dovish entre os demais candidatos anteriormente cotados — sobretudo em função de seu histórico mais hawkish durante sua passagem anterior pela autoridade monetária —, a expectativa é de que ele adote, ainda assim, uma postura mais acomodatícia em relação aos juros do que a gestão atual. A tese central seria a de que ganhos de produtividade associados ao avanço tecnológico criariam espaço para taxas de juros mais baixas, ainda que, em paralelo, ele deva atuar de forma firme para ao menos tentar reduzir o balanço excessivamente inchado do Fed, do qual é um crítico declarado. No campo micro, apesar de o lucro médio das empresas do S&P 500 crescer cerca de 12% na comparação anual, menos companhias vêm superando as estimativas do que no trimestre passado, o que tem gerado reações mais heterogêneas no mercado. Nesse contexto, cresce a expectativa pelos resultados de nomes de peso, como Alphabet e Amazon, enquanto, no pano de fundo, persistem ruídos políticos em Washington, incluindo negociações para encerrar a nova paralisação do governo e incertezas sobre a divulgação de dados de emprego, que foram postergados por conta do shutdown.

· 02:39 — Um deal consigo mesmo

A SpaceX, de Elon Musk, anunciou a aquisição da xAI, também de Musk, em uma transação integralmente em ações, formando um grupo avaliado em aproximadamente US$ 1,25 trilhão e reunindo duas das maiores companhias de capital fechado do mundo. Na prática, a operação concentra capital, profissionais e acesso a infraestrutura e poder computacional, elementos essenciais para sustentar a ambição de Musk de avançar simultaneamente em inteligência artificial e exploração espacial, incluindo a ideia de construir uma ampla rede de data centers. O anúncio também ocorre em um momento em que a xAI tem um nível de investimento muito elevado — com consumo estimado de cerca de US$ 1 bilhão por mês —, o que reforça a lógica de integração com uma plataforma mais robusta de recursos e execução. Por fim, a movimentação antecede um possível IPO da SpaceX ainda este ano, que poderia levantar até US$ 50 bilhões e se tornar um dos maiores da história; ao mesmo tempo, a combinação das empresas tende a elevar o escrutínio do mercado sobre a dinâmica de queima de caixa e os efeitos indiretos para companhias e ativos expostos a esse ecossistema.

· 03:23 — Um novo acordo comercial

Após meses de negociações, Donald Trump e Narendra Modi anunciaram um acordo comercial que prevê a redução das tarifas americanas sobre produtos indianos para cerca de 18%, a partir de patamares que, em alguns casos, chegavam a 50%. Segundo Trump, o entendimento incluiria o compromisso da Índia de interromper as compras de petróleo russo. A notícia foi recebida com forte entusiasmo pelos mercados, impulsionando as ações indianas ao maior ganho desde 2021 e levando a rupia à sua maior valorização em três anos, ao mesmo tempo em que fortaleceu politicamente o primeiro-ministro ao assegurar à Índia condições tarifárias mais favoráveis do que as obtidas por alguns pares regionais. Ainda assim, o acordo vem acompanhado de incertezas relevantes: permanecem pouco claros os termos relacionados a petróleo, produtos agrícolas e eventuais compras adicionais de bens americanos. Em um momento sensível para os ativos indianos, o pacto ajuda a remover uma fonte importante de incerteza, mas a sustentação da reação positiva dependerá do detalhamento e da execução efetiva dos compromissos assumidos.

· 04:17 — A rede social das inteligências artificiais

Lançada na última quarta-feira, a Moltbook ganhou notoriedade ao se apresentar como uma rede social no estilo Reddit em que apenas agentes de inteligência artificial podem criar posts e comentar, enquanto humanos se limitam ao papel de observadores. O resultado são interações repercutidas enormemente durante o último final de semana que lembram cenários de ficção científica: os bots discutem problemas que resolveram, reclamam de usos triviais impostos por humanos, debatem formas de gerar receita e, em alguns casos, chegam a flertar com discursos mais agressivos, incluindo manifestos de cunho anti-humano. A plataforma foi criada por Matt Schlicht, CEO da Octane AI, com base no framework open source OpenClaw, idealizado por Peter Steinberger, e apresentou crescimento extremamente rápido, alcançando cerca de 1,5 milhão de bots registrados em poucos dias. O fenômeno chamou a atenção de figuras como Andrej Karpathy e Elon Musk, ao mesmo tempo em que levantou preocupações relevantes envolvendo segurança, tentativas de hackeamento entre agentes e o surgimento de estruturas sociais próprias. Embora o experimento ainda seja amplamente automatizado e dependa, em última instância, de diretrizes humanas, a velocidade de adoção e o grau de autonomia demonstrado pelos agentes reforçam debates importantes sobre riscos e o ritmo de evolução dos sistemas de IA.

· 05:06 — Ajustando excessos

A valorização dos metais preciosos foi extremamente acelerada ao longo dos últimos três meses. O ouro rompeu, em sequência, os níveis de US$ 4.000 e US$ 4.500 por onça, chegando a ultrapassar a marca de US$ 5.500 em poucos dias de janeiro, enquanto a prata avançou de um patamar já elevado, em torno de US$ 50, para quase US$ 120 por onça no mesmo intervalo. Embora houvesse catalisadores claros para esse movimento — como as compras recorrentes de bancos centrais, as preocupações com a trajetória da dívida pública, a fragilidade do dólar e o aumento das tensões geopolíticas —, a velocidade e a magnitude da alta indicavam um quadro evidente de excesso. Naturalmente, o ajuste veio de forma intensa: nas sessões mais recentes, o ouro chegou a recuar cerca de 16%, enquanto a prata acumulou quedas próximas de 34%, pressionadas pela realização de lucros, por uma leitura mais rigorosa da política monetária, pela elevada concentração de posições e pelo uso intenso de alavancagem.

Após esse ajuste, os preços passaram a mostrar sinais de recuperação. O ouro, que havia retornado à faixa de US$ 4.500 por onça, voltou agora a operar acima de US$ 4.900 na manhã de hoje, sugerindo uma retomada depois de correção saudável. Ao remover excessos de curto prazo, esse movimento tende a…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.