Os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, intensificam suas movimentações junto às bases do PSDB de olho nas prévias marcadas pelo partido para novembro. Embora o senador Tasso Jereissati, do Ceará, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto também estejam no páreo, a tendência é que eles desistam de disputar o cargo de presidente da República em 2022 para apoiar Leite.
Apesar de Leite ser o preferido da cúpula tucana, há uma correlação de forças mais favoráveis a Doria. Segundo levantamento realizado pela CNN, até agora Doria conta com o apoio do PSDB Mulher, e dos diretórios de São Paulo, o maior do país, do Pará e Acre. Além disso, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Norte também penderiam para o governador paulista.
Eduardo Leite, por outro lado, conta com o diretório do Rio Grande do Sul. Na semana passada, recebeu o apoio de Minas Gerais e do Paraná. O PSDB de Santa Catarina e do Ceará também pendem para o governador gaúcho. Nos demais diretórios não houve posicionamento em relação às prévias.
Apesar de Leite ter ganhado terreno junto a setores importantes da cúpula tucana, Doria está em vantagem. Segundo o “Estadão”, Doria conta com o apoio de 1/3 dos filiados do partido. Outros 10% pendem para Leite. Doria tem ainda o apoio do ex-presidente FHC.
A disputa, porém, ainda está em curso. A vantagem de Doria não está consolidada e mudanças podem ocorrer. Uma delas envolve a saída do ex-governador Geraldo Alckmin do PSDB para se filiar ao PSD. Dependendo de quem acompanhar Alckmin, o PSDB paulista pode ficar enfraquecido.
Outro aspecto importante é que, no âmbito nacional, o PSDB corre o risco de um racha, independentemente de quem vença as prévias. Tanto João Doria quanto Eduardo Leite já anunciaram que não serão candidatos ao governo estadual, mesmo podendo concorrer à reeleição. Ou seja, eles apostam todas as suas fichas nas prévias.
Assim, dependendo do grau de tensionamento da concorrência interna, o perdedor, caso continue sonhando com o Palácio do Planalto, poderá trocar de legenda para ser candidato. No entanto, há obstáculos pela frente, como a ausência de uma sigla com estrutura robusta. Sem falar que, caso o derrotado troque de legenda para ser candidato, a fragmentação do centro ficará ainda maior.
Quanto maior for essa pulverização do centro, mais difícil será para os nomes da terceira via romperem a polarização entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro.