(Imagem: iStock.com/alejomiranda)
Abril chegou — e com ele, duas frentes nas quais o investidor em criptomoedas não pode ignorar: o Leão do Imposto de Renda bate à porta, e o Oriente Médio continua dando as cartas no mercado.
Nesta edição, cobrimos os dois. Começamos pelas obrigações fiscais — um resumo do que o investidor em cripto precisa saber antes que o prazo de declaração aperte. Na sequência, destrinchamos o cenário de mercado: como o conflito se tornou o principal driver de preço do Bitcoin, os dois caminhos pelos quais ele o afeta, e o que os fluxos institucionais revelam. E encerramos com um alerta que voltou às manchetes esta semana: o paper do Google sobre computação quântica, e o que ele significa para a segurança do Bitcoin no longo prazo.
Criptomoedas em dia com o Leão
Sabemos que, por se tratar de um mercado relativamente novo, a tributação de criptoativos ainda gera dúvidas. Ainda assim, a regra é clara: assim como em qualquer outra classe de investimento, operar com criptomoedas envolve obrigações fiscais que não devem ser negligenciadas. Entender como declarar esses ativos corretamente é fundamental para manter a regularidade com a Receita Federal e evitar problemas futuros.
Por isso, abrimos esta edição com um conteúdo dedicado exclusivamente a esse tema — algo essencial para qualquer investidor em cripto. Se você quer entender os detalhes completos — incluindo as regras para cada tipo de operação, os códigos corretos para cada ativo e os erros mais comuns dos investidores — disponibilizamos o material completo no link abaixo.
De olho nos últimos acontecimentos
O Oriente Médio segue como o principal driver de preço do mercado cripto, e há dois mecanismos pelos quais o conflito afeta o Bitcoin de forma direta.
O primeiro passa pelo petróleo. Um conflito prolongado na região é, antes de tudo, um choque de oferta energética: o petróleo caro encarece a energia, e energia cara alimenta a inflação. Com a inflação resiliente, o Federal Reserve (Fed) não tem espaço para afrouxar a política monetária.
Como resultado, os dois cortes de juros que estavam precificados para este ano foram retirados do cenário-base. Ainda assim, há um ponto relevante no radar: a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Fed. Uma mudança de liderança — potencialmente mais sensível às pressões políticas — pode, à frente, alterar o tom da política monetária, se amparado por um ambiente macro mais benigno, com arrefecimento do conflito e normalização dos choques recentes.
Por ora, no entanto, o quadro permanece claro: juros elevados por mais tempo, o que continua impondo restrições adicionais aos ativos de risco.
O segundo canal é mais direto e operacional. O petróleo mais caro encarece a energia — principal custo da mineração de Bitcoin. Com o preço do ativo em queda desde outubro, enquanto os custos sobem, as margens dos mineradores ficam comprimidas.
Quando essa margem desaparece, o ajuste é inevitável. Para manter as operações, especialmente os mineradores menores, a saída é recorrer às próprias reservas de Bitcoin — o que significa venda e pressão adicional de oferta sobre o ativo.
À medida que o cenário se deteriora, isso se reflete de maneira muito clara nos fluxos institucionais, tanto nos ETFs quanto nas empresas que acumulam Bitcoin em seus tesouros corporativos, as chamadas DATs.
No gráfico abaixo, você pode acompanhar como o preço do Bitcoin e os fluxos de capital para os ETFs caminharam juntos ao longo do mês. No início de março, os fluxos voltaram ao positivo — um sinal animador de retorno do interesse institucional. Depois, com a escalada do conflito, essa demanda foi arrefecendo e se transformou em resgates, o que pesou diretamente na movimentação do preço.

Como resultado, o Bitcoin cedeu abaixo dos US$ 68 mil, nível que concentrou alto volume de negociações nos últimos meses e funcionou como principal suporte técnico. Abaixo desse patamar, a probabilidade de volatilidade adicional para baixo aumenta.
A resolução — ou não — do conflito é a variável que determina o que vem a seguir.
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Google alerta: Bitcoin está com os dias contados, e são menos do que o mercado antecipava
Esta semana, o debate sobre computação quântica voltou ao centro das atenções quando o time do Google divulgou um estudo que é, essencialmente, um aviso antecipado: há um risco que representa uma ameaça real à segurança das redes de criptomoedas, e que pode chegar antes do que o mercado imaginava.
O ponto central está no tipo de criptografia que protege o Bitcoin. A rede depende de um sistema chamado criptografia de curvas elípticas — o ECC, da sigla em inglês — que garante que apenas o dono de uma carteira possa autorizar transações.
O problema é que esse sistema pode ser quebrado por computadores quânticos suficientemente poderosos (que ainda não existem). O que o Google trouxe de novo é que avanços recentes permitiram reduzir o poder computacional necessário para esse tipo de ataque em até 20 vezes em relação às estimativas anteriores.
O debate que isso reacende vai além da tecnologia. O verdadeiro desafio para o Bitcoin está na sua própria natureza: por ser descentralizado, qualquer mudança de protocolo, inclusive uma atualização de segurança, exige consenso amplo de toda a rede. É um processo moroso por design, muito diferente do que aconteceria em um sistema centralizado, onde uma decisão técnica pode ser implementada de cima para baixo em questão de dias.
Esse pode ser um dos pontos de inflexão que definirão se o ativo consegue se adaptar ou não diante de ameaças existenciais. É um risco de prazo mais alongado, há tempo para adaptações, mas que merece ser acompanhado de perto.
Vale um adendo importante: isso não significa o fim das criptomoedas! A criptografia pós-quântica já existe e pode ser implementada em redes blockchain — a questão está em quão ágil esse processo será. E aqui, cada rede tem suas próprias características: algumas são mais ágeis para absorver mudanças de protocolo, outras não.
Essa diferença pode, inclusive, abrir espaço para novas oportunidades — ativos que consigam se adaptar mais rápido tendem a sair na frente. Estaremos monitorando esses fatores de perto, tanto os riscos para o Bitcoin quanto as oportunidades que podem surgir nesse novo cenário.
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