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Após o fechamento dos mercados da quarta-feira (25), a Nvidia (B3: NVDC34 | Nasdaq: NVDA) reportou os números do quarto trimestre do ano fiscal de 2026 (encerrado em janeiro). Mais uma vez, a maior empresa em valor de mercado do mundo surpreendeu positivamente os mercados – ainda mais considerando a projeção para o próximo trimestre, que veio bem acima do consenso.
No trimestre a companhia reportou vendas de US$ 68,127 bilhões, valor 73% maior do que o apresentado um ano atrás.
Confira o desempenho por linha de segmento da Nvidia no 4T25
Analisando por segmento, a parte Compute & Networking totalizou US$ 61,651 bilhões, um aumento de 71% na comparação anual, enquanto a parte Graphics teve vendas de US$ 6,476 bilhões (+97% vs. 4T25).
Já por plataforma de mercado, a linha de Data Center reportou receita de US$ 62,314 bilhões (+75% vs. 4T25), sendo US$ 51,334 bilhões (+58%) voltados a Compute e US$ 10,980 bilhões (+263%) de produtos de Networking. A parte de Gaming, que fez a fama da empresa no começo da sua existência com as placas de vídeo para jogos, teve vendas de US$ 3,727 bilhões (+47%).
Após trimestres apresentando uma leve redução na sua margem bruta, a companhia conseguiu melhorar esse indicador em quase 2 pontos percentuais ante o mesmo trimestre do ano anterior, encerrando o período nos 75,2%.
Essa melhora no mix de vendas de produtos, somado a alavancagem operacional do negócio, fez com que a empresa reportasse um lucro operacional ajustado de US$ 46,107 bilhões, crescimento de 81% em relação a um ano atrás.
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Resultado financeiro da Nvidia no 4T25
Na linha final de resultado, o lucro líquido ajustado no trimestre foi de US$ 39,552 bilhões, ou US$ 1,62 por ação, valor 82% maior na comparação anual.
Os números referentes ao ano fiscal de 2026 apenas deixam mais claro que a companhia está na vanguarda da tecnologia voltada à Inteligência Artificial.
Nos doze meses, as vendas líquidas foram de US$ 215,928 bilhões, valor 65% maior do que no ano anterior, com a quase 90% de produtos voltados a Compute & Networking (US$ 193,479 bilhões, +67%). A parte Graphics reportou receita de US$ 22,459 bilhões (+57%).
Por plataforma, a linha para Data Center totalizou US$ 193,737 bilhões, aumento de 68% na comparação anual – sendo US$ 162,361 bilhões (+59%) para Compute e US$ 31,376 bilhões (+142%) de Networking –, enquanto os chips para Gaming apresentaram receita de US$ 16,042 bilhões (41%).
Dado a piora nas margens no começo do ano, a companhia acabou reportando uma margem bruta para o período de 71,3%, 4,2 pontos percentuais a menos do que no período anterior. Contudo, com a melhor produtividade na entrega de novos sistemas ao longo de 2026, como visto nos números do último trimestre, a perspectiva é que a empresa consiga retornar esse indicador na casa dos 75%.
Por outro lado, ela manteve o bom controle de despesas operacionais, que aumentou menos do que as vendas (42% vs. AF25), fazendo com que o lucro operacional ajustado totalizasse US$ 137,300 bilhões no ano fiscal de 2026, valor 58% maior na comparação anual.
O lucro líquido ajustado da Nvidia no ano foi de US$ 116,997 bilhões, o equivalente a US$ 4,77 por ação, crescimento de 60% em relação ao ano anterior.
Projeções para o ano fiscal de 2027
Além dos ótimos números divulgados, a direção da companhia também surpreendeu positivamente os mercados com as projeções para o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027.
Isso porque a Nvidia enxerga que a receita fique na casa dos US$ 78 bilhões no período, o que representaria um aumento de quase 80% quando comparado com o primeiro trimestre do ano anterior. O mais impressionante é que o consenso de mercado indicava algo perto dos US$ 72 bilhões, mostrando que a demanda por chips segue muito acima do esperado pelos investidores.
Outro ponto positivo foi a manutenção da margem bruta ajustada nos 75%, reforçando a visão da companhia que, após os ajustes iniciais para a produção dos sistemas Blackwell, ela já se encontra em um nível que permite ela auferir os reais ganhos com a venda desses produtos.
Após os resultados divulgados pelas maiores hyperscalers do mundo, os números da Nvidia só reforçaram a importância que ela tem para o mercado.
Segundo a companhia, essas provedoras de computação em nuvem representam aproximadamente 50% da receita dos chips de Data Center – e o restante veio de uma base de clientes diversificada, que trouxe uma boa parte do crescimento desse segmento.
Desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, a receita dessa linha multiplicou por 13 vezes. Até mesmo produtos tido como obsoletos por parte do mercado, como o Hopper e Ampere, seguem com utilização máxima nas provedoras de computação em nuvem.
Outro ponto interessante é que, mesmo com as ótimas perspectivas para o negócio, a projeção de receita para o trimestre ainda não considera as vendas para a China. Dado que o Governo chinês recentemente aprovou a compra de alguns sistemas específicos apenas recentemente, existe uma chance de a companhia surpreender para cima na primeira linha de resultado na próxima divulgação de balanços.
Durante a conferência com os analistas, tanto o CEO Jensen Huang como a CFO Colette Kress fizeram questão de reforçar alguns pontos que, na visão deles, o mercado tem interpretado de maneira errônea.
O primeiro está relacionado a capacidade de monetização das empresas que estão investido pesadamente na infraestrutura de IA.
Com a profusão de agentes de IA nos últimos meses, Huang entende que o “momento ChatGPT” para esse tipo de produto terá início a partir de agora. Isso porque, diferentemente do momento inicial, a partir de agora o resultado para os usuários estará mais ligado a parte de inferência do que de computação – permitindo que várias companhias ofereçam serviços com alta capacidade de geração de fluxos de caixa, comparado com a visão focada em custos da fase anterior.
O outro é que esses agentes de IA seriam um problema para as empresas de Software. Para Huang, na verdade, as novas soluções permitirão essas companhias incorporar essa tecnologia nos seus produtos, melhorando a experiência do usuário.
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Reação das ações NVDA ao balanço trimestral
Apesar desses pontos apresentados, após uma reação inicial positiva (com o papel subindo 3% no after-market) a ação da companhia apresentava uma valorização perto de 1% antes da abertura dos mercados nessa quinta (26).
Parte do ceticismo ainda parece estar mais relacionado a sustentabilidade dos investimentos na infraestrutura de IA nos próximos meses. Caso alguma das grandes companhias resolvam rever suas projeções de capex no futuro próximo, a percepção é de que os números da Nvidia seriam altamente impactados (para baixo).
Contudo, considerando os números divulgados, a ação voltou a negociar na casa das 24 vezes seus lucros projetados para o ano. Esse patamar é o mesmo quando o mercado sofreu com o anúncio das tarifas pelo Governo Trump, em maio do ano passado – o que se mostrou um belo momento de compra do papel, que se valorizou mais de 100% desde então.
Isso não significa que o investidor deva esperar um retorno similar agora (até porque, se isso acontecesse, a empresa passaria a valer quase US$ 10 trilhões).
Entretanto, dado a importância da companhia para o desenvolvimento da tecnologia de IA, vejo o patamar de preços atrativos para o investidor que queira apostar uma parte do seu portfólio nessa tecnologia. Mantemos nossa recomendação de compra para as ações da Nvidia (B3: NVDC34 | Nasdaq: NVDA), uma sugestão da série IA Cash.