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O pregão desta segunda-feira (23) teve um tom predominante negativo para os mercados globais. No Brasil, o Ibovespa sentiu o mau humor e encerrou o dia em queda de -0,88%, aos 188.853 mil pontos.
Entre os poucos destaques positivos do índice no pregão, estão:
- A Marfrig (MBRF3), que subiu +3,8%;
- A alta de +3,2% Telefônica Brasil (VIVT3), que divulgou mais um resultado trimestral robusto;
- As duas ações de maior peso do Ibovespa: Petrobras (PETR3) fechou em alta de +1,9% e Vale (VALE3) valorizou +0,6%.
No entanto, os desempenhos favoráveis não foram suficientes para levar o Ibovespa ao campo positivo. Isso porque os bancos, que têm peso significativo no índice, não tiveram um bom pregão.
O Santander (SANB11), com queda de –5,6%, puxou a fila das baixas no setor financeiro. Itaú (ITUB4), BTG Pactual (BPAC11), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) caíram -3,6%, -2,5%, -2,4% e -0,1%, respectivamente.
Dólar encerra pregão cotado a R$ 5,16
O movimento negativo da Bolsa brasileira foi derivado do mau humor nos principais índices das bolsas norte-americanas, com o S&P 500 em queda de –1%, o Nasdaq em baixa de -1,1%, e o Dow Jones desvalorizando -1,6%.
O dólar, por sua vez, encerrou o dia perto da estabilidade, cotado a R$ 5,16 – queda diária de -0,14%.
Até o fechamento desta matéria, o bitcoin caía -4,2%, na casa dos US$ 64 mil.
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Qual foi o pano de fundo do pregão desta segunda-feira (23)?
O analista Matheus Spiess, da Empiricus, destacou que os mercados já iniciaram o dia em tom de cautela, com os investidores buscando proteção em ativos tradicionalmente defensivos, como ouro (que subiu mais de 2% no pregão), franço suiço e iene.
Isso porque a incerteza em torno da política comercial dos Estados Unidos voltou a ganhar força após a Suprema Corte invalidar as tarifas impostas por Donald Trump e restringir o uso de poderes de emergência para fins comerciais – o que abriu espaço para uma disputa longa sobre reembolsos às empresas.
Em resposta, Trump anunciou uma tarifa global “temporária” de 10%, posteriormente elevada a 15%, o que “reacendeu o risco de nova escalada tarifária e lançou dúvidas sobre acordos previamente negociados”, afirmou Spiess.
Já no campo geopolítico, destacou o analista, os sinais de maior flexibilidade do Irã nas negociações nucleares até trouxeram algum alívio. “Mas o cenário permanece sensível a novas declarações e movimentos estratégicos”.
No Brasil, o Relatório Focus até animou, mas não o suficiente para animar o Ibovespa.
Os economistas reduziram a previsão para 2026 do índice oficial de inflação do Brasil, o IPCA, de 3,95% para 3,91%, enquanto a projeção para o PIB saiu de 1,80% para 1,82%.
A previsão para a Selic terminal caiu de 12,25% para 12,13%, o que representa um ciclo de queda de 287 pontos-base.
A expectativa para o valor do dólar no final do ano também foi reduzida, de R$ 5,50 para R$ 5,45.