Até aqui, a CPI da Pandemia no Senado não travou a agenda legislativa do governo no Congresso. Dois exemplos recentes são a votação da MP da Eletrobras e da MP que trata da melhoria do ambiente de negócios no país. Mas a menção pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF) de que o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), pressionou pela compra da vacina indiana Covaxin, pode trazer problemas se o esclarecimento não vier rapidamente. Uma eventual troca de líder não deve ser descartada.
Claramente, a CPI está gerando duas consequências negativas para o Palácio do Planalto. A primeira é que vem criando, sistematicamente, manchetes negativas para o governo. E o Executivo, pelo seu lado, não tem conseguido criar um contraponto com dados positivos.
A segunda consequência, decorrente da primeira, é que o custo político para o governo gerenciar sua base e mantê-la unida está aumentando. Miranda, que denunciou irregularidades na compra da vacina Covaxin, disse que vários parlamentares do Centrão anunciaram estar se preparando para abandonar o barco. Ainda que seja um exagero, percebe-se que há algumas movimentações de partidos que apoiam o governo buscando caminhos alternativos para 2022.
Um deles é o PSD, que tem estimulado a candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para a Presidência. Miranda é do DEM, assim como os ministros Onyx Lorenzoni (Secretaria de Governo) e Tereza Cristina (Agricultura). Mas o presidente da legenda, ACM Neto, e o ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta também procuram alternativas para 2022.
A chance de a CPI resultar em abertura de processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro é baixa. O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, afirmou, em live promovida pela Arko Advice, que a CPI não deverá ter qualquer resultado concreto contra Bolsonaro.
Mesmo assim, a tendência é que o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), peça, em seu relatório final, a abertura de processo. O pedido, além de ajudar no discurso da oposição contra o presidente, manterá Jair Bolsonaro dependente de uma boa relação com a Câmara dos Deputados, em especial com o seu presidente, Arthur Lira (PP-AL).