Small Caps: conheça as vantagens e desvantagens

Entenda o que são Small Caps e se elas são um bom investimento para você.
Small Caps: conheça as vantagens e desvantagens

As Small Caps são vistas de diferentes formas pelos diferentes tipos de investidores - então é muito fácil achar opiniões diversas e, caso você não entenda muito bem, isso pode dificultar a formação da sua opinião sobre as mesmas. Por isso, hoje iremos te contar o que são small caps e quais suas principais vantagens e desvantagens.

O que são Small Caps?

Small Caps são aquelas empresas cujas ações são negociadas em Bolsa, mas que não são tão grandes assim ainda. 

Ou seja, nada de gigantes como Petrobras (valor de mercado de mais de R$ 250 bilhões), Vale (R$ 300 bilhões) ou Itaú (R$ 215 bilhões). Estamos falando de empresas como:

  • A Azul, cujo valor de mercado é de perto de R$ 9 bilhões;

  • A Marfig, com R$ 11 bilhões;

  • A MRV, com R$ 8 bilhões;

  • A Hering, com R$ 3 bilhões;

  • A Centauro, com R$ 6 bilhões;

  • A locadora Locamerica, com R$ 13 bilhões.

Veja que elas são small, ou pequenas, pelos padrões da Bolsa -- não quer dizer que sejam empresas pequenas como a padaria da esquina.

O mais difícil quando nos perguntamos “o que são small caps” é que não existe uma definição fixa de limite de valor de mercado para uma small cap. A Bolsa define small cap assim: ponha as empresas em ordem decrescente de valor de mercado.

Vá somando os valores de mercado até atingir 85% do total da Bolsa. São consideradas small caps as empresas restantes, ou seja, aquelas cujo valor de mercado somado representa 15% da Bolsa.

Quais as vantagens de comprar Small Caps?

Imagine uma empresa muito grande, como o mencionado Itaú ou a Ambev. O Itaú vai dobrar de tamanho em dois anos? Claro que não -- ele já é grande demais. 

A Ambev vai vender três vezes mais cerveja? Também não: ela já vende mais de 60% das cervejas no Brasil. Teria que expulsar todos os concorrentes do mercado (chegando a 100%) e então ainda convencer cada brasileiro a aumentar em 80% seu consumo.

Ações como Itaú e Ambev são as chamadas “ações de rico”: ótimas empresas, extremamente bem geridas, pagadoras de dividendos, mas que terão mais dificuldades para dar saltos exponenciais de crescimento.

Mas uma empresa menor, cuja participação de mercado seja menos significativa, pode fazer isso. A MRV pode fazer duas vezes mais prédios? Sim, sua participação no mercado de construção é pequena. O Itaú não vai dobrar o número de agências, mas os laboratórios Fleury podem ter uma política agressiva de expansão no número de unidades, inclusive para o interior ou novos mercados.

Às vezes, ser grande demais têm suas desvantagens.

Quais as desvantagens das small caps?

Três são as principais:

Small Caps têm riscos maiores

Bom, em primeiro lugar: não é porque alguma coisa é pequena que ela necessariamente vai crescer. Pelo contrário, empresas menores bastante sujeitas às chacoalhadas da vida. Quem você diria que tem mais chance de continuar existindo daqui 20 anos: a Ambev ou a Locamerica?

Small Caps têm oscilações mais bruscas no preço

Tem um trilhão de investidores de todos os portes negociando ações da Petrobras todos os dias. Sempre vai ter alguém disposto a vender, sempre vai ter alguém disposto a comprar. Qualquer distorção no preço tende a ser percebida rapidamente e corrigida. É como um jogo de futebol com cem mil juízes.

Ações menores, porém, estão mais fora do radar. Há pouca gente comprando, pouca gente vendendo. Uma notícia ruim pode fazer os compradores desaparecerem, fazendo a cotação despencar. Um balanço extraordinário faz os vendedores sumirem, fazendo o papel dar um salto para cima.

Além disso, um sujeito ou fundo que tenha muito dinheiro pode pressionar o valor da ação para cima (se começar a comprar) ou para baixo (se resolver sair vendendo tudo de uma vez). É muito mais difícil fazer isso com uma empresa grande, porque você precisaria de muito mais dinheiro para impactar o mercado.

Small Caps dão pulos, para cima e para baixo. Se você é cardíaco, melhor evitar.

Small Caps tendem a pagar menos dividendos

Como dito, small caps tendem a ser empresas com maior potencial de crescimento, então elas vão muitas vezes preferir investir seus lucros na expansão do negócio do que distribuí-los aos acionistas por meio de dividendos.

Isso não é ruim, pelo contrário: o dinheiro está sendo utilizado para multiplicar o negócio, o que vai fazer a ação valer muito mais no futuro. Mas, se você conta com os dividendos para viver e precisa desse fluxo de dinheiro, melhor comprar uma empresa mais consolidada, que por não crescer pode se dar ao luxo de mandar um cheque gordo periodicamente para seus acionistas.

Como investir em Small Caps?

Há duas formas. Uma é comprar o ETF chamado SMAL11. ETF é um fundo que é negociado em Bolsa como se fosse uma ação: se você entrar no seu home broker e digitar SMAL11, pode comprar imediatamente.

O SMAL11, especificamente, agrega todo o índice de small caps listadas na B3, inclusive todas essas empresas citadas acima. Ou seja, você compra SMAL11 e está comprando todas as small caps da Bolsa de uma vez. (Há alguns critérios de exclusão, como uma liquidez mínima -- a ação tem de ser minimamente negociada.)

A vantagem é que você diversifica sem precisar de muito dinheiro para isso.

Se você quiser, porém, comprar small caps específicas, selecionando aquelas de maior potencial, precisa de ajuda para analisá-las.

Um caminho para isso é a série Microcap Alert, aqui da Empiricus, produzida pelo Max Bohm. Entre as ações que ele sugere, estão a Movida, locadora de carros, e a Jereissati, dona dos shoppings Iguatemi.