Imagem: iStock.com/Vitalij Sova
Caro leitor,
Na última edição, alertamos sobre uma fragilidade no Bitcoin ao romper os US$ 84 mil. A estrutura técnica mostrava rachaduras. Se aquele antigo suporte cedesse, o ativo tinha grandes chances de engatar numa nova tendência de baixa. Não é como se tivéssemos torcido para isso acontecer ou como se conseguíssemos mover preços — longe disso. Ao gerir um portfólio, temos apenas que acompanhar o movimento e gerir risco. E o cenário se materializou.
Quanto ao “responsável” por empurrar o mercado da beira? Não temos grandes novidades. Em grande parte, se tratou apenas da continuação da dinâmica comentada anteriormente: o movimento de rotation causado pelo questionamento da narrativa “investimento em IA vs geração de receita”, catalisado pela complacência dos investidores que topavam o risco enquanto o papel se pagava. Quanto maior a altura, maior o tombo.
Nesta edição, vamos discutir se chegamos a um fundo e o que fazer com o portfólio em momentos como esse.
O movimento de preço
O Bitcoin rompeu os US$ 84 mil, e esse não era apenas mais um suporte qualquer. Tratava-se do principal ponto de acumulação dos ETFs à vista de Bitcoin, uma zona onde o capital institucional historicamente atuava como colchão nas quedas. Perder esse nível abriu as comportas.
O que veio depois foi uma cascata. De um lado, o risco sendo reprecificado nos mercados como um todo. De outro, a ausência de novos compradores. O institucional, que costumava amortecer as quedas, ficou de fora. E o varejo? Entrou em modo FUD, com saída de fluxo acelerando a descida.
Esse movimento se perpetuou até encontrar um respiro na zona dos US$ 60 mil. Uma queda de aproximadamente 50% desde a última máxima histórica. Mas seria esse o fundo?
Até o momento, nossos modelos proprietários — baseados em indicadores de tendência e histórico de preço — sugerem que há espaço para quedas adicionais. Não identificamos sinalização forte de mudança de regime (para lateralização) ou melhora no curto prazo para recuperação de patamares-chave. Não seria surpresa, portanto, se visitássemos níveis entre US$ 58 mil e US$ 53 mil. Seguimos cautelosos e com boa parte do portfólio em caixa.
O que nos leva a outra questão: com o BTC em queda, vale a pena manter algo no portfólio?
Separando o joio do trigo
Uma característica intrínseca do mercado cripto é a alta correlação. O BTC funciona como um bastião do mercado: na grande maioria das vezes, se ele cai, as altcoins desabam junto. A dinâmica se repete no sentido inverso.
O gráfico acima mostra exatamente isso. Na parte superior, temos duas linhas: a laranja representa o Bitcoin, e a azul representa as altcoins (excluindo as 10 maiores). Repare como os movimentos são praticamente idênticos.
Na parte inferior, temos o coeficiente de correlação calculado para diferentes janelas temporais. Aqui a leitura é simples: quanto mais próximo de 1, mais correlacionados os ativos estão. E o que vemos? Correlação próxima de 1 em diferentes janelas temporais de 30, 90 e 365 dias. Em bom português: Bitcoin e altcoins (em sua grande maioria) estão praticamente colados.
Portanto, a resposta para nossa pergunta anterior é: por via de regra, não. Quando o BTC está em tendência de baixa, altcoins tendem a amplificar perdas. Salvo exceções muito específicas.
Para separar o joio do trigo, podemos partir de duas premissas. Do lado técnico, basta comparar o preço do ativo em relação ao BTC e verificar se está em tendência de alta ou num suporte importante. Do lado fundamentalista, olhamos para catalisadores estruturais que vão além da movimentação de curto prazo do mercado cripto.
Essa abordagem ajuda a amortecer perdas no portfólio cripto. Em determinados casos, até permite ir na contramão.
Do lado fundamentalista, enxergo espaço para ativos que estão se beneficiando do avanço institucional, principalmente aqueles integrando o mercado tradicional com o universo cripto, gerando descorrelação. Aproveitamos essa deixa para abrir uma exceção e fazer uma edição dando destaque a 2 ativos da semana que se encaixam nesses padrões.
Para ficar de olho – Ativos da Semana
HYPE:
Hyperliquid é uma blockchain de alta performance que combina a velocidade de execução das exchanges centralizadas à transparência de operações on-chain. Permite ordens sem custos de gás e oferece taxas competitivas, posicionando-se entre as principais DEXs do mercado.
Seu diferencial reside no foco em mercados perpétuos, que não apenas proporcionam alta alavancagem, mas também capacitam desenvolvedores a criar seus próprios mercados diretamente sobre a infraestrutura.
Uma dinâmica relevante vem do crescimento em mercados de commodities. O open interest em derivativos de commodities atingiu US$ 790 milhões em máxima histórica, acumulando crescimento de aproximadamente 200% em um mês, sinalizando adoção acelerada em novos segmentos.
Em um contexto em que liquidez é prêmio e infraestrutura importa, Hyperliquid oferece características que atraem traders institucionais e varejistas em busca de alternativas eficientes.
PAXG:
Pax Gold é uma stablecoin lastreada em ouro físico, na qual cada token representa uma fração de uma onça do metal custodiado por uma instituição regulada. Em outras palavras, é uma forma de operar ouro utilizando a infraestrutura do mercado cripto, com mais flexibilidade operacional, mas mantendo exposição direta ao preço do metal.
Apresenta bons prospectos para 2026 amparado por um ambiente de incerteza política, dúvidas fiscais e expectativa de juros reais mais baixos no futuro, um contexto em que o ouro tende a se destacar como instrumento de proteção patrimonial.
Além disso, dados recentes apontam para um ciclo consistente de compras líquidas por parte de bancos centrais e instituições financeiras, que vêm ampliando suas reservas de ouro como forma de diversificar o risco em relação ao dólar e reforçar a solidez de seus balanços.