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Investimentos

Mercado brasileiro está ‘brincando com fogo’ por não precificar uma possível reeleição de Lula, afirma analista

‘Consequências’ de um quarto mandato de Lula parecem desconsideradas pelo mercado, que ainda esperam por uma alternância política, segundo Matheus Spiess, da Empiricus

Por Anna Larissa Zeferino

15 jan 2026, 15:56

Atualizado em 15 jan 2026, 16:03

lula LCD renda fixa

(Imagem: Portal do Comércio)

Desde o ano passado, os ativos de risco do mercado brasileiro vivem um período de otimismo. O Ibovespa encerrou 2025 com alta acumulada de 33% e, nos 15 primeiros dias de 2026, já renovou máximas históricas mais uma vez, ultrapassando os 165 mil pontos nesta quinta-feira (15).

Para boa parte do mercado, o otimismo é explicado por dois fatores principais:

  • Alta convicção em um ciclo de corte nos juros (Selic), que deve ser contratado ao longo de 2026;
  • Uma possível alternância política após as eleições do próximo mês de outubro.

No que diz respeito às eleições, as expectativas de mercado giram em torno de uma possível candidatura à presidência de Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, ou até mesmo Ratinho Júnior, governador do Paraná – nomes mais pró-mercado e, possivelmente, mais propensos a conduzir uma reforma fiscal no país.  

Enquanto isso, a taxa de rejeição ao governo Lula mostra-se crescente. No momento, está em 49%, segundo última pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última quarta-feira (14).

Porém, a aparente desconsideração do mercado por uma possível reeleição de Lula pode acender um sinal de alerta.

“A gente está brincando com fogo, porque é uma reversão de expectativas muito forte que o mercado ainda está ‘pagando para ver’ por não colocar no preço essa manutenção [de governo], flertando com a alternância do pêndulo político.”

Quem afirma é Matheus Spiess, analista de macroeconomia da Empiricus Research, em participação no programa Giro do Mercado, do Money Times, da última quarta-feira (14).

‘Brincando com fogo’: como Lula pode se reeleger e o que isso significa para os mercados, segundo analista

Segundo a recente pesquisa Genial/Quaest, Lula segue favorito à reeleição frente a todos os candidatos de oposição simulados, mesmo com a alta taxa de rejeição.

Para Spiess, apesar dos números mostrarem o presidente “com rejeição elevada e relativamente rígida”, o problema está “justamente na definição da candidatura da oposição”, que segue fragmentada.

E um principal fator entra em jogo: o nome de Lula se torna ainda mais forte caso a candidatura de Flávio Bolsonaro como único nome da direita se concretize.

“A verdade é que a pré-candidatura de alguém como Flávio, que reativa a rejeição associada ao pai, recria um antagonismo conveniente para Lula e ainda apresenta múltiplos pontos frágeis que serão explorados quando a campanha ganhar corpo. Nesse sentido, Flávio acaba sendo um presente para o PT”, afirma o analista em sua newsletter Mercado em 5 Minutos desta quinta (15).

Com isso, a reeleição não está totalmente descartada, o que pode trazer estresse de mercado e consequências mais drásticas, segundo o analista:

“Um estouro no câmbio ou na curva de juros [pós-reeleição] poderia ser muito ruim, porque as famílias estão muito endividadas. Temos o risco de entrar em uma crise de crédito aos moldes da vista na ‘era Dilma’, só que em um patamar de endividamento muito maior”.

Como Lula pode ancorar expectativas de mercado após possível reeleição?

Para mitigar choques no mercado, Spiess aponta algumas medidas que podem ser tomadas por Lula em caso de uma eventual reeleição. Algumas de baixa convicção, outras em maior convicção, considerando que o governo “não acredita no ajuste fiscal”, segundo o analista:

Medidas de “maior convicção”:

  • Sinalizar um nome de peso para o Ministério da Fazenda;
  • Anunciar um pacote de ajustes fiscais.

Medidas de “menor convicção”:

  • Incluir os gastos nos setores de saúde e educação dentro do arcabouço fiscal, que atualmente estão “crescendo em ritmos cavalares” por fora, segundo o analista;
  • Rever os parâmetros do salário mínimo como indexador dos benefícios sociais. “O ideal seria no contexto da previdência, mas isso envolve uma guerra interna dentro do petismo”, afirma.

Segundo os analistas, estes são fatores que não resolvem o problema estruturalmente, mas servem como “um puxadinho para sobreviver até 2030”. Apesar disso, “o ideal seria resolver a questão estrutural agora”, conclui.

Jornalista no mercado financeiro desde 2022. Pós-graduanda em Economia, Investimentos e Banking pela Universidade de São Paulo (ESALQ-USP). Escreve para os portais Empiricus, Money Times e Seu Dinheiro, e já passou por casas como Itaú BBA e XP.