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Investimentos

‘Trégua retórica’ de Trump em relação ao Irã acalma mercados; veja destaques desta sexta (16)

Divulgação de balanços mais fortes que o esperado no exterior também contribui para humor dos mercados

Por Matheus Spiess

16 jan 2026, 10:04

Atualizado em 16 jan 2026, 10:49

donald trump ação empresa mercado

(Imagem: Montagem Canva Pro)

O humor dos mercados melhorou após a trégua na retórica de Donald Trump em relação ao Irã e à divulgação de balanços mais fortes no exterior. Ao mesmo tempo, os investidores mantêm o foco em indicadores relevantes — como a produção industrial nos Estados Unidos e o IBC-Br no Brasil.

No tabuleiro comercial, Taiwan firmou um acordo com os EUA que prevê tarifa de 15% sobre seus produtos, número que ganhou ainda mais atenção por também ser apontado como possível parâmetro para uma tarifa “universal” caso a Suprema Corte venha a derrubar parte das tarifas atuais.

Na China, o aperto regulatório sobre operações de alta frequência afetou o mercado de commodities, contribuindo para quedas nos preços de metais.

No campo político, o Japão adiciona uma camada de incerteza com a formação de uma nova aliança de oposição às vésperas de uma possível convocação de eleições antecipadas, o que pode dificultar a consolidação do governo.

Na Europa, as bolsas operam de forma mista, com o noticiário geopolítico ainda pressionando o sentimento — em especial, as tensões envolvendo a Groenlândia e a relação com os EUA, tema que tem gerado ruído até sobre a coesão da OTAN e sobre a percepção de risco soberano.

No mercado de energia, o petróleo segue volátil: os riscos no Oriente Médio sustentam um prêmio geopolítico, mas a perspectiva de oferta relativamente abundante atua como limite, com o Brent oscilando em uma faixa estimada entre US$ 57 e US$ 67.

Por fim, os futuros de Nova York apontam para alta, apoiados pelo bom momento do setor de tecnologia após a TSMC, pelos balanços bancários e pela expectativa em torno de novos dados de atividade e da continuidade da temporada de resultados corporativos.

· 00:54 — Apesar do imbróglio…

Por aqui, mesmo em um dia marcado pela queda de cerca de 4% no preço do petróleo, o Ibovespa surpreendeu ao renovar máximas históricas, tocando os 166 mil pontos. O movimento foi puxado principalmente por investidores locais, que vinham com baixa alocação em ações e passaram a se animar com a recente trajetória positiva do mercado, enquanto os bancos deram contribuição importante para sustentar o índice.

Em paralelo, os juros futuros subiram. No campo macroeconômico, o IBC-Br divulgado nesta manhã voltou a crescer em novembro, apoiado pela alta de 1% nas vendas do varejo, influenciadas pela Black Friday, e registrou avanço de 0,7% na comparação mensal — ficando bem acima da mediana das estimativas, que apontava para 0,3%. Esse resultado reforça a leitura de que o início do ciclo de cortes da Selic tende a ocorrer apenas em março, reacendendo o debate no Banco Central sobre o momento mais adequado para iniciar a flexibilização monetária.

No campo diplomático, a visita de Ursula von der Leyen a Lula ocorre às vésperas da assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, marcada para o Paraguai, mas sem a presença do presidente brasileiro, que será representado pelo chanceler Mauro Vieira.

A ausência de Lula gera certo incômodo e é interpretada como sinal de descontentamento do governo brasileiro pelo fato de o acordo não ter sido concluído enquanto o Brasil presidia o Mercosul, no ano passado. Além disso, o tratado ainda enfrenta riscos após a decisão de Lula de pressionar a Enel em São Paulo por conta dos apagões, determinando que AGU e CGU apurem responsabilidades — movimento que desagradou o governo italiano, que possui participação na companhia, e pode levar a primeira-ministra Giorgia Meloni a não comparecer à cerimônia.

Por fim, na política doméstica, Tarcísio de Freitas passou a atuar para viabilizar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, enquanto Michelle Bolsonaro buscou apoio no STF. Diferentemente das movimentações dos filhos do ex-presidente, que acabaram agravando sua situação, a articulação de Tarcísio e Michelle teve efeito rápido: Bolsonaro foi transferido para a “Papudinha”, onde o espaço é maior e há possibilidade de visitas médicas mais frequentes.

Como venho destacando, o quadro eleitoral tende a ganhar peso crescente na dinâmica dos ativos. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro enfrenta rejeição muito elevada e carece de apoio consistente do Centrão, ao mesmo tempo em que nomes como Ratinho Júnior surgem como alternativas.

Tarcísio, por sua vez, mantém a postura cautelosa que adota desde o início, evitando exposição precoce e negando ser candidato ao Planalto. O cenário segue fluido, com rearranjos que devem ganhar mais clareza a partir de março. Para o mercado, o pano de fundo continua sendo a ausência de uma perspectiva clara para o ajuste fiscal a partir de 2027, ano em que uma reforma fiscal será, na prática, inevitável.

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· 01:49 — Se recuperando

Após dois dias consecutivos de queda, as bolsas americanas voltaram a subir na quinta-feira, apoiadas pela correção do preço do petróleo e por resultados corporativos mais fortes do que o esperado. Entre os destaques do dia, a Taiwan Semiconductor, que renovou o otimismo em torno da inteligência artificial ao anunciar planos de investir até US$ 56 bilhões neste ano — acima do que o mercado previa.

O anúncio foi interpretado como sinal de robustez financeira e de confiança na demanda futura, beneficiando não apenas a própria empresa, mas também toda a sua cadeia de fornecedores. No setor bancário, os balanços mais recentes produziram uma leitura mais heterogênea.

Apesar de 2025 ter sido um ano muito forte, impulsionado pelo aumento das fusões e aquisições e pela maior volatilidade nos mercados — que favoreceu as áreas de trading —, o quarto trimestre revelou algumas fragilidades. Bank of America, JPMorgan, Wells Fargo e Citi enfrentaram pressão sobre receitas, aumento de custos ou resultados abaixo do esperado, o que levou suas ações a recuar. Em contraste, Goldman Sachs e Morgan Stanley se destacaram, com crescimento expressivo de lucros e receitas.

Para 2026, o consenso ainda é de continuidade do crescimento do setor, mas com riscos relevantes no radar: Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, alerta para os desafios trazidos pela complexidade geopolítica, pelos preços elevados dos ativos e pela possibilidade de inflação mais persistente. Além disso, o setor acompanha com cautela a tentativa de Donald Trump de limitar as taxas de cartão de crédito, o que poderia afetar a rentabilidade do crédito ao consumidor.

· 02:35 — Apetite por aquisições

As grandes farmacêuticas entram em 2026 com apetite elevado por aquisições, movidas sobretudo pela proximidade do chamado patent cliff — a perda de exclusividade de medicamentos que hoje sustentam boa parte do faturamento do setor.

O caso mais emblemático é o Keytruda, da Merck, que deve ter gerado cerca de US$ 31,6 bilhões em vendas no ano passado e representa aproximadamente metade da receita anual da companhia, mas cuja patente tende a expirar nos próximos anos. Nesse contexto, empresas como Merck, Pfizer, Amgen, Novo Nordisk e Eli Lilly intensificam a busca por biotechs com ativos promissores para reforçar seus portfólios — e mostram disposição de pagar prêmios relevantes quando enxergam vantagem estratégica.

Os exemplos recentes ajudam a ilustrar o momento: a Merck estaria em negociações para comprar a Revolution Medicines; a Eli Lilly teria conversas para adquirir a francesa Abivax por € 15 bilhões; e, no segmento de GLP-1, a simples sinalização de maior interesse do mercado fez as ações da Viking Therapeutics subirem em dois dígitos. Em paralelo, os números confirmam o aquecimento: em 2025, os negócios globais anunciados no setor de biotecnologia totalizaram US$ 228,4 bilhões — acima dos US$ 132,3 bilhões de 2024 — e a leitura é que 2026 pode ser ainda mais intenso, a ponto de, em algumas companhias, os gastos com aquisições já rivalizarem ou até superarem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

· 03:27 — Ficou para semana que vem

Há forte expectativa em torno do julgamento da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a legalidade das tarifas impostas por Donald Trump, e esta sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, ganha relevância porque os juízes se reúnem em conferência. O processo envolve tanto as tarifas “recíprocas” de caráter amplo quanto aquelas mais específicas, voltadas ao combate ao tráfico de fentanil, todas implementadas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

O centro do debate jurídico está em definir se essas medidas podem ser enquadradas como instrumentos regulatórios — permitidos ao presidente em situações excepcionais — ou se, na prática, configuram tributação, uma atribuição que a Constituição reserva ao Congresso. Caso a Corte entenda que as tarifas são ilegais, se abrirá a discussão sobre eventuais reembolsos, que podem chegar a algo próximo de US$ 130 bilhões, mas que tendem a ser lentos, complexos e dependentes de ações judiciais individuais.

Ainda assim, é pouco provável que uma decisão seja divulgada hoje. As conferências da Suprema Corte são fechadas ao público e, via de regra, não resultam em anúncios imediatos. A leitura mais realista é que novas decisões só comecem a ser publicadas a partir de terça-feira, 20 de janeiro, após o feriado do Dia de Martin Luther King Jr. Mesmo em um cenário de derrota integral da Casa Branca (o que eu não sei se é o caso), o governo já deixou claro que dispõe de caminhos alternativos para reintroduzir tarifas com base em outros instrumentos legais, buscando preservar tanto a arrecadação quanto o uso das tarifas como ferramenta de política comercial.

· 04:18 — Alguns riscos no radar

A recente turbulência geopolítica expõe a região da Ásia-Pacífico a três riscos principais, mesmo que, no conjunto, as consequências macroeconômicas devam permanecer relativamente contidas. Primeiro, uma elevação sustentada do preço do petróleo pode amplificar pressões inflacionárias e reduzir o espaço para cortes de juros.

Segundo, mudanças nas perspectivas econômicas dos Estados Unidos — que continuam sendo o principal destino das exportações asiáticas — podem afetar a confiança e a atividade exportadora na região. Por fim, ações políticas dos EUA relacionadas ao Irã e a possibilidade de tarifas secundárias introduzem riscos comerciais adicionais, com impactos significativos para grandes exportadores como China e Índia. No curto prazo, a divulgação de dados de atividade e as primeiras decisões de política monetária de economias na região serão elementos importantes para calibrar essa dinâmica e ajudar a ancorar a trajetória econômica regional.

· 05:01 — Dobrando a aposta

A Meta Platforms (Nasdaq: META; B3: M1TA34) vem intensificando sua aposta em inteligência artificial e, para sustentar esse ritmo de expansão, anunciou recentemente a chegada de Dina Powell McCormick como presidente e vice-presidente do conselho em um cargo inédito.

A função, na prática, é servir…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.