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Investimentos

Ibovespa hoje: rumores de cessar-fogo no Oriente Médio animam mercados; veja os destaques desta quarta (25)

No Brasil, investidores reagem a pesquisas eleitorais que indicam deterioração na avaliação do atual governo

Por Matheus Spiess

25 mar 2026, 10:00

Atualizado em 25 mar 2026, 11:32

black friday empiricus oferta 15 carteiras mercado ibovespa

Imagem: Canva Pro

Os mercados continuam fortemente ancorados na evolução do conflito no Oriente Médio, com notícias recentes sobre um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, estruturado em um plano rascunhado de 15 pontos, desencadeando uma reação imediata de alívio.

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O petróleo chegou a recuar de forma relevante, enquanto os ativos de risco se recuperaram globalmente, evidenciando o quanto qualquer sinal, ainda que preliminar, de desescalada é capaz de alterar rapidamente o humor dos investidores. Ainda assim, o cenário permanece cercado de incertezas, com dúvidas relevantes sobre a viabilidade do acordo e sinais contraditórios por parte do Irã, o que mantém o ambiente volátil e altamente dependente do fluxo de notícias. 

· 00:55 — Vibrações em Brasília

No Brasil, os ativos apresentaram recuperação na sessão de ontem, em linha com sinais marginalmente mais construtivos vindos do Oriente Médio. Também contribuiu a divulgação da ata do Copom, que, embora ainda preserve a possibilidade de novos cortes de juros na próxima reunião, trouxe um tom mais sóbrio em relação ao comunicado da semana anterior, ajudando a endereçar algumas pontas em aberto. O documento reconhece uma leve recuperação da atividade no início de 2026 e mantém atenção à recente elevação das expectativas inflacionárias e ao aumento da incerteza.

Para hoje, a agenda é mais leve, com a divulgação dos índices de confiança do consumidor referentes a março e do fluxo cambial da última semana, enquanto o mercado aguarda, para amanhã, o Relatório de Política Monetária, a coletiva de Gabriel Galípolo e a prévia da inflação.

No campo doméstico, segue no radar a possibilidade de paralisação de caminhoneiros no Porto de Santos, embora a leitura predominante seja de que uma greve de abrangência nacional permanece pouco provável. A mobilização prevista é pontual, com duração de 24 horas, e tem como principal motivação o aumento do preço do diesel, questão tradicional da categoria.

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Nesse contexto, o governo apresentou aos Estados uma proposta alternativa para reduzir o custo do diesel importado, por meio de uma subvenção direta de R$ 1,20 por litro, dividida entre União e governadores, com custo estimado em R$ 3 bilhões e validade temporária até o fim de maio. A medida surge diante dos riscos de desabastecimento e da resistência dos Estados em abrir mão da arrecadação via ICMS. Ao mesmo tempo, iniciativas recentes para conter os preços já vêm pressionando a arrecadação federal, enquanto outros setores, como o de aviação, também passam a demandar alívio tributário. A conta só tende a aumentar agora.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar a revisão relevante na projeção fiscal do ano. O governo reduziu a estimativa de superávit primário de R$ 34,9 bilhões para apenas R$ 3,5 bilhões, patamar muito próximo do limite inferior da meta (déficit zero), o que reacende dúvidas sobre o cumprimento efetivo das regras fiscais. Mais uma vez, observa-se uma condução próxima à banda inferior da meta, com risco de descumprimento ou, alternativamente, de ajustes artificiais que preservem o resultado apenas no papel. Para conter o avanço das despesas, pressionadas por benefícios sociais e previdenciários, foi anunciado um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento.

No campo político, o cenário também começa a ganhar contornos mais desafiadores para o governo. Pesquisas recentes indicam deterioração na avaliação do presidente e maior competitividade da oposição: levantamento da AtlasIntel desta manhã aponta Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva em um cenário de segundo turno, enquanto dados do PoderData mostram aumento relevante na avaliação negativa do governo.

Esse ambiente, combinado com inflação ainda sensível e o desgaste natural do incumbente, pode influenciar a dinâmica eleitoral nos próximos meses. Não se pode descartar, inclusive, a possibilidade de reconfigurações na corrida presidencial, com a saída do atual presidente do pleito, caso o custo político de uma eventual derrota passe a ser considerado elevado demais, um cenário que, se ganhar tração, pode alterar de forma significativa o equilíbrio político em 2026.

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· 01:43 — Para além dos ruídos no Oriente Médio

As ações americanas oscilaram ao longo do pregão de ontem, refletindo um ambiente ainda dominado por incertezas. De um lado, mensagens contraditórias sobre o conflito no Oriente Médio mantiveram os investidores cautelosos; de outro, a alta do petróleo contribuiu para pressionar os principais índices americanos. Esse movimento foi acompanhado por um aumento nas preocupações com o crédito privado, após restrições a resgates em grandes fundos, além de uma nova rodada de fraqueza no setor de tecnologia, especialmente em software. diante do avanço da inteligência artificial e dos receios sobre substituição de determinadas atividades.

No campo macro, os dados mais recentes seguem apontando para uma economia americana ainda resiliente, mas com sinais claros de perda de fôlego. O crescimento permanece positivo, porém mais moderado, enquanto as pressões inflacionárias voltam a ganhar espaço e começam a surgir indícios iniciais de enfraquecimento no mercado de trabalho. Nesse contexto, as projeções de PIB foram revisadas para baixo, passando a indicar uma expansão abaixo do potencial, acompanhada de uma elevação na chance de recessão — que, embora não seja o cenário base, reforça a leitura de um ambiente desafiador, ainda que distante de uma deterioração abrupta.

· 02:39 — Mais um trilhão para a conta

A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou a marca de US$ 39 trilhões em ritmo impressionantemente acelerado, evidenciando um desequilíbrio fiscal cada vez mais relevante em um ambiente no qual as principais rubricas de despesa — como pagamento de juros, gastos com defesa e programas sociais — são, na prática, politicamente difíceis de comprimir.

Com uma parcela expressiva do orçamento funcionando quase no piloto automático e com espaço bastante limitado para cortes mais profundos, o país passa a conviver com desafios estruturais importantes, ligados ao envelhecimento da população, à desaceleração do crescimento e à dificuldade de construir consenso político em torno de reformas mais abrangentes. Nesse contexto, a solução segue distante, e o tema ganha peso crescente na avaliação dos investidores.

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O sinal de alerta é ainda mais relevante quando se considera que os sucessivos rebaixamentos da nota de crédito americana já começam a reforçar a percepção de que a trajetória fiscal merece atenção mais cuidadosa. Embora os EUA ainda contem com privilégios institucionais e monetários que nenhuma outra economia possui na mesma escala, o avanço contínuo da dívida tende a produzir efeitos sobre os juros de longo prazo, sobre o comportamento do dólar e, em última instância, sobre a estabilidade financeira global ao longo do tempo. Em outras palavras, não se trata de um problema imediato de solvência, mas de um processo de deterioração que, se mantido por tempo demais, pode cobrar um preço cada vez mais alto.

· 03:24 — Um plano

Apesar das tentativas dos Estados Unidos de avançar com uma proposta de paz, o conflito no Oriente Médio continua intenso, com novos ataques envolvendo Irã, Israel e outros países da região, além de sinais cada vez mais claros de que, no curto prazo, nenhuma das partes parece disposta a fazer concessões relevantes. Um plano de 15 pontos teria sido enviado ao Irã, incluindo restrições ao programa nuclear e a possibilidade de uma trégua temporária, mas o grau de incerteza em torno de sua aceitação permanece elevado, especialmente diante do endurecimento do discurso por parte de Teerã e da continuidade das operações militares conduzidas por Israel.

Ao mesmo tempo, o quadro energético segue se deteriorando. A decisão do Irã de impor taxas para a navegação no Estreito de Ormuz, somada à interrupção de exportações de gás, amplia a pressão sobre os preços de energia e eleva a tensão global. Ainda assim, o mercado continua reagindo de forma imediata a qualquer sinal, mesmo que incipiente, de possível negociação, o que deixa claro o quanto os ativos seguem altamente sensíveis à evolução do conflito. Em outras palavras, o cenário continua em aberto, oscilando entre a possibilidade de alguma descompressão diplomática e o risco de uma escalada mais ampla, com consequências potencialmente mais severas para a economia global.

· 04:16 — Envio de tropas?

Os Estados Unidos estariam supostamente se preparam para ampliar sua presença no Oriente Médio com o envio de cerca de 3 mil soldados da 82ª Divisão Aerotransportada, movimento que pode marcar uma inflexão relevante em um conflito que, até aqui, vinha sendo conduzido majoritariamente por meios aéreos.

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Ao mesmo tempo, Donald Trump continua sinalizando a possibilidade de algum tipo de negociação com o Irã, como expliquei anteriormente, mas o grau de incerteza em torno dessas conversas permanece elevado. Em outras palavras, ainda não há clareza sobre os canais efetivos de diálogo, os termos em discussão ou a real disposição das partes para fazer concessões, o que mantém o ambiente bastante instável e dificulta qualquer leitura mais segura sobre um eventual caminho de descompressão.

· 05:02 — Troca de comando

A Disney inicia um novo capítulo com a saída de Bob Iger e a chegada de Josh D’Amaro ao comando, em um momento que ainda combina desafios relevantes com oportunidades importantes. A segunda passagem de Iger não conseguiu reproduzir o desempenho extraordinário de seu primeiro ciclo, com as ações apresentando evolução bastante modesta enquanto o mercado americano avançava de forma significativa. Parte dessa diferença se explica por um ambiente mais adverso, marcado pelos efeitos da pandemia sobre parques e cinemas, pelas mudanças no consumo de mídia e pelos elevados custos associados à construção e expansão da plataforma de streaming. Ainda assim, a companhia encerra esse ciclo em uma posição mais sólida do que pode parecer à primeira vista: a divisão de parques e experiências se consolidou como principal motor de lucro, sustentando a geração de caixa e criando uma base importante para crescimento nos próximos anos.

A partir daqui, o desafio de D’Amaro será equilibrar continuidade e transformação: de um lado, expandir os negócios que vêm entregando resultados consistentes; de outro, reestruturar áreas que perderam dinamismo, como a ESPN, em meio à transição estrutural para o digital. Nesse contexto, a Disney continua sendo uma empresa global, com ativos únicos, marcas extremamente fortes e uma capacidade relevante de monetização ao longo do tempo. Por isso, mesmo após um período mais fraco para as ações, seguimos enxergando valor na tese. As BDRs como DISB34 permanecem como uma forma eficiente de capturar essa potencial recuperação, ao mesmo tempo em que contribuem para a diversificação internacional das carteiras.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.