O governador de São Paulo, João Doria, chegou a anunciar (15) que não participaria do debate entre os presidenciáveis do PSDB que será transmitido, na próxima terça (19), pelos jornais O Globo e Valor. Doria alegou que “o formato não permitiu o entendimento entre todos”. Porém, após a repercussão negativa de sua decisão, ele voltou atrás e, no sábado (16), confirmou presença.
Doria também passou a questionar o sistema de votação dos filiados, que será feito por aplicativo, e aliados chegaram a defender que a votação fosse realizada por meio de cédulas. Embora a disputa no PSDB pela escolha do candidato ao Planalto em 2022 ainda esteja em aberto, desde meados de setembro o governador do Rio Grande do Sul, o tucano Eduardo Leite, vem ganhando terreno internamente e está em vantagem.
Doria conta com o apoio do ex-presidente FHC, mas Leite tem a preferência do comando nacional do partido e, após receber o apoio do senador Tasso Jereissatti (CE), vem acumulando força. Hoje, dez estados estão com Leite, enquanto cinco declararam voto em Doria. Já o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio, também pré-candidato, tem o apoio apenas do Amazonas.
Na semana passada, chamou a atenção o espaço que Leite passou a exibir dentro do PSDB paulista. Durante sua passagem pelo estado, o governador gaúcho recebeu o apoio explícito do ex-governador Geraldo Alckmin, do senador José Aníbal e dos prefeitos de São José dos Campos, Felício Ramuth, e Santo André, Paulo Serra.
Numa reação ao movimento de Leite, Doria divulgou no sábado à noite uma carta assinada por 230 prefeitos – 98% dos prefeitos tucanos do estado – em apoio à sua pré-candidatura. Os últimos movimentos do governador paulista – a ameaça de não participar do debate e o questionamento a respeito da votação dos filiados por aplicativo – sugerem que sua pré-candidatura pode estar perdendo tração. No entanto, sua capacidade de mobilização não deve ser menosprezada.
Mesmo que Doria tenha recuado e confirmado participação no debate, seus gestos recentes degastam sua imagem. A tendência é que o debate seja quente, pois Doria tende a apostar no evento, que terá repercussão nacional, para mobilizar os filiados e equilibrar o jogo que se desenha favorável a Leite.