1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Carta de Brasília

Alternativas para o Auxílio Brasil

A PEC dos Precatórios é considerada fundamental para o governo garantir uma folga no Orçamento e viabilizar o Auxílio Brasil, com o pagamento de valor adicional temporário para atingir o piso de R$ 400, conforme defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. Mas, se o governo não conseguir, quais seriam as alternativas?

O governo poderia garantir o reajuste de 20% do benefício do Bolsa Família (ou Auxílio Brasil). Para chegar aos R$ 400, alguns caminhos são possíveis.

Por Lucas de Aragão

03 nov 2021, 15:37

A PEC dos Precatórios é considerada fundamental para o governo garantir uma folga no Orçamento e viabilizar o Auxílio Brasil, com o pagamento de valor adicional temporário para atingir o piso de R$ 400, conforme defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. Mas, se o governo não conseguir, quais seriam as alternativas?

O governo poderia garantir o reajuste de 20% do benefício do Bolsa Família (ou Auxílio Brasil). Para chegar aos R$ 400, alguns caminhos são possíveis.

O primeiro, e mais óbvio, seria editar uma medida provisória com crédito extraordinário. A solução não tenderia a encontrar resistência no Tribunal de Contas da União (TCU), já que seu vice-presidente, ministro Bruno Dantas, chegou a sugerir em agosto que o governo continuasse a transferir renda por meio de crédito extraordinário enquanto durasse a pandemia.

O governo também poderia enviar ao Congresso um projeto de lei pedindo um crédito suplementar que viabilizasse o pagamento de um benefício extra até dezembro de 2022.

A ideia de se decretar estado de calamidade não é bem vista pelo governo. Além disso, o procurador junto ao TCU, Júlio Marcelo de Oliveira, disse que o presidente poderia responder perante a Corte. Afinal, a vacinação continua e o número de mortes e de casos está caindo.

Na hipótese de o governo perder na votação da PEC dos Precatórios, aumentam-se os riscos em torno da votação que instituiu o Auxílio Brasil. O relator, deputado Marcelo Aro (PP-MG), tem demonstrado independência em relação ao governo. Tem defendido reajuste maior que 20% e falado em incluir em seu texto uma previsão de reajuste anual permanente para o programa social.

Outras soluções via Congresso poderiam ganhar força. Uma delas é o projeto do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que cria a Lei de Responsabilidade Social, cuja base é a criação do Benefício de Renda Mínima (BRM). O BRM funde os quatro benefícios do Bolsa Família em um, que completará a renda da família até o valor atingir o patamar de R$ 125 per capita.

De qualquer forma, o governo está jogando pesado para garantir o plano A, que é a votação dos precatórios.

Diretor de Comunicação e sócio da Arko Advice, formado em Ciência Política pela UniDF e mestre em Campanhas Eleitorais e Governo pela Fordham University (Nova York). Diversos de seus artigos foram publicados em revistas e periódicos de ciência política no Brasil e no mundo.