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Os mercados globais iniciam a quinta-feira (5) em tom levemente positivo, após um início de mês marcado por forte volatilidade provocada pela escalada da guerra envolvendo Estados Unidos e Irã. Investidores continuam ajustando posições diante de um cenário ainda incerto, no qual o conflito no Oriente Médio permanece como o principal fator de risco no curto prazo. Apesar de alguma recuperação recente em algumas bolsas, inclusive a brasileira, a situação segue tensa, com novos ataques sendo registrados e ainda sem sinais claros de uma solução no horizonte imediato. Nesse contexto, o petróleo voltou a subir, com o Brent acima de US$ 82 por barril, refletindo as preocupações com o abastecimento global e as dificuldades no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio mundial de energia.
Na Ásia, os mercados acionários registraram uma recuperação relevante, liderada pela Coreia do Sul, onde o índice Kospi avançou cerca de 9,6%, recuperando boa parte das perdas do dia anterior, quando havia sofrido uma das quedas mais fortes de sua história recente. No Japão, o Nikkei subiu quase 2%, enquanto as bolsas chinesas também apresentaram ganhos após Pequim divulgar metas econômicas mais moderadas, com crescimento projetado entre 4,5% e 5% para os próximos anos. Nos Estados Unidos, o apoio do Senado à campanha militar contra o Irã indica que o conflito pode se prolongar por mais tempo do que inicialmente imaginado, o que tende a manter a volatilidade elevada nos mercados internacionais nas próximas semanas.
· 00:55 — Alívio nos mercados, atenção no radar
No Brasil, o principal índice da bolsa voltou a apresentar recuperação no pregão de ontem, acompanhando também a melhora observada nos mercados internacionais. O Ibovespa retomou o patamar dos 185 mil pontos, enquanto o dólar recuou e voltou a orbitar a região de R$ 5,20. Parte dessa melhora no humor dos investidores ocorreu após uma reportagem do The New York Times sugerir que integrantes da inteligência iraniana teriam procurado a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) para discutir possíveis caminhos de negociação. Posteriormente, o governo iraniano negou a informação — algo que, em certa medida, já era esperado no contexto político do conflito —, mas o simples surgimento da possibilidade de diálogo contribuiu para reduzir momentaneamente o clima de aversão ao risco nos mercados globais.
No cenário doméstico, os investidores acompanham nesta quinta-feira a divulgação de novas pesquisas eleitorais, com destaque para os levantamentos do Datafolha para presidente e governadores. No campo corporativo, o noticiário também segue movimentado, com grande expectativa para a divulgação dos resultados da Petrobras, prevista para a noite de hoje. A atenção do mercado se concentra especialmente no anúncio de dividendos, dado o peso relevante da companhia dentro do Ibovespa e seu potencial de influenciar o humor do mercado na sexta-feira. Na agenda de indicadores, o foco recai sobre os dados do mercado de trabalho, com a divulgação da taxa de desemprego de janeiro pela Pnad Contínua, que pode confirmar a resiliência do emprego observada no Caged divulgado no início da semana. Caso essa leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido se confirme, aumenta a probabilidade de que o Copom opte por iniciar o ciclo de corte de juros com um movimento mais cauteloso.
Em Brasília, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos e com ampla maioria, a PEC da Segurança Pública, que altera as competências de União, estados e municípios para fortalecer o combate ao crime. O texto agora segue para análise do Senado. Trata-se de um tema com forte peso político e potencial de influenciar o debate público em um ano eleitoral. Já no Senado, foi aprovado por unanimidade o projeto que ratifica o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que agora segue para promulgação, representando um passo importante na consolidação de uma das maiores zonas de livre comércio entre blocos econômicos do mundo.
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· 01:48 — Humor levemente aprimorado
Nos Estados Unidos, os destaques do dia ficam para os pedidos semanais de seguro-desemprego e para os dados sobre custo da mão de obra, que ajudam a medir a dinâmica do mercado de trabalho e possíveis pressões inflacionárias. Mesmo em meio às tensões geopolíticas, o mercado acionário americano demonstrou resiliência, com os principais índices praticamente retornando aos níveis observados antes do início do conflito. Parte dessa recuperação foi impulsionada por um PMI de serviços mais forte do que o esperado, sinalizando que o setor (responsável pela maior parcela da economia americana) continua sustentando o crescimento. Ainda assim, ao longo do ano observa-se uma rotação gradual de investimentos, com parte do mercado questionando os valuations mais elevados de empresas de tecnologia e direcionando capital para setores ligados a infraestrutura, indústria e ativos descontados.
· 02:34 — Os famosos 15%
A política comercial dos Estados Unidos voltou ao centro das atenções após o secretário do Tesouro, Scott Bessent, confirmar que o governo pretende elevar a tarifa global de importação de 10% para 15%, como prometido por Trump, medida que deve entrar em vigor ainda nesta semana e permanecer válida por 150 dias, enquanto o governo busca estabelecer uma nova base jurídica para restabelecer as tarifas que foram derrubadas pela Suprema Corte. Embora o impacto direto sobre a inflação seja incerto, o aumento das tarifas pode contribuir para manter as pressões inflacionárias por mais tempo, especialmente porque altas costumam ser repassadas aos preços com mais facilidade do que reduções, além de influenciar a percepção dos consumidores sobre o custo de vida. Paralelamente, uma decisão do Tribunal de Comércio Internacional abriu caminho para possíveis reembolsos de cerca de US$ 175 bilhões em tarifas cobradas anteriormente com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), o que pode beneficiar milhares de importadores, embora o governo ainda possa tentar contestar a implementação dos pagamentos.
· 03:26 — Mais um dia de guerra
No sexto dia da guerra envolvendo o Irã, o conflito passou a assumir contornos cada vez mais globais. Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano nas proximidades do Sri Lanka — o primeiro ataque desse tipo realizado por um submarino dos Estados Unidos contra uma embarcação de superfície desde a Segunda Guerra Mundial — ampliando significativamente o nível de tensão. Teerã prometeu retaliar, enquanto a dinâmica de ataques e contra-ataques já se espalha por diferentes pontos do Oriente Médio, com o Irã mirando bases e representações americanas e Israel intensificando suas operações contra aliados iranianos na região. A escalada já envolve um número crescente de países, e até mesmo a OTAN acabou entrando no episódio ao interceptar um míssil que se dirigia à Turquia. Em paralelo, o petróleo segue em trajetória de alta e se aproxima de US$ 85 por barril, refletindo o temor de que o conflito possa comprometer temporariamente o fluxo global de energia.
Os efeitos da guerra começam também a transbordar para além do campo militar. Na Ásia, a China orientou suas principais refinarias a suspender temporariamente exportações de combustíveis, priorizando o abastecimento doméstico em meio às incertezas do mercado energético. Já o Japão avalia a possibilidade de liberar petróleo de suas reservas estratégicas, uma medida preventiva diante do risco de interrupções no transporte da commodity pelo Estreito de Ormuz. Ainda assim, a experiência histórica sugere que choques geopolíticos, embora gerem episódios de forte volatilidade do curto-prazo, como o que estamos vendo agora, costumam ter efeitos temporários sobre os mercados, frequentemente abrindo oportunidades de investimento quando os preços dos ativos recuam. O desfecho do conflito, contudo, permanece incerto, o que recomenda cautela adicional por parte dos investidores.
· 04:12 — Definindo metas
Os índices de gerentes de compras (PMIs) da China ficaram abaixo de 50 pontos em fevereiro, nível que indica contração da atividade econômica, embora parte desse movimento seja explicada por fatores sazonais, especialmente o impacto do Ano Novo Lunar, período em que fábricas e empresas costumam interromper suas operações. Em contraste, os PMIs privados apontaram expansão mais consistente tanto na indústria quanto no setor de serviços, sugerindo que a fraqueza dos dados oficiais tem caráter mais técnico do que estrutural. Ao mesmo tempo, Pequim definiu uma meta de expansão do PIB entre 4,5% e 5%, a mais baixa desde os anos 1990, refletindo o reconhecimento de que o modelo econômico chinês atravessa um período de transição, marcado por demanda doméstica mais fraca, desafios no setor imobiliário e a necessidade de desenvolver novos motores de crescimento, embora o governo ainda mantenha espaço para estímulos adicionais diante das incertezas internas e externas.
· 05:07 — Marca de entrada
A Apple (BDR: AAPL34; Nasdaq: AAPL) anunciou um novo laptop mais acessível, o MacBook Neo, com preço inicial de US$ 599 — um patamar significativamente inferior ao dos demais computadores da marca, já que o modelo mais barato até então partia de US$ 999. O novo dispositivo é leve, colorido e utiliza o mesmo chip presente nos iPhones, o que indica uma mudança sutil, porém relevante, na estratégia da companhia. Tradicionalmente posicionada como uma fabricante de tecnologia premium, a Apple passa a explorar com mais clareza um segmento de entrada, buscando ampliar sua presença em um mercado dominado por PCs mais baratos e, ao mesmo tempo, atrair novos usuários para dentro de seu ecossistema.
O lançamento faz parte de uma semana particularmente ativa em anúncios de produtos da empresa. Além do MacBook Neo, a Apple também apresentou um novo modelo de iPhone mais acessível, o iPhone 17e, ao mesmo tempo em que atualizou suas linhas mais avançadas, como MacBook Pro e MacBook Air, que continuam posicionadas em faixas de preço mais elevadas. Esse movimento revela uma estratégia mais abrangente: ampliar o portfólio para atender diferentes perfis de consumidores, desde usuários que buscam um primeiro dispositivo da marca até aqueles que demandam equipamentos mais sofisticados e de maior desempenho.
Mesmo com a expansão para produtos mais acessíveis, a lógica estratégica permanece clara: fortalecer o ecossistema Apple e ampliar sua base global de usuários. Quanto mais pessoas entram nesse ambiente, utilizando iPhone, Mac, iPad ou outros dispositivos, maior tende a ser a recorrência de receitas vindas de serviços, assinaturas e atualizações de hardware ao longo do tempo. Ao combinar dispositivos de entrada com produtos premium e manter forte integração entre hardware, software e serviços, a empresa preserva sua capacidade de monetização e reforça uma de suas maiores vantagens competitivas. Para o investidor, essa estratégia ajuda a sustentar a tese estrutural da companhia como um dos ativos mais robustos do setor de tecnologia. A Apple segue apoiada em marca extremamente forte, escala global, elevada geração de caixa e capacidade contínua de inovação. Nesse contexto, sigo vendo AAPL34 como uma posição interessante para complementar carteiras de ações internacionais — sempre, naturalmente, respeitando o dimensionamento adequado das posições e o perfil de risco de cada investidor.