Confronto com resultado
O presidente Jair Bolsonaro entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com ação a fim de impedir o tribunal de abrir inquérito “de ofício”, ou seja, por iniciativa própria (sem pedido do Ministério Público Federal). A ação, assinada por Bolsonaro e pelo advogado-geral da União, Bruno Bianco, questiona o artigo 43 do regimento interno do Supremo, que deu origem ao inquérito das fake news, aberto de ofício em março de 2019 pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, para apurar notícias fraudulentas e ameaças a ministros do tribunal.
Além disso, Bolsonaro entrou com pedido de impeachment no Senado contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), decidiu, porém, pelo arquivamento do pedido alegando não ver fundamentos jurídicos e técnicos no pedido.
Monitoramento feito pelo instituto Atlas mostra que tais iniciativas do presidente têm tido resultado positivo para ele, tanto em termos de intenção de voto quanto de avaliação do governo.
A vantagem de Lula para Bolsonaro, que era de 12 pontos em 10 de agosto, caiu para 5 pontos na última sexta-feira. Já a aprovação do presidente cresceu três pontos percentuais. É fato, contudo, que Bolsonaro depende do andamento da economia para se fortalecer para as eleições presidenciais de 2022. Além disso, é fundamental viabilizar o Auxílio Brasil.
Informações na última semana deram conta de que o Centrão começa a duvidar da viabilidade eleitoral do presidente. E aqui cabem algumas ponderações. Primeiro: essa não é uma avaliação unânime no interior do Centrão. Segundo: mesmo fragilizado, Bolsonaro continua com um apoio sólido e importante. Terceiro: não interessa neste momento abandonar o governo. No entanto, há insatisfação dentro do Centrão com as brigas compradas pelo Presidente.
Por outro lado, é certo que o aumento da tensão e a fragilidade política momentânea do governo fazem subir o preço do Centrão, que passa a ser cobiçado por outros players.