Algumas importantes movimentações no jogo sucessório ocorreram nas últimas semanas. O apresentador de TV Luciano Huck, potencial candidato à Presidência da República, anunciou sua desistência em disputar o cargo. Antes, já haviam se manifestado o ex-ministro Sergio Moro e João Amoedo (Novo). Dependendo do instituto, esses pré-candidatos, juntos, tinham entre 13% e 15% das intenções de voto.
PSDB e PDT continuam firmes em seus projetos presidenciais para as eleições do próximo ano.
O PSDB, na semana passada, aprovou as regras para a escolha do seu candidato. Segundo a deliberação da executiva nacional, o primeiro turno das prévias da sigla ocorrerá em 21 de novembro. O segundo turno, se necessário, será em 28 de novembro.
Pelas regras aprovadas, quatro grupos terão direito a voto no PSDB. São eles: 1) filiados; 2) prefeitos e vice-prefeitos; 3) vereadores, deputados estaduais e distritais; e 4) governadores, vice-governadores, deputados federais, senadores, ex-presidentes do PSDB e o atual presidente do partido. A opção por eleições indiretas representou uma derrota para o governador de São Paulo, João Doria, que defendia uma fórmula em que os votos dos filiados e dos mandatários tivessem peso de 50%.
No PDT, o ex-ministro Ciro Gomes insiste em seu projeto de chegar ao Palácio do Planalto e contratou o marqueteiro João Santana, que coordenou as campanhas dos ex-presidentes petistas Lula, em 2006, e Dilma Rousseff, em 2010 e 2014.
Ciro tem adotado uma postura muito crítica em relação a Lula, em especial contra o PT. Na sua avaliação, Lula e ele irão para o segundo turno. Nas pesquisas, hoje, Ciro aparece com 6% a 9% das intenções de voto.
Luiz Henrique Mandetta, do DEM, ex-ministro da Saúde na gestão Bolsonaro, tem feito alguns movimentos na busca de um entendimento entre os partidos de centro. Em abril, por exemplo, articulou a redação de uma Carta em Defesa da Democracia entre os então seis pré-candidatos à Presidência no dia do aniversário do golpe de 1964. Foi um gesto político contra o presidente Jair Bolsonaro, que enaltece o golpe e busca a reeleição. A carta foi assinada por Ciro Gomes, pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), por João Amoêdo, João Doria e pelo próprio Mandetta.
Na semana passada, o ex-ministro da Saúde organizou um jantar com dirigentes partidários para tentar chegar a algum consenso em torno de uma “terceira via”. Participaram do encontro os seguintes presidentes de legendas: ACM Neto (DEM), Bruno Araújo (PSDB), Roberto Freire (Cidadania), Renata Abreu (Podemos) e José Luiz Penna (PV). Os deputados federais Herculano Passos e Aureo Ribeiro representaram, respectivamente, o MDB e o Solidariedade.
Em um movimento mais cauteloso, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, tenta projetar o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), como alternativa. Pacheco tem mandato até 2027 como senador. Ou seja, caso decida concorrer e não vença, não haverá prejuízo político para ele, que poderá até tentar a reeleição como presidente do Senado por mais dois anos.
As desistências até aqui anunciadas partiram de pessoas consideradas novas no meio político. Luciano Huck e Sergio Moro nunca tiveram filiação partidária. João Amoêdo concorreu pelo Novo em 2018, mas é considerado novato na política. Novas desistências não devem acontecer no grupo mais tradicional da política brasileira.
Outro fator a considerar é que as desistências decorrem muito mais de opções por projetos pessoais do que pela convergência em torno de um nome alternativo. Essa falta de unidade do centro acaba reforçando o cenário de polarização entre Lula e Jair Bolsonaro.
Há dois movimentos bastante aguardados para os próximos meses. Em primeiro lugar, a definição no PSDB. Sem um entendimento, as prévias no partido devem acirrar o clima de disputa interna e, eventualmente, prejudicar mais uma vez o projeto do partido de voltar ao Palácio do Planalto. Na eleição de 2018, após grande desgaste político do senador Aécio Neves, o candidato Geraldo Alckmin obteve menos de 5% dos votos válidos na disputa.
Outra questão pendente de definição é com relação à filiação do presidente Jair Bolsonaro. Seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, filiou-se ao Patriota. Bolsonaro disse, no último dia 17, que está em negociações avançadas para se filiar a um “partido pequeno” e que um de seus objetivos é aumentar a bancada governista no Senado nas eleições de 2022. Na Casa, o governo tem enfrentado mais dificuldades políticas do que na Câmara. Foi no Senado, por exemplo, que se instalou a CPI para investigar a atuação do governo federal no combate à covid-19.