Caro leitor,
O Bitcoin segue em regime de reversão à média, mas esse padrão ficou mais frágil após a queda de quinta-feira (29 de janeiro). A pressão não veio do mercado cripto, mas de Wall Street, onde questionamentos sobre a sustentabilidade de trilhões em investimentos em IA derrubaram os ativos de risco. Bitcoin, correlacionado com ações de tecnologia, sentiu o impacto.
Sob esse contexto, agora, podemos estar diante de uma mudança de regime. Caso o BTC rompa nosso atual suporte de forma consistente, será hora de reajustar o portfólio. Por isso, é fundamental ficar atento nos próximos dias.
Mas nem tudo foi negativo, do lado regulatório houve avanço do O CLARITY Act, um dos principais catalisadores do mercado cripto para 2026.
Nesta edição, vamos analisar a dinâmica que derrubou os mercados, dissecar a reunião do FOMC que definiu o tom para os próximos meses e fazer o acompanhamento das últimas atualizações do mercado cripto.
Falando de preço…
O Bitcoin rompeu o suporte de US$ 87 mil na sessão de 29 de janeiro e agora opera em torno de 84 mil. Esse nível é fundamentalmente importante porque representa a zona de maior acumulação dos ETFs de Bitcoin, ou seja, o patamar onde o capital institucional historicamente concentrou suas compras.
A queda não caracteriza ainda uma reversão estrutural, Bitcoin segue em reversão à média, porém com viés mais agressivo para baixa. Os próximos fechamentos serão críticos para sinalizar se a queda é temporária ou o início de uma tendência de baixa.

Expresso Macro: O que influenciou a queda
A queda de quinta-feira expõe uma dinâmica crítica dos mercados contemporâneos: a concentração de retornos em poucos nomes, as gigantes de tecnologia, que sustentam praticamente todos os índices. Quando esses nomes tropeçam, o impacto se propaga.
Sob esse pretexto, o movimento de queda se iniciou com a divulgação de resultados da Microsoft, que apesar de trazer bons números, não conseguiu arrefecer a preocupação do mercado quanto aos gastos em infraestrutura de IA, que não acompanham o crescimento de receita. O mercado questiona o simples: quando esses investimentos trilionários viram fluxo de caixa proporcional?
Bitcoin não escapou dessa dinâmica. A queda em um setor tão importante quanto tecnologia afeta o apetite por risco em mercados globais. Quando investidores perdem confiança em ativos de maior risco — como tech stocks — tendem a vender tudo que é considerado risco simultaneamente, incluindo criptomoedas.
Apesar da queda ter roubado os holofotes, durante a semana o FOMC realizava sua reunião de política monetária. O FOMC é o comitê do Federal Reserve (banco central dos EUA) responsável por definir a taxa de juros americana, decisão que afeta mercados globais por definir o “preço” do dólar, que por sua vez serve como base para o resto das moedas fiduciárias.
Em suma, a taxa foi mantida inalterada e os risco tanto para inflação quanto para o mercado de trabalho diminuíram, enquanto o crescimento econômico continua acima das projeções. Não houve grandes surpresas ou mudanças de direção, apenas confirmação de que o cenário permanece sob controle, o que mantém um dos principais vetores para risco (estabilidade da economia norte americana) ainda em sinal verde.
Mas então por que o BTC não sobe? A história não é tão simples… apesar de o cenário macroeconômico continuar relativamente construtivo do lado dos Estados Unidos, existem forças contrárias, principalmente o Japão enxugando liquidez, o que tende a apertar condições financeiras globais e impactar ativos de risco. Idealmente, gostaríamos de ver Nasdaq retomando força e renovando máximas, sinalizando expansão e transbordamento de liquidez, um ambiente que “abre espaço” para o Bitcoin recuperar tração e voltar a trabalhar a região dos US$ 94 mil. A confirmação desse cenário virá do preço, tecnicamente, isso fica mais claro quando o gráfico volta a fechar acima das resistências-chave e começa a formar uma sequência de fundos mais altos.
Para ficar de olho: HYPE
Hyperliquid é uma blockchain de alta performance que combina a velocidade de execução das exchanges centralizadas à transparência de operações on-chain. Permite ordens sem custos de gás e oferece taxas competitivas, posicionando-se entre as principais DEXs do mercado.
Seu diferencial reside no foco em mercados perpétuos, que não apenas proporcionam alta alavancagem, mas também capacitam desenvolvedores a criar seus próprios mercados diretamente sobre a infraestrutura. Parcerias com carteiras estabelecidas como Phantom e Metamask expandiram o acesso de usuários. O lançamento da USDH — lastreada em títulos do Tesouro — funciona como colateral nativo e reduz a dependência de stablecoins externas.
Uma dinâmica relevante vem do crescimento em mercados de commodities. O open interest em derivativos de commodities atingiu US$ 790 milhões em máxima histórica, acumulando crescimento de aproximadamente 200% em um mês, sinalizando adoção acelerada em novos segmentos. Em um contexto em que liquidez é prêmio e infraestrutura importa, Hyperliquid oferece características que atraem traders institucionais e varejistas em busca de alternativas eficientes.
Por isso, Hyperliquid (HYPE) é nosso ativo de destaque da semana.