A votação pela Câmara da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o voto impresso não foi suficiente para reduzir o choque entre os três Poderes. As críticas ao Judiciário por parte do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) continuam.
Bolsonaro disse em sua live (12) semanal nas redes sociais que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, também ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mentiu sobre o tempo de contagem do voto impresso. “Pega muito mal mentir desta maneira, ou então és um tapado!”, disse. Segundo Barroso, seria preciso semanas para apurar votos em cédula.
O Judiciário, por sua vez, segue dando andamento a processos contra o presidente. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, acolheu (12) a notícia-crime do TSE e decidiu investigar Bolsonaro por suposto vazamento de dados sigilosos de inquérito da Polícia Federal sobre invasão hacker à Corte eleitoral em 2018.
Na última sexta-feira, Alexandre de Moraes determinou a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB. No YouTube e nas redes sociais, o ex-deputado aparece empunhando armas e ameaçando os ministros, além de pregar o fechamento do Supremo.
A tendência é que a tensão politica continue aquecida. O presidente Jair Bolsonaro é alvo de quatro inquéritos no STF e no TSE. Tais processos trazem sempre o risco de novos embates. Ontem, ele disse que apresentaria um pedido de impeachment ao Senado contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Os pedidos não vão avançar.
No Legislativo, a CPI da Pandemia já prepara o relatório final com a ajuda de um grupo de juristas para identificar potenciais crimes que teriam sido cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro no combate à covid-19. Um pedido de impeachment feito pela CPI é possível, mas deve tramitar como qualquer outro. O presidente da Camara, Arthur Lira, não deseja pautar o tema.
Outro fator que contribui para manter o clima tenso é a sucessão de 2022. À medida que nos aproximamos do pleito, os embates se tornam mais agressivos.