ITSA4: vale a pena investir na holding do Itaú?

Indicação de venda da Itaúsa demonstra oportunidade ímpar para investir no bancão controlado
ITSA4: vale a pena investir na holding do Itaú?

As ações da Itaúsa (ITSA3 e ITSA4) não são recomendadas por nenhum especialista nas séries Empiricus, apesar de já terem sido incluídas em algumas delas por quase cinco anos.

Isso muda quando olhamos para as ações de uma das suas empresas controladas, o Itaú Unibanco (ITUB4), que são indicadas nas séries As Melhores Ações da Bolsa, Double Income e Vacas Leiteiras, lideradas por Max Bohm, Felipe Miranda e Sérgio Oba, respectivamente.

Neste artigo, vamos explicar tudo que você precisa saber sobre a Itaúsa e esclarecemos as diferenças entre ITSA3 e ITSA4, assim como a relação com ITUB4. Para facilitar sua leitura, o conteúdo foi estruturado nos seguintes tópicos:

Entendendo a Itaúsa

Desde 1974, o Itaú não é controlado diretamente por seus donos, mas através de uma holding, a Itaúsa.

Isso significa que as famílias Setubal e Villela não têm ações do Itaú Unibanco, mas da empresa que controla o banco, a Itaúsa.

As duas famílias têm, juntas, 34% do capital social da companhia. Os outros 66% estão “circulando” no mercado de capitais sob os tickers ITSA3 e ITSA4 (explicaremos a diferença na próxima seção).

Desse montante disponível nas Bolsas, 40% está nas mãos dos brasileiros e 26% nas de estrangeiros.

Partindo para o portfólio da holding, cerca de 90% do seu capital é investido em ações do Itaú Unibanco (ITUB4). Assim, comprar Itaúsa é uma maneira indireta de investir em ações do banco, algo semelhante ao que acontece com Jereissati Participações (JPSA3) e Iguatemi (IGTA3).

Os 10% restantes são diluídos em diversas outras companhias, das quais se destacam Duratex, Alpargatas e Nova Transportadora do Sudeste (NTS). Perceba, aqui, que se tratam de três empresas distantes do setor financeiro priorizado pela Itaúsa.

Quando invertemos a ótica, para analisar o peso desse capital a partir das investidas, temos o seguinte cenário:

Fonte: Itaúsa

Ou seja, a Itaúsa é dona de 37,5% do Itaú, de 36,7% da Duratex e assim por diante.

Caso você não conheça alguma dessas, nós explicamos.

A Duratex (DTEX3) atua, principalmente, no segmento de madeira e revestimento cerâmico. Com produtos intimamente relacionados ao setor de construção civil, ela possui, em seu portfólio, marcas como Deca, Hydra, Ceusa e Portinari.

A Alpargatas (ALPA4) segue um caminho totalmente diferente, sendo a maior empresa brasileira do ramo de calçados. Trata-se de um case mundial pela sua marca de sandálias, uma tal de Havaianas. Além disso, a companhia possui outras marcas conhecidas, como Osklen e Mizuno.

Por fim, a Nova Transportadora do Sudeste. Foi adquirida da Petrobras em 2017, numa parceria com a Brookfield, e atua no transporte de gás natural de longo prazo (até 2031).

Como dito, são empresas que nada tem a ver com o segmento financeiro. Após entendermos cada uma delas, é razoável afirmar, também, que são bastante diferentes entre si, o que deixa a parcela dos 10% do portfólio de ITSA4 minimamente eclética.

Qual é a diferença entre ITSA3 e ITSA4?

Cada empresa listada na Bolsa de Valores possui um ticker — código de quatro letras acompanhado de um ou dois números — para identificá-la. Normalmente, as letras fazem alusão ao nome da companhia, enquanto os números especificam o tipo de ação comercializada.

É nesse último ponto que vamos nos ater nesta seção.

Os dois principais tipos de ação na Bolsa são os que terminam em 3 ou 4. Há, no entanto, variações de 1 a 11, ou até mesmo os BDRs, comumente acompanhados do número 34.

Então, vamos esclarecer a diferença entre ITSA3 e ITSA4.

As ações que terminam em 3 são chamadas de ordinárias (ON). A particularidade desse tipo é o direito ao voto nas assembleias da empresa. Se você for um investidor habituado a comprar uma quantidade enorme de lotes de ações e realmente quiser ser um sócio ativo nas decisões de uma companhia, então você está buscando por ações ON. Quanto mais você tiver, maior será sua influência na esfera administrativa dela.

As ações que terminam em 4, por sua vez, são chamadas de preferenciais (PN). Com elas, você possui preferência na distribuição de dividendos e, caso o pior aconteça e a empresa seja liquidada, você também está na fila VIP para o reembolso do investimento.

Esses detalhes geram demandas diferentes para cada tipo, causando pequenas diferenças no preço entre dois papéis da mesma empresa. Com atenção ao último detalhe da frase anterior, se a empresa crescer muito, haverá valorização de ambos os ativos.

Nas antigas sugestões da Empiricus, ITSA4 era priorizada porque a ideia era lucrar com a valorização do papel e com os dividendos periódicos da Itaúsa.

Porque ITUB4, mas não ITSA4?

Aqui, o título da seção já revela o spoiler: nossos analistas sugerem a venda de ITSA4 e a compra de ITUB4.

Sobre Itaúsa, trata-se de uma companhia com proeminência no mercado, boa pagadora de dividendos e que apresenta uma valorização de 143,3% em pouco menos de cinco anos — Max indicou a compra de ITSA4 em setembro de 2015 e a venda em agosto de 2020.

Os assinantes da Empiricus surfaram neste lucro expressivo, o que nos leva a pensar: qual é o motivo para nos livrarmos de ITSA4 e comprar ITUB4?

Primeiro, vamos fazer uma breve análise sobre o Itaú Unibanco.

Nos últimos anos, “o banco se destacou dos seus concorrentes por apresentar o maior retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), além de índices de inadimplência controlados e crescimento de custos abaixo da inflação”, explica Fernando Ferrer, analista da Empiricus.

Paralelamente a isso, o bancão chamou a atenção do mercado para o seu braço de maquininhas, a Rede: a companhia “praticamente dobrou sua base credenciada em apenas seis meses e pressionou ainda mais seus concorrentes, como Cielo, Stone e PagSeguro”, diz Fernando. O segredo foi a redução de taxas e prazos de recebimento, algo inédito.

Por fim, Itaú vs fintechs. A gestão de ITUB4 reconhece que a onda de startups no setor é uma ameaça, mas afirma estar muito bem posicionada para se adaptar à nova realidade.

Felipe Miranda corrobora: “o banco se posiciona como tradicional em um mercado que tem sofrido, constantemente, disrupção. Ainda assim, entrega resultado, tem know-how nos diversos segmentos em que atua e negocia com desconto histórico depois das fortes correções da Bolsa”, finaliza.

Análise feita, vamos agora à explicação da troca de Itaúsa por Itaú Unibanco. 

A explicação é bastante simples: Itaú Unibanco está mais barato.

Tradicionalmente, o preço de ITUB4 (a ação do Itaú Unibanco) costumava ser pelo menos quatro vezes o de ITSA4 (a ação de Itaúsa). De uns tempos para cá, porém, essa razão caiu para 2,5. Veja no gráfico.

Razão entre ITUB4 e ITSA4 nas mínimas históricas

O que isso significa? Significa que o mercado está punindo a ação de Itaú Unibanco, mas nem tanto a de Itaúsa. Em outras palavras, a ação do Itaú Unibanco ficou barata em comparação com a da sua holding.

Acreditamos que o Itaú vai virar o jogo daqui para frente.

Vamos começar pelos proventos, tudo bem? Historicamente, a Itaúsa sempre pagou mais dividendos por ação do que o Itaú, mas isso mudou em 2018 e, principalmente, em 2019:

Além de pagar mais, também faz isso com uma frequência maior. Enquanto ITSA4 distribui seus dividendos trimestralmente, ITUB4 paga mensalmente — sem falar dos pagamentos complementares e JCP duas vezes ao ano.

“Por muito tempo, o investimento em Itaúsa foi recomendado pois havia um desconto atrativo entre o valor de mercado da holding e a soma do valor de mercado de seus ativos”, conta Max.

Entretanto, “posso dizer que estou há 16 anos no mercado e eu nunca vi esse desconto dos ativos em relação ao valor de mercado da Itaúsa se estreitar de maneira relevante” e, “sob [essas] evidências estatísticas e qualitativas, tenho convicção de que o momento é mais propício para o investimento em ITUB4”, conclui.

Conclusão

Agora, você entende o negócio por trás da Itaúsa e os principais fatores que nos levam à indicação tão reforçada no artigo: venda ITSA4 e compre ITUB4.

Aproveite a baixa histórica na razão entre ambos os ativos, que se traduz num “belo ponto de troca (ou oportunidade interessante de montar posição no maior banco privado do país)”, explica Max.

Ah, antes de finalizarmos: os assinantes do MAB que efetuaram essa troca à risca já surfaram num lucro de 24%. Esse valor, que equivale a anos de poupança, aconteceu em pouco mais de cinco meses.

Vai ficar de fora?