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Investimentos

O dólar tem sido substituído pelo ouro nos portfólios globais? Analista vê ‘três vetores’ que justificam investimento no metal

Ouro começa 2026 em alta e analista enxerga continuidade do movimento positivo da commodity

Por Juan Rey

16 jan 2026, 15:53

Atualizado em 16 jan 2026, 15:53

ibovespa mercado ouro

Imagem: iStock.com/sommart

Depois de uma alta de 54% em 2025, o ouro iniciou 2026 mantendo a toada positiva. Com o cenário geopolítico conturbado favorecendo o investimento em ativos de proteção, o ETF GOLD11 registra valorização de 5,2% em 2026, até o fechamento da última quinta-feira (15).

O metal é uma reserva de valor clássica, cuja demanda aumenta em períodos de incerteza e turbulência. Nesse sentido, a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, que culminou na prisão de Nicolás Maduro, e a repressão promovida pelo regime do Irã aos protestos no país, iniciados em 28 de dezembro, fomentaram o apetite em direção ao ouro.

Além disso, a analista Larissa Quaresma, da Empiricus, explica que tem havido um movimento chamado de “debasement trade”, em que as moedas fiduciárias são substituídas pelo ouro nos portfólios dos investidores.

Isso se deve a três vetores que, na avaliação da analista, podem continuar a impulsionar os preços da commodity:

  1. Uma tendência global de expansão fiscal;
  2. Uma busca dos bancos centrais por ouro; e
  3. Corte de juros nos EUA.

Expansão fiscal não é problema apenas no Brasil

Sobre o primeiro ponto, a analista explica que a tendência de expansão fiscal não é um “problema” apenas brasileiro: ela tem sido vista nos EUA, na Europa e, agora, até no Japão, com o governo ensaiando uma grande ampliação dos gastos públicos.

“Uma expansão de gastos tende a tornar a inflação estruturalmente num patamar maior e tira um pouco do valor das moedas fiduciárias fortes no mundo”, afirmou em participação no Morning Call do BTG Pactual (assista ao final da matéria).

Inclusive o dólar, também considerado uma reserva de valor tradicional, tem perdido relevância, segundo a analista.

“Isso tem ocorrido por conta da ‘revolução’ política feita pelo Governo Trump. Mudanças nas políticas interna e externa e uma instabilidade institucional envolvendo o Federal Reserve, com pressão por parte do executivo para queda de juros. Isso de certa forma mina a confiança no dólar como aquela reserva de valor única e absoluta. Não vai deixar de ser a principal moeda do mundo, mas não tem aquele status absoluto e inquestionável de reserva de valor”.

Demanda dos bancos centrais por ouro

Outro fator que justifica o otimismo com o ouro é a demanda dos bancos centrais, que têm substituído as moedas fortes pelo metal e, em menor escala, pelo bitcoin.

“A tendência é ver uma demanda crescente nos próximos anos. Continuamos a acreditar nesse papel estrutural do ouro que ganha contornos ainda mais atrativos na nossa visão pela substituição das moedas, sem mencionar a questão geopolítica que acaba contribuindo”, disse Larissa Quaresma.

Corte de juros nos Estados Unidos também favorece metal

O terceiro vetor que deve beneficiar o ouro é a provável continuidade do ciclo de corte de juros nos Estados Unidos este ano.

“Como o ouro não paga yield, não tem fluxo de caixa, toda vez que há uma queda de custo de capital na prinicipal economia do mundo, tende a favorecer ativos que não pagam caixa aos seus detentores. No caso do ouro, como reserva de valor, ele ganha destaque”, afirma a analista.

A Empiricus Research é pioneira entre as casas de análise brasileiras a recomendar ouro no portfólio.

Com o cenário positivo à vista, a analista ratifica: “mantemos a convicção no ouro. Tem que ter na carteira como uma proteção e com a perspectiva positiva para os próximos anos”, finaliza.

Assista no player abaixo a participação da analista no Morning Call, do BTG Pactual:

Jornalista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é editor do site da Empiricus. Contato: juan.rey@btgpactual.com.