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Investimentos

Ibovespa hoje: novas pesquisas eleitorais, um mês de guerra e dados do Tesouro; veja o que é destaque nessa segunda (30)

Nova pesquisa da AtlasIntel e outros relatórios podem guiar o Ibovespa, em meio ao peso do conflito geopolítico. Leia mais.

Por Matheus Spiess

30 mar 2026, 10:02

Atualizado em 30 mar 2026, 10:02

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Imagem: iStock.com/NatanaelGinting

As bolsas globais iniciam a semana em tom misto, com destaque para a pressão observada nos mercados asiáticos, refletindo a escalada do conflito no Oriente Médio, que segue como o principal vetor de risco para os ativos financeiros. O petróleo permanece em patamares elevados, acima de US$ 115 por barril, incorporando o risco crescente de disrupções na oferta, enquanto ganham força as especulações sobre uma possível operação terrestre envolvendo Estados Unidos e Irã, movimento que adiciona uma camada adicional de incerteza ao cenário geopolítico.

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Nesse ambiente, a volatilidade segue elevada, com os mercados reagindo de forma rápida a fluxos e manchetes, ao mesmo tempo em que aumentam as preocupações com os impactos inflacionários e seus desdobramentos sobre a condução da política monetária global.

Apesar de uma semana mais curta em função do feriado da Páscoa, a agenda econômica é densa e relevante, com destaque para o relatório de emprego (payroll) nos Estados Unidos, além de outros indicadores de atividade que ajudam a calibrar a leitura sobre o ciclo econômico, cada vez mais complexo por conta do conflito.

· 00:52 — Acompanhando o humor estrangeiro

Por aqui, seguimos fortemente influenciados pelo ambiente externo, especialmente pela incerteza trazida pela guerra para o ciclo econômico global. No campo doméstico, a agenda ganha relevância com a divulgação de indicadores importantes ao longo da semana, após o Focus já sinalizar novas revisões altistas para as expectativas de inflação, como o IGP-M de março, os dados de emprego via Caged e a produção industrial de fevereiro. Esse conjunto de informações será fundamental para calibrar as expectativas dos investidores em relação à trajetória dos juros. Ainda trabalho com o cenário de continuidade do ciclo de cortes, mas sua intensidade dependerá tanto da evolução dos dados quanto, de forma decisiva, dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Além disso, o Tesouro Nacional divulga o resultado primário do governo central, indicador relevante em um contexto no qual o risco fiscal permanece no radar e segue sendo um dos principais vetores para o nível elevado dos juros reais.

Nesse sentido, embora o ajuste fiscal pareça cada vez mais inevitável no horizonte, possivelmente a partir de 2027, independentemente do resultado eleitoral, o curto prazo ainda inspira cautela, especialmente diante do risco de expansão de gastos em um ambiente pré-eleitoral. Esse quadro se torna ainda mais sensível com o avanço da guerra, que já começa a contaminar a política econômica doméstica, com o governo avaliando a prorrogação de subsídios ao diesel e estudando medidas adicionais para o setor elétrico, em meio ao risco de pressão inflacionária via energia.

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No campo político, a semana também será marcada pela divulgação de novas pesquisas eleitorais, incluindo o levantamento da AtlasIntel. A leitura atual, também pautada pela pesquisa Nexus/BTG, divulgada na manhã de hoje, indica um cenário ainda aberto e polarizado, semelhante ao de 2022, com sinais contínuos de desgaste do incumbente, um fenômeno observado globalmente no pós-pandemia.

No plano partidário, inclusive, cresce a expectativa pela definição hoje do PSD entre Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, sendo este último apontado como favorito. Sua eventual candidatura, por uma posição historicamente mais à direita, pode abrir espaço para que Flávio Bolsonaro adote um discurso relativamente mais moderado, o que poderia ampliar sua competitividade em um eventual segundo turno.

· 01:43 — Os dados de emprego

A semana, embora mais curta por conta do feriado de Páscoa, concentra uma agenda relevante nos Estados Unidos, com destaque para o payroll na sexta-feira, além do ADP na quarta-feira e indicadores de atividade, como ISM e PMIs, ao longo dos próximos dias. Em paralelo, o discurso de Jerome Powell ganha importância em um momento de maior incerteza sobre o equilíbrio entre inflação e desaceleração econômica.

O pano de fundo segue marcado por um aperto relevante das condições financeiras, impulsionado por juros longos mais elevados, petróleo em alta e aumento do prêmio de risco, sugerindo que o próprio mercado já vem exercendo um efeito contracionista, mesmo na ausência de novas ações por parte do Federal Reserve.

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· 02:39 — Risco de escalada

A guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel completa um mês com sinais cada vez mais evidentes de intensificação e elevada incerteza, consolidando-se como o principal vetor de risco para os mercados globais neste momento. Embora Washington mantenha o discurso de busca por uma solução negociada, o aumento da presença militar na região, a entrada de novos atores no conflito e a ausência de avanços diplomáticos concretos reforçam a percepção de que o cenário tende a se prolongar.

Nesse contexto, o Estreito de Ormuz permanece como ponto crítico para o fluxo global de energia, sustentando o petróleo em níveis elevados, o que, por sua vez, amplia os riscos inflacionários e de desaceleração econômica. Ao mesmo tempo, a comunicação de Donald Trump adiciona uma camada adicional de incerteza ao cenário, ao alternar entre uma retórica mais agressiva, incluindo a possibilidade de ações militares diretas e até o controle de ativos estratégicos iranianos, como a já mencionada Ilha de Kharg, e sinais de progresso nas negociações, frequentemente contestados por Teerã. Com o envio contínuo de tropas à região e iniciativas diplomáticas ainda sem tração efetiva, o ambiente permanece marcado por narrativas divergentes e risco elevado de escalada. Em última instância, os mercados seguem altamente dependentes do fluxo de notícias, reagindo mais às manchetes.

· 03:26 — Outra frente de batalha

A entrada dos Houthis no conflito adiciona uma nova camada de complexidade ao cenário energético global, ao abrir um segundo ponto crítico no Mar Vermelho, que se soma ao já tensionado Estreito de Ormuz.

Na prática, isso comprime de forma relevante as rotas estratégicas de escoamento de petróleo, reduz as alternativas logísticas disponíveis e eleva o risco de disrupções nas cadeias de suprimento. Com isso, milhões de barris por dia passam a estar potencialmente expostos, em um ambiente no qual qualquer escalada adicional pode gerar impactos sobre os preços da energia e, por consequência, sobre as condições financeiras globais.

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· 04:17 — Corrida nuclear

O conflito em torno do programa nuclear iraniano tem acelerado uma mudança estrutural relevante na dinâmica de segurança global. Cresce, em diferentes regiões, a percepção de que a proteção tradicional oferecida pelos Estados Unidos pode não ser tão garantida quanto no passado, o que leva diversos países a reconsiderarem a necessidade de desenvolver seus próprios mecanismos de dissuasão nuclear.

De Europa à Ásia, o debate sobre autonomia estratégica ganha força, ao mesmo tempo em que a arquitetura de controle de armas construída ao longo das últimas décadas se enfraquece, enquanto grandes potências seguem modernizando seus arsenais.

Nesse contexto, eventos recentes reforçam uma leitura incômoda, porém cada vez mais presente: a posse de armas nucleares tende a elevar o poder de dissuasão de um país, mesmo em cenários de forte pressão externa. O efeito colateral dessa lógica, no entanto, é a ampliação do risco sistêmico. À medida que mais nações passam a considerar, ou efetivamente buscar, esse tipo de capacidade, o equilíbrio global se torna mais frágil, elevando a probabilidade de erros de cálculo e tornando o ambiente internacional potencialmente mais instável e perigoso ao longo do tempo.

· 05:05 — Do estúdio ao algoritmo: quem domina a nova mídia

A dinâmica recente da indústria de mídia deixa cada vez mais evidente que já não se trata de um jogo restrito aos tradicionais estúdios de Hollywood. A convergência entre tecnologia e entretenimento reposicionou o centro de gravidade do setor, colocando as plataformas digitais como protagonistas — e o YouTube, da Alphabet, é hoje o exemplo mais claro dessa transformação.

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Desde sua aquisição em 2006, a plataforma deixou de ser um simples repositório de vídeos para se tornar um dos maiores motores globais de conteúdo, com trilhões de visualizações anuais e presença crescente em verticais como música, podcasts e televisão. O fato de sua receita já superar a de conglomerados tradicionais, como a Disney, ilustra de forma inequívoca a mudança estrutural em curso na forma como conteúdo é produzido, distribuído e monetizado.

Mais do que escala, o diferencial competitivo do YouTube reside em seu modelo híbrido, que combina publicidade e assinaturas, e em um ecossistema baseado em criadores, altamente adaptável e com forte capacidade de engajamento. Esse modelo tende a ser diretamente beneficiado pelos avanços em inteligência artificial, que ampliam tanto a produção quanto a personalização e monetização do conteúdo.

Estimativas de mercado sugerem que, isoladamente, a plataforma poderia ser avaliada em centenas de bilhões de dólares, superando inclusive o valor agregado dos principais estúdios tradicionais. Nesse contexto, a tese permanece construtiva: ao investir nas BDRs da Alphabet (GOGL34), o investidor acessa um ativo com vantagens competitivas relevantes, exposto a tendências estruturais de longo prazo e com elevada capacidade de geração de valor em um setor em plena transformação.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.