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Carta de Brasília

Governo Pressionado

Uma série de eventos negativos nos últimos dias deixou o governo numa posição defensiva e de desgaste. O ano, definitivamente, não começou bem para o Executivo.

Primeiro, houve as declarações do presidente Jair Bolsonaro de que o Brasil estava quebrado. O fato surpreendeu até o ministro da Economia, Paulo Guedes, que chegou a interromper suas férias para explicar a fala do presidente.

Por Lucas de Aragão

18 jan 2021, 12:32

Uma série de eventos negativos nos últimos dias deixou o governo numa posição defensiva e de desgaste. O ano, definitivamente, não começou bem para o Executivo.

Primeiro, houve as declarações do presidente Jair Bolsonaro de que o Brasil estava quebrado. O fato surpreendeu até o ministro da Economia, Paulo Guedes, que chegou a interromper suas férias para explicar a fala do presidente.

O aumento do número de casos de covid-19 tem exigido do governo ações mais concretas no enfrentamento da pandemia. A dramática situação vivida por Manaus deixou o governo numa situação ainda mais vulnerável. Panelaços foram convocados para a última sexta-feira (15) com forte adesão em várias cidades do país.

O anúncio da decisão da Ford de deixar o país foi outra má notícia para o governo. Independentemente das motivações da empresa, o fechamento de fábricas da multinacional americana resultará na demissão de cerca de 5 mil pessoas.

No dia 10, o Banco do Brasil informou ao mercado que aprovou um plano de reorganização para ganhos de eficiência operacional que prevê, entre outras medidas, o fechamento de 112 agências da instituição, além de programas de desligamento com expectativa de adesão de 5 mil funcionários. O banco estimou que a implementação plena das medidas deve ocorrer no primeiro semestre deste ano.

A decisão irritou o presidente Jair Bolsonaro, que ameaçou demitir o presidente do banco, André Brandão. Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, entraram em cena para contornar o problema.

No mercado, surgem dúvidas sobre ingerência política em outras estatais, por exemplo, a Petrobras. A avaliação é que o Palácio do Planalto está segurando o reajuste dos preços dos combustíveis para evitar mais desgaste político.

Os eventos podem influenciar a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, marcadas para o início de fevereiro. O custo político para garantir a vitória dos candidatos governistas – Arthur Lira (PP-AL), na Câmara, e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no Senado – pode aumentar.

Tais eventos podem também exigir que o governo tome medidas de estímulo à economia no curtíssimo prazo, como antecipação de 13º salário para aposentados e novo adiamento de pagamento de impostos para empresas. Para aliviar a pressão, o governo depende, fundamentalmente, do início do processo de vacinação.

Diretor de Comunicação e sócio da Arko Advice, formado em Ciência Política pela UniDF e mestre em Campanhas Eleitorais e Governo pela Fordham University (Nova York). Diversos de seus artigos foram publicados em revistas e periódicos de ciência política no Brasil e no mundo.